The X-Files – Quase vinte anos de Conspiração – Season 1

Comemorando os quase vinte anos da estréia e dez anos do encerramento da série mais importante da década de 90, que influenciou todas as obras de suspense e ficção científica depois dela, o Série Maníacos revisita até o ano que vem, o universo que lançou a ufologia, a um patamar de inteligência e sagacidade nunca visto na televisão mundial.

Em 10 de Setembro de 1993, chegava ao ar pela Fox, uma série chamada The X Files, criada por um tal de Chris Carter e estrelada pelo até então meio-famoso David Duchovny. O projeto, sobre um departamento mitológico do FBI que cuida de casos inexplicáveis, já andava batendo na porta da emissora há muito tempo. Carter, apoiado em sua trama substancial, tentava convencer os executivos da Fox de que o programa teria notoriedade a longo prazo, com episódios fechados, temas resolvidos no mesmo dia, em que um agente e uma agente (o clássico das séries policiais) aplicariam seus conhecimentos em eventos sobrenaturais ou violentos.

Depois de alguma insistência, a Fox cedeu e encomendou um piloto. O piloto foi escrito por ele usando como base uma série de documentos apócrifos sobre abduções alienígenas e já apresentava a raiz da trama que se seguiria nove temporadas adiante: Mulder teve uma irmã abduzida por alienígenas na infância e sua vida desenvolveu-se em torno do objetivo de encontrá-la. O FBI, de saco cheio de seu nariz intrometido, contrata a agente Scully, uma cientista crônica que pretende invalidar o trabalho do novo parceiro. O resultado? O piloto conquista a atenção do canal, que encomenda a primeira temporada inteira.

Duchovny, responsável por viver o agente Mulder, tinha feito alguns filmes sem importância e era mais conhecido por sua participação peculiar na série Twin Peaks. No entanto, também era a aposta do canal para despertar a atenção da mídia. Ao seu lado, vivendo Scully, o estúdio queria uma mulher bonita e forte, mas Carter insistia em fazê-los contratar uma tal de Gillian Anderson que era jovem demais pro papel e ainda por cima estava um pouco acima do peso. O estúdio queria uma tensão sexual imediata, mas Carter mantinha sua posição de não provocar essa tensão. Com a ajuda de seus produtores, mentiu sobre a idade de Gillian e convenceu os executivos a deixá-la fazer o piloto. Quando a temporada foi aprovada, Carter teve que travar inúmeras batalhas para manter Gillian no emprego e isso acabou sendo preponderante na relação profissional dos dois. Sem isso, a série não teria chegado à nona temporada, fatalmente.

De fato, quando a série estreou em 93 ninguém na Fox dava muito atenção à ela. Com a promessa de baixos orçamentos, Carter não incomodava e pelo menos a grade da próxima temporada de estréias estaria fechada. O que ninguém esperava que fosse acontecer, é que justamente por causa dos baixos orçamentos, o criador tinha que se apoiar em bons roteiros e na metade dessa temporada inicial, Arquivo X começou a aparecer na lista de recomendações das principais publicações do gênero. Críticas positivas começaram a surgir e o universo nerd, sedento por boas produções de ficção científica, imediatamente se apaixonaram pela série. A propaganda boca-a-boca crescia e a série ia conquistando todo tipo de espectador, já que nunca falava de um só assunto e podia satisfazer a todos. Quem não curtia aliens podia curtir os episódios sobre aparições espirituais, quem não curtia fantasmas podia gostar dos episódios que falavam de monstros e aberrações. Enfim, tinha pra todos os gostos. E a dinâmica de fé e ciência no qual se apoiavam os roteiros era irresistível. Enquanto Mulder vinha com teorias fantásticas, Scully usava a ciência para invalidá-las, embora na maioria das vezes, sua ciência acabasse confirmando as teorias dele.

Ao final da primeira temporada, Arquivo X já era um sucesso e sua costura mitológica já era assunto na web ao redor do mundo. Passemos então para uma breve avaliação dos melhores e piores episódios de cada temporada. Mas lembrando que essa lista não terá qualquer serventia se não for pra instigar a curiosidade do leitor. Então se esses comentários lhe parecerem mesmo que ligeiramente interessantes, baixe o episódio em questão e assista. A saga de Mulder e Scully pode ser tudo, menos irrelevante.

