Nova temporada, novo pretendente, novas garotas, nova chefe.. será mesmo?

Para a nossa alegria, a série mais linda sobre bastidores de reality shows está de volta, com tiro, porrada, bomba e muita crueldade deliciosa de se ver, não é mesmo?

A premiere da segunda temporada não foi nada menos que maravilhosa, e já deixou claro que, se o feminismo foi a força-motriz do seu primeiro ano, nosso foco desta vez será a eterna discussão étnica e racial que shows como esse levantam. Esse assunto foi muito abordado e tangenciou bastante vários arcos na season 1, mas é muito bom vê-lo ganhando o centro dos holofotes.

O príncipe é negro e a maioria das participantes foi escolhida com critérios étnicos: a negra ativista, a negra sofredora, a loirinha tradicional, a loira racista, a muçulmana BFF do Osama… tudo é motivo para uma piada politicamente incorreta envolvendo questões raciais. E tudo é cruelmente pontuado para escancarar como a sociedade ocidental ao mesmo tempo pauta e é pautada pelas “regras” inventadas por esses shows de TV.

É interessante como, logo no começo, as (anti-)heroínas quebram paradigmas da mocinha de boa índole: uma baita festa regada a drogas (com direito à protagonista cheirando) e sexo selvagem com o agente negro do pretendente da vez. Até o orgasmo de Rachel é um show de egocentrismo e egolatria, com a fixação na ideia “vou fazer história”. Eu tenho dúvida se Rachel realmente tem a ilusão de que realities como The Bachelor ou qualquer outro fazem história e não apenas entram pelas portas que a história já havia aberto antes.

Entre as candidatas da vez, Ruby é o óbvio destaque. Colocar uma ativista negra em um show desses é realmente genial, e a argumentação de Rachel, apesar de questionável, foi bastante crível. Só é um pouco estranho vê-la aceitar aqueles vestidos de gala e biquínis sem nem titubear ou reclamar. Essa é uma submissão que não combina com alguém com esse perfil.

Beth Ann, a loira racista, também promete. Seria interessante o show subverter a lógica e transformar a potencial vilã de Everlasting em uma personagem torcível para nós. Até agora não temos material suficiente para arriscar quais seriam os planos para a moça, mas, haja o que houver, ela me empolga.

Yael (a.k.a. não a Universidade a.k.a. Hot Rachel), Chantal (que duvido que vá tão longe), a muçulmana e a loirinha filhinha de papai empresário de futebol foram as potencialmente relevantes da temporada. Isso não significa que só teremos 5 ou 6 candidatas para ficar de olho. Anna, por exemplo, só entrou no nosso radar no segundo episódio da primeira temporada e era a minha favorita no ano passado. Pepper ganhou um rápido destaque inicial e acabou nunca rendendo. É uma dinâmica semelhante à de alguns realities e acaba sendo divertido especular em cima disso.

Nenhuma das candidatas, porém, funcionou melhor como uma deliciosa brisa de ar fresco para UnReal do que a nossa querida Madison (sim, a estagiária das trancinhas e do bocatch cresceu e virou uma personagem maravilhosa!). A cena em que Rachel a treina já pode ser considerada uma das melhores de toda a série! É desesperador se imaginar no lugar dela, passando por uma sessão de tortura sem poder gritar e mantendo o foco no trabalho. E mais chocante e maravilhoso ainda é ver que, depois de tudo aquilo, Madison estava em êxtase! É fato que produtores de TV não podem ser pessoas normais e é sensacional ver o “batismo” de uma dessas pessoas. Quero muito mais Madison nesta temporada, e espero tê-la!

Em compensação, os ex-namorados recalcados só serviram para ofuscar um pouco o brilho da premiere. Jeremy sempre foi um sem sal, mas agora além de sem sal quer bancar o chato e não tem a menor graça. Foi legal ver Rachel toda trabalhada nas lições de Emily Thorne e Victoria Grayson e sambando na cara do ex ao demitir seu coleguinha machista em retaliação ao desrespeito que o primeiro demonstrou na reunião? Foi. Mas Jeremy é tão qualquer coisa que nem vê-lo se ferrando teve muita graça.

Chet, por sua vez, era odiável e interessante na primeira temporada, e agora está apenas forçosamente odiável. A história da Patagônia parece delírio de um roteirista durante uma bad trip de ácido. Deixá-lo livre para recrutar o protagonista da temporada me pareceu um erro imbecil de principiante que Rachel e Quinn jamais cometeriam, algo extremamente forçado pela série. Não engoli aquele “sequestro”, e engoli menos ainda essa loucura de que a equipe do show ia mandar uma limusine para a gravação sem conferir se o solteiro estava mesmo lá dentro. Tosco e um ponto realmente baixo dessa premiere que teria sido perfeita sem esse detalhe.

Seria bem mais legal, por exemplo, se Chet crescesse numa emissora concorrente e criasse um reality que ameaçasse a hegemonia de Everlasting. Concorrentes, sim, mas não nesse cabo de guerra tosco pelo protagonista.

Mas a relação entre Rachel e Quinn continua fascinante e a grande força da série. Nesta nova temporada, vai ser lindo acompanhar a disputa de poder entre as duas (como se Rachel tivesse chance de ganhar). Eu não sei se quero nossa protagonista fazendo a Madalena arrependida de ter topado o negócio e voltando a odiar seu trabalho. Prefiro que a série siga o caminho da Rachel dura, implacável e insuportável. Quero, no fim da temporada, que Rachel se torne uma Quinn on steroids e supere a mestra. Mas resta saber se a personagem de Constance Zimmer permitirá que sua pupila cresça mais que ela.

War foi uma premiere muito bem sucedida na tarefa de apresentar o tom da nova temporada, ao mesmo tempo em que nos fez ansiar para saber o que virá em seguida. A possível guerra fria entre Rachel e Quinn tem tudo para ser deliciosa de acompanhar e mal posso esperar pra ver o que UnReal nos reserva. Estou extremamente animado com a série e com a jornada em que estamos prestes a embarcar juntos aqui no Série Maníacos. E vocês?

Secret scenes:

– Money, dick, power. Nessa ordem. Lições da rainha Quinn para o universo.

– Quando a morte de Mary apareceu no recap inicial, quase morri de desgosto. Espero que o único motivo tenha sido a divertida referência de Quinn (“Querem que a gente faça o quê, mate uma em todo episódio?”), porque não quero mais memórias da pior resolução de plot da primeira temporada.

– Existe transplante de gordura? Porque foi exatamente o que aconteceu entre Chet e Jeremy, né?

– Vamos tentar entender: a beesha produtora aprontou de tudo na temporada passada, usou suas protegidas como bem quis, explorou cruelmente as questões étnicas das participantes negras pra tentar ganhar dinheirinho, e agora que Rachel está se jogando pra fazer a mesma coisa, tá fazendo a puritana julgadora? Isso tem um nome: R-E-C-A-L-Q-U-E da colega promovida. Seje menas, viada.

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.