The Good Wife continua subvertendo seu gênero num episódio sublime de assistir e fácil de sentir e dando conta de diversos enredos ao mesmo tempo.

Pela primeira vez em algum tempo eu começo falando dos casos. The Good Wife sempre traz casos bacanas, mas eles sempre se perdiam no meio das reviravoltas nas vidas das personagens — pelo menos para a espectadora que vos fala. Mas tudo muda quando Jeffrey Grant (Hunter Parrish), filho de um cliente de médio porte da LG, é parado por uma suposta infração de trânsito e acaba sendo acusado de assassinato. Poderia ter sido só mais um processo judiciário se, no meio de um tio transgênero e um meio-irmão, Jeffrey não conseguisse nos deixar em dúvida e angustiados, ao mesmo tempo em que Will se sobressaia por se envolver nas tramas e nos dramas da ação contra seu cliente.

Geralmente nós vemos Alicia neste papel e isso faz com que simpatizemos mais pela personagem. Enquanto ela lidava com o dia a dia do cliente, Will e Diane passavam o episódio maquinando e aparecendo nas cenas de tribunais, “levando o crédito”. O que The Next Week fez foi inverter os lados e é incrível o quanto a inversão ajuda a enxergar as coisas com mais clareza e, portanto, enxergar a verdadeira face de Alicia.

Tanto isso é verdade que foi impossível não simpatizar e torcer a favor de Will quando ele, mostrando seu melhor lado, oferece conforto e a promessa de que não desistirá de Jeffrey. Estou curiosa pelo desfecho e adorei que tenham deixado em aberto, dá um novo fôlego para o lado processual da série. Foi bom também ver Will dar um tempo na sua vingança.

Em ICE, ICE, Baby, contudo, a artilharia de Will volta toda para a FAA e eu percebi esse jogo de roubar e retomar clientes entre a LG e FAA está prestes a me cansar. Mas isso foi apenas um solavanco num caso da semana bastante interessante, que poderia ter tido o mesmo ritmo mais lento do anterior. Toda a questão de como os Estados Unidos lidam com questões imigratórias, cedendo vistos em troca de testemunhos, foi bastante assustadora. Só que por causa do ritmo, o caso só serviu para alavancar uma história de crescimento para Robyn, que decide lutar pelo seu emprego após um conselho de Kalinda.

Aí reside outro ponto que me incomodou um pouco. Eu entendo que Zepps não é um dos sócios mais íntegros da FAA, mas enquanto semana passada ele ficou do lado de Alicia após o golpe sujo que ela recebeu da LG, nesta semana ele queria demitir Robyn, a única investigadora que eles tem/podem pagar. Tudo soou meio forçado, da mesma forma que a entrevista que Diane deu a Mandy.

Reiterando o que eu disse acerca da empatia que um simples caso da semana é capaz de gerar, reparem na diferença que há entre Alicia e Will nos dois episódios. Através dos casos, nós podemos vê-los colocando seus piores lados de lado.

Em The Next Week, Will lutava por Jeffrey e recebia mais um golpe ao receber as piores (ou melhores, depende do ponto de vista) notícias da boca de Owen: Alicia preferiu odiá-lo a amá-lo. Primeiramente, foi Owen que soube das últimas de sua irmã por Will. Bom enfatizar que Will foi um cavalheiro: não fez acusações ou especulações, nem tentou manchar a imagem de Alicia. In my opinion, ele demonstrou que apesar da raiva, ele ainda tem um certo cuidado e respeito por ela — e realmente ainda não sabia explicar o que motivou aquela atitude da ex-amiga/amante.

Dr. Cavanaugh, perspicaz como sempre, logo deduziu a verdade por trás desta bomba nuclear: Alicia fez o que fez por medo de deixar se levar pelos sentimentos que tem por Will, e, como Team Gardner que sempre foi, Owen tratou de esclarecer as coisas para Will (em um elevador, frise-se). Will ainda está machucado e ninguém pode culpá-lo disso. Será que o um dia ele será capaz de perdoar Alicia? Será que um dia Alicia vai querer seu perdão e algo mais?