Os dez melhores episódios – Season 1

Piloto – 1X00

Considerado como um dos melhores pilotos da história, o episódio já começa com uma mensagem que nos diz que tudo que veremos foi baseado em documentos reais. Daí então conhecemos a agente Scully, uma cientista designada para invalidar o trabalho do agente Mulder, um apaixonado defensor de teorias fantásticas que teve a irmã pequena abduzida por alienígenas. O choque entre os dois é imediato e em seu primeiro caso juntos investigam uma série de abduções ocorridas numa cidadezinha. Aqui vemos o Canceroso pela primeira vez, parado, quietinho, fumando, na sala do diretor do FBI. E vemos também o famoso corredor de evidências do pentágono.

A verdade está lá fora – 1X01

O segundo episódio manteve o plot do piloto e mostrou Mulder buscando informações sobre testes feitos com soldados usando tecnologia alienígena. A famosa frase de abertura “The truth is out There” aparece pela primeira vez, assim como a famosa cena das luzes sendo vistas por uma Scully estupefata. A personalidade de Mulder é muito bem delineada nesse episódio. Daqui por diante ele acaba ganhando a fama de caçador de encrencas que o imortalizou. Seu primeiro informante apelidado de Garganta Profunda surge aqui pela primeira vez.

Sombras – 1X05

A dupla Glen Morgam & James Wong foi responsável por bons episódios da série. As idéias dos dois rendiam sempre ótimos momentos e esse Sombras é um bom exemplo disso. Os fantasmas ganham sua estréia nessa assustadora teoria de que uma vez presentes na sua vida, as pessoas podem não te abandonar nem na morte. O título em português do episódio casa bem com o estilo dos roteiristas, que adoram engendrar seus enredos no oculto e invisível. A dupla acabou criando uma inteligente e bem sucedida franquia no cinema chamada Premonição, onde o vilão é o mais invisível de todos: a morte.

Terror no Gelo – 1X07

Morgan & Wong novamente. Mulder e Scully viajam para o Alaska para investigar as estranhas mortes de uma equipe de expedição. Lá, descobrem um nojento parasita que se disfarça no sistema nervoso central e muda o humor dos hospedeiros. Uma vez que duas pessoas estejam infectadas, elas lutarão até que uma delas morra. O clima do episódio é incrível. Tenso. Nunca se sabe quem está infectado e como o infectado vai agir. Aqui temos uma participação da futura desperate housewive, Felicity Huffman e a famosa cena de Mulder tirando a roupa para uma vistoria e dizendo: não façam julgamentos, estamos abaixo de zero.

Caçada Sangrenta – 1X09

Somos apresentados, nesse que é um dos poucos bons episódios escritos por Howard Gordon & Alex Gansa, a um personagem inesquecível dentro da mitologia da série: Max. O nerd afirma ser um repetente (constantemente abduzido) e é encontrado por Mulder nas redondezas de uma operação de resgate de uma possível nave. O personagem só apareceu duas vezes na série e inaugurou a galeria de coadjuvantes inesquecíveis do programa.

O Vidente – 1X12

Mesmo sendo uma cética cientista, durante os primeiros anos da série, os roteiristas adoravam colocar Scully diante de situações sobrenaturais. Aqui, nesse espetacular episódio da dupla Morgan & Wong, o impressionante teaser (cena antes da abertura) mostra Scully se despedindo da mãe e depois cochilando no sofá. Ao abrir os olhos momentaneamente, ela vê o pai sentado na poltrona logo à frente. Ele parece falar, mas ela não ouve nada (as aparições de espíritos na série mantém todas esse padrão), ele some e ela segundos depois recebe uma ligação avisando que o pai morrera. Esse evento se une ao caso que Mulder e ela investigam sobre um condenado à morte que depois de escapar da sua primeira execução, afirma ter passado a ver os espíritos dos que matou e a fazer previsões. É o primeiro episódio que inverte os papéis e mostra Scully crente e Mulder cético.

Assassino ou Assassina? – 1X13

Um misterioso assassino que parece ter a capacidade de mudar de sexo une Scully e Mulder num caso que os leva até uma estranha comunidade isolada no interior dos EUA. O episódio tem um ritmo lento e pode parecer irrelevante. Mas se o espectador souber esperar até os minutos finais, terá uma bombástica revelação que inclui uma teoria interessante para os famosos círculos ingleses.

O ser do Espaço – 1X16

A dupla Morgan & Wong entrega mais uma pequena obra prima. Mulder fica sabendo que os militares abateram uma nave e que pode haver um possível sobrevivente sendo transportado. A busca insana dele para ver a criatura começa e como em todos os episódios que envolvem sua crença, David Duchovny vive um Mulder perturbado e tenso. O episódio é cheio de reviravoltas que são coroadas com uma cena final que é um desbunde de inteligência e lógica. Garganta Profunda conta a um esfarrapado Mulder, que o destino dessas criaturas já está traçado há muito tempo, e some nas sombras num momento que mostra porque essa série foi tudo que foi.

