Um final anticlimático e agridoce.

The Tomorrow People decepciona novamente, entregando um final muito aquém do esperado, se comparado ao início tão promissor que a série apresentou e correspondeu durante quase toda a sua jornada. 

Son Of Man foi pontuado por soluções fáceis, rápidas, genéricas, além de diversas situações forçadas e artificiais. Uma pena que TTP tenha tido uma finalização tão medíocre diante de todo o potencial que a série vinha consistentemente apresentando em seus dois terços iniciais. 

É inegável a sensação de alívio que senti ao término do episódio, que muito provavelmente será sua Series Finale, e não Season Finale. Embora seja apenas especulação, duvido muito que a CW renove a série. De qualquer maneira, o anúncio oficial (de cancelamento ou renovação) deverá ser feito ainda neste mês de maio, que é quando as emissoras montam suas grades de programação para a próxima Fall Season. Esse período é denominado Upfront, no jargão televisivo americano. 

Stephen esteve completamente perdido no episódio. Primeiramente parte em busca de vingança para depois cair em si e tentar fazer “a coisa certa”, que era salvar a humanidade. Além de ser clichê, essa jornada soou um tanto artificial. 

Seu confronto final contra o Fundador, no clímax do episódio (que ocorreu bem antes do final, gerando a incômoda e posterior sensação de anticlímax), foi bem executada. Foi uma boa luta, apesar da cara de dor de barriga de Robbie Amell, ator com sérias limitações artísticas, ao tentar simular a força mental que fazia ao tentar desligar a máquina telecineticamente. 

Até mesmo a dor pela segunda perda do pai que o personagem deveria sentir não foi convincente, fazendo o sacrifício de Roger ser quase em vão. Outro perigoso recurso utilizado, em termos de roteiro, foi o famoso deus ex machina, onde uma solução maior resolve todos os problemas, de certa forma invalidando certos caminhos tomados pelos escritores. Em Son Of Man, isso ocorreu quando Stephen volta no tempo para salvar Cara. 

John também teve o final de sua jornada prejudicada aqui. O relacionamento instantâneo com Astrid, apesar de levemente fofo, é totalmente artificial e repentino na tela. Não convence partindo do princípio que seria completamente impossível ele esquecer e superar Cara assim, da noite para o dia. Apesar disso, o personagem se despediu com um plot interessante: aparentemente sem memória, voltou a ser boy toy de Jedikiah em seus objetivos escusos e egoístas. 

O encerramento da jornada de Jed foi uma das poucas que me agradaram em Son Of Man. O personagem continua dúbio, fugindo no maniqueísmo padrão, alternando entre uma aparente bondade/sinceridade até culminar novamente em mentiras e manipulações. 

Cara finalizou sua trajetória também de forma mediana. A atriz deixou muito a desejar em cenas que exigiam uma maior carga dramática, permitindo a personagem se sobressair apenas nos quesitos ideologia (ela continua firme como líder em suas decisões) e figurino. Seu pequeno gancho foi, de certa maneira, interessante, quando ela diz se sentir diferente desde sua desconhecida “ressuscitação”. 

Russel, o cão arrependido, voltou a cair nas boas graças dos Seres do Amanhã. Só não entendi a necessidade de deixarem a bitch loira viva no final. Acredito que, no caso de haver uma segunda temporada, ela seria utilizada como líder de uma facção rival, o que também acho completamente desnecessário. 

Outra artificialidade do episódio foi a reunião de novos breakouts elegendo Stephen como pretenso líder. Figurantes pavorosos em cena, totalmente deslocados. Além disso, foi completamente absurdo os Seres do Amanhã escolherem as instalações da ULTRA como novo lar, afinal se trata de uma organização governamental financiada pelo Departamento de Defesa americano (!). 

Com mais baixos do que altos, Son Of Man encerrou a primeira (e talvez última e única) temporada de The Tomorrow People na maneira morna, anticlimática e muito aquém do esperado, deixando uma leve sensação amarga na boca. Na minha atual fase de desapego de séries medíocres, busco apenas programas que sejam capazes de me causar algum tipo de catarse e, para isso, tais programas devem ser de ótimos a excelentes, além de consistentes e coerentes. 

Afinal de contas, para trabalhar o dia inteiro para pagar os pesadíssimos impostos governamentais e ainda ter que dividir o pouquíssimo tempo livre entre assistir séries, filmes, jogar vídeo-game, ler livros e ainda por cima socializar, acaba sendo inevitável ter que cortar o que não é essencial e, nesse intento, decidi limar programas medianos de minha watchlist. Não dá mais tempo de assistir séries no piloto automático. 

No caso de haver uma segunda temporada, ainda concederei o privilégio da dúvida a TTP, e conferirei a Season Premiere. Se me agradar muito, continuo. Se não, é tchau e vida que segue. Assim mesmo, sem culpas, arrependimentos e a obsessiva necessidade de closure, de acompanhar tudo do início ao fim.

PS.: Para os que me acharam um pouco severo na análise dessa finale, um alento: ao qualificar individualmente cada episódio em um tracker (ou rede social) de séries, The Tomorrow People conseguiu alcançar a incrível média geral de 8,89 pela temporada completa. Até eu fiquei surpreso com essa nota, atribuída por mim, provando que a série começou muito bem, mas apresentou muitas inconsistências nesse quarto final.

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