Foi-se embora um hiato de quase dois meses e, com ele, todo o impacto de Hitting the Fan. O que ficou foi bom, mas sem nenhuma novidade.
The Good Wife redefine seu gênero e redefine sua redefinição, levando os dramas processuais a outra categoria. Porém, quando se trata de criar arcos de enredo, ela consegue ser extremamente repetitiva. Este ano, me arrisco dizer que ela está didática, inclusive, o que tira boa parte de seu elemento surpresa.
Todo ano nós temos algum personagem sendo investigado. Nas duas primeiras temporadas, mesmo infundadas, essas investigações traziam consequências graves para os personagens e ricas para a série. Na terceira, a suspensão de Will choveu mas não molhou. Na quarta, o julgamento de Eli não deu em nada. Nesta temporada nós temos a fraude eleitoral. Ela não é infundada, mas toda a imprevisibilidade que o quinto episódio trouxe foi embora e por isso não é improvável presumir que o mesmo tratamento será reservado às novas histórias. Esse é o modus operandi da série.
A previsibilidade e o didatismo estão no caso desta semana, que serviu para mostrar como os Florrick e Will escaparão da investigação liderada por Nelson Dubeck (Eric Bogosian), do Escritório de Integridade Pública — a construção paralela do título. Dubeck usou as escutas da NSA, conseguidas através de um mandado que nada tinha a ver com a sua investigação para começar a sua própria. O uso dessa manobra é bastante usual, inclusive na própria série: provavelmente, foi assim que Jeffrey Grant foi parado por um teste do bafômetro e em seguida preso por assassinato.
Enquanto isso, sua legalidade é objeto de polêmica, como bem mostra o artigo que Cary citou ex machina e o comportamento do AUSA Frank Asher (Jack Davenport), que pediu demissão. A visita que ele recebeu de Robin e Lester me fez pensar que talvez ele volte para depor contra a prática da construção paralela. Mas, como o caso DEA versus Lemond Bishop mostrou, não vai ser muito difícil resolver essa situação.
A partir disso eu me questiono se alguma consequência relevante e enriquecedora virá deste arco. Peter pode ter problemas com sua imagem mas nós sabemos que isso é contornável. Principalmente Jim Moody, o bom soldado, é o real culpado. Eli provavelmente ficará de coadjuvante nessa história, assim como Marilyn. Will corre riscos mais sérios, já que ele já foi suspenso e pode ser expulso da Ordem. Só que conhecendo a série, o meu medo de uma consequência vem mais dos boatos de Josh Charles não ter renovado seu contrato para uma nova temporada que da história em si.
As consequências para Alicia podem ser interessantes, mas, novamente, eu tenho minhas dúvidas de que a série siga um caminho drástico. Como Florrick/Agos depende praticamente exclusivamente de Alicia ser primeira-dama, sujeiras envolvendo o governador podem causar uma evasão de clientes mas essa crise pode muito bem ser como as crises da LG, vão e vem como a maré e logo tudo fica bem. É claro que a série pode nos surpreender, e nos estão prometendo um episódio explosivo daqui a dois domingos. Resta esperar e torcer.
Para encerrar, houve um eco nas histórias de Kalinda e Alicia neste episódio que me emocionou bastante. As duas são duas faces da mesma moeda. Elas se isolam, embora cada uma a sua maneira. Por isso é triste ver que a conversa de Alicia que foi gravada e que prejudicou Lemond Bishop foi de uma dela consigo mesma e Kalinda enganou-se como nunca imaginamos que se enganaria, justamente por enxergar em Cary alguém ardiloso como ela. Que isso seja um prenúncio de que a amizade das duas esteja próxima de se fortalecer novamente.
Em tempo:
– Onde está David Lee, Damian e sua amiga policial Jenna? Carey Zepps também sumiu.
– Será que veremos Jackie lidando com o escândalo de corrupção de seu filho? Isso me deixa curiosa.
– Alicia foi esnobada pelo juiz Kluger e eu não entendi muito bem o porquê. Palpites?
– Uma pena terem substituído um dos analistas da NSA. Cabras vão balir!
– O que dizer do thicky trick que The Good Wife nos pregou com aquele início parodiando uma série da AMC? Aliás, o fato de termos tido o DEA nesse episódio me faz pensar se o palavrão do título não é uma homenagem à Jesse Pinkman. O que acham?