A Besta Humana – 1X18

The X-Files mexeu muitas vezes com mitologias clássicas. Mexeu menos com as mais conhecidas como vampiros, bruxas e lobisomens, mas essa última ganhou um representante á altura nesse assustador episódio de Marilyn Osborn. Sabiamente, a roteirista abordou os lobisomens pelo ponto de vista da cultura indígena, que dá á criatura o nome de Manitou. Esse espírito retorna em ciclos de oito anos para amaldiçoar os membros de uma linhagem outrora contaminada pela maldição. Mulder e Scully começam a investigar os assassinatos provocados pelo retorno da criatura e se deparam com o monstro. Mesmo com pouco orçamento, as soluções criativas do episódio foram sábias e renderam uma das cenas de transformação mais bacanas da série. Aqui, mais uma vez, quem testemunha a transformação é Scully e sua fama de explicações científicas em meio a evidências visuais do sobrenatural, começou a ganhar referências.

Jogo de Gato e Rato – 1X23

Carter encerra a primeira temporada de sua série em grande estilo. O Season Finale reúne Mulder e Scully dentro da trama de manipulação genética que irá permear a série por toda sua vida. O interessante aqui é que é Scully quem conduz a narrativa final e que tem contato com o material genético alienígena que servirá de moeda de troca pela vida de Mulder. A cena na ponte, com a morte do Garganta Profunda é um clássico, assim como sua frase final “Trust no One”, que vira frase de abertura nesse episódio, inaugurando as mudanças de frases que se tornaram marca registrada do programa.

Como nem tudo são flores, vamos ser justos e listar também os equívocos.

Os piores episódios – Season 1 

O Demônio de Jersey – 1X04

Carter, o criador da série, apesar de genial acabou também sendo o responsável por alguns dos primeiros piores episódios da série. Com o orçamento baixo e um ritmo frenético de episódios, algumas bobagens acabaram sendo feitas, sobretudo nesse início. Nessa versão moderna do tal do Pé Grande (que talvez por trauma nunca mais tenha sido abordado na série), Mulder e Scully enfrentam uma lenda de Nova Jersey que dizia respeito a um monstro escondido na floresta. O episódio tem ótimos momentos de diálogos sobre a evolução humana (o que é uma qualidade da série: o desenvolvimento dos roteiros, mesmo quando o episódio é ruim, o salva do lugar comum), mas as aparições equivocadas das criaturas deram a ele um tom jocoso que não cabia na história.

Nesse episódio um pouco da vida pessoal de Scully ganha a cena, mas Carter depois demonstrou arrependimento em ter abordado essa questão tão cedo, o que agrupou certa superficialidade à personagem. Mesmo assim, o episódio é conhecido como aquele que marcou o momento em que Scully decide abrir mão de sua vida pessoal para seguir Mulder em sua busca, ainda que inconscientemente.

O Fantasma da Máquina – 1X06

Escrito por Howard Gordon e Alex Gansa, falava sobre um programa de computador que voltou-se contra seus criadores. Carter uma vez disse que alguns episódios ruins surgiam da necessidade de resguardar valores financeiros a roteiros muito bons que precisariam de muita produção. Esse talvez seja um caso desses. O tal programa poderia ser criado com zero custo de maquiagem e efeitos e suas ações se limitariam a manipular a rede eletrônica do prédio onde estava hospedado. Resultado: um episódio fraco, que apesar de falar um pouco sobre o passado profissional de Mulder, em nada apetece a qualquer fã.

Missão em Perigo – 1X08

Outro roteiro promissor vítima do baixo orçamento e falta de soluções. O episódio falava de algo que teria acontecido a um astronauta que acaba de voltar de uma missão e que está diretamente ligado ao rosto que teria aparecido naquelas famosas fotos de Marte.

Ao tratar o rosto como uma força possessiva, Carter perde a linha e cria uma bobagem sem tamanho que ele mesmo reconhece como um fracasso. A história, sem clímax e sem sentido proporcional, passeia mais uma vez pelo jocoso ao estampar nas crises de possessão do astronauta, a foto animada do rosto marciano.

Roland – 1X22

Não sei o que deu na cabeça do Chris Ruppenthal de achar que seria interessante escrever um episódio sobre um doidinho que controlava os experimentos de um grupo de cientistas. O episódio é chato, pedante, não tem ação e o chato do personagem título ainda por cima é interpretado por Zeljko Ivanek, o homem que mais fez aparições em séries na história da TV.

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  • Denise Moreira – BH

    Puxa Henriquee… X-Files… Arquivo X… Ainda é minha série BEST de todos os tempos. Ela sempre encabeça minha lista de melhores séries. Vc me deu um ótimo motivo para tirar minha coleção de DVD´s da série da prateleira e rever todo a 1ª temporada. Obrigada pela lembrança!

  • Rafael

    Gostaria de ver outro filme desta série. Com o desenvolvimento cinematográfico atualmente, tenho certeza que fariam algo fascinante.

  • Igor

    Que coincidência! Acabei de rever a 1a temporada semana passada. Que ótima surpresa esse texto. Espero pela avaliação das próximas temporadas. Já estou começando a segunda!

  • Neto

    Calma aqui n era só p/ comentar a 1ª temporada…???
    Mas tá bom, descordo do FERNANDO DOS SANTOS ali no caso da Samantha era algo já devia ter solucionado anos atrás.. O desfecho fa história dela foi muito bom pq fo algo triste afinal, uma das cenas mais marcantes no final do epi (closure) qd o mulder a encontra e outras vítimas do maníaco… e fecha ali oq aconteceu com ela realmente . Mas se ela foi abduzida n achei n…

  • Isabela

    parabéns pelo post ficou ótimo, mas não acho que Roland seja um episódio tão ruim assim, eu estou esperando vc comentar sobre a segunda tempoarda!

  • Vivika

    Homenagem perfeita aquela que considero a melhor série dos últimos anos! Parabéns e espero que por meio deste post muitas pessoas possam conhecer um pouco mais dessa série magnifica!

  • http://mundoparticularrosa.blogpsot.com Rosa Maria Lancellotti

    Belíssima e merecida homenagem. Saudades da melhor série de todos os tempos. Parabéns pelo texto e por apresentar essa série maravilhosa para as novas gerações.

  • Luiz Trautwein

    Sem dúvida a melhor série de todos os tempos!
    Tenho certeza que marcou a infância de todo série-maníaco com mais de 20 anos! :D:D:D

  • Val Matos

    A maior e melhor série de todos os tempos, já assistir e reassistir muitas veze…adoro Mulder & Scully.
    post maravilhosooooooooooooooooo!!

  • DANIEL

    Para mim Arquivo X é A Série. Nunca vai ter outra igual. No dia que passava na televisão eu nem saia de casa para não correr o risco de perder o episódio. Concordo com o pessoal que lembrou do Eugene Tooms, os dois episódios são os melhores da primeira temporada e Squeeze está no top 10 de toda a série.

  • Silvia

    Faltou Squeeze e Tooms, com um dos melhores viloes da serie e tiradas incriveis!

  • Humberto Deveza

    Louvável a iniciativa de vocês. Tenho o box com todas as temporadas há vários meses, mas por falta de tempo ainda não consegui ver tudo (estou exatemente no 5×16).

    Gosto muito da série e da veia descontraída e até humorística de algumas reações do Mulder ao longo das temporadas… A química dos dois melhorou consideravelmente com o passar dos anos.

    Parabéns pelos reviews. Lerei com bastante atenção!

    Abraços,

  • Hellenday17

    Acho q já sei qual será a nova/antiga série a assistir!! Já passei por Friends e Sex and the City… ambas maravilhosas!!!

  • http://www.facebook.com/danivonw Danielle Von

    ahaa assisti o piloto e, consequentemente, comcei a maratona x-files! tava procurando até agora onde baixar depois da confusão com o megaupload e graças a deus achei! Muito bom! Agora to com raiva porque são 9 temporadas!! Já vi que vai ser mais de mês viciada. hehe

  • Bethslima

    Essa primeira temporada é adorável pelo visual bagaceira mesmo, com cenários e figurinos meio toscos, compensados com muita imaginação pelo time de roteiristas. Acho que a partir da metade dessa temporada (“Eve” em diante) os episódios ficaram mais bem construídos, como os ótimos “O ser do espaço”, “o Vidente”, “Assassino ou Assassina” e “Jogo de gato e rato”. Colocaria ainda na lista dos melhores “Conduit”, que mostra o quanto a abdução da irmã do Mulder o atormentava. Imperdível. 

  • Elizabeth Lima

    Legal a lista, concordo com vc sobre esses episódios ruins, pra mim são os piores dessa season tb. Mas faltou, entre os melhores “squeeze” e “tooms”, dois episódios cm o monstro da semana Eugene Tooms, ambos ótimos.