Enquanto isso, Alicia vai à antiga firma e afronta física e verbalmente seus antigos colegas e, mais, os chantageia e, bem, gosta disso. Ela parece não se importar, pelo contrário, ela se diverte e deixa seu ego e ódio tomarem as rédeas. Mas ela acabou caindo do cavalo, afinal, ela não está lidando com advogados bobos. Nunca gostei de Anthony Wright Edelman e sua atitude e a da LG foram odiosas. Pelo menos a FAA ganha (pelo menos pontos comigo) com a saída de tal ser de seu quadro funcional. Já a LG fica com os meus pêsames, ainda mais agora que bem ou mal, FAA tem seu escritório.

Em ICE, ICE, Baby, enquanto Alicia lutava por um pro bono indo de tribunal em tribunal, Will estava de volta às suas maquinações, mostrando que estava ciente do jogo sujo que a LG fez com Alicia no episódio anterior. Eu não sei o que dizer sobre esses novos escritórios em Nova Iorque, mas eu não acho muito sadio um firma recém-saída da falência agir com tanta imprudência. Há também toda a questão de Isabel, que é de fato real, e suas perguntas sobre o relacionamento de Will com Alicia.

A pequena vitória de Alicia, seja no caso ou ao se sentar em sua nova cadeira, foi tratada de maneira mais pura e eu aplaudo os roteiristas terem dificultado bastante a vida da FAA. O momento em que Peter chega e os dois conversam foi interessante, principalmente sob a luz da cena em The Next Week em que Owen a confronta sobre a sua saída da LG. O que me assustou foi a estranha conversa entre Peter e Marilyn, sobre ela o fazer querer apertar todos os botões do elevador.

Por fim, talvez o grande destaque de ICE, ICE, Baby tenha sido a retomada do romance de Eli e Natalie Flores (America Ferrera) indo de encontro até a ética de Marylin, fazendo Peter chamar a atenção de Eli que, felizmente, não deixou o momento passar e, de última hora, cedeu aos encantos de Natalie. Mas o sentimento que ficou é que muita coisa aconteceu, mas foi um episódio mais fraco que os seus anteriores.

Em tempo:

– A única cena de Will e Alicia juntos nos dois episódios não teve falas e, ainda sim, disse muito. Falando neles, então podemos dizer que todo mundo sabia do caso deles e da paixão de Will? Ah, e Isabel não só é real, como também agora sente ciúmes.

– Clarke Hayden de volta, chamando Alicia e Cary de crianças e, ainda assim (ou por isso mesmo — e porque ele ama a Lei), se oferecendo para se alistar ao exército deles.

– Sobre a sextape da Grace: achei que trataram com negligência um assunto tão delicado. Ninguém que tem sua privacidade invadida assim sai ileso. Não sei se vão retomar a questão, mas para mim não bastou Zach dar uma de Peter ao defender a família, até porque os vídeos de Grace ainda tão por aí. Afinal, quando cai na rede, se perde o controle.  E eu sei que os vídeos de Grace estavam sendo feitos por um aluno da escola dela e de Zach, mas será que aquelas câmeras espiãs nos computadores da casa de Alicia seriam da NSA também?

– Os associados da FAA ganharam um pouco da minha simpatia ao tomar as dores da Alicia. Foi um momento bonitinho de lealdade.

– Lockhart/Gardner expandiu-se para Nova York e agora é chamado apenas de LG , mas LG já não é uma marca de eletrônicos? Tem que ver isso ai, Sr. Gardner.

– Muito bom ter um juiz que cita Bob Dylan, já ganhou minha simpatia: “Couldn’t help but make me feel ashamed…”. Completando o que foi cortado no episódio: “…to live in a land where justice is a game”. Perfeito.

– Depois desses dois episódios, está mais que provado que Howard Lyman é um problema, a questão é quando a LG vai resolver isso.

– Josh Charles (Will Gardner) dirigiu Ice, Ice, Baby, coincidentemente mais um episódio cheio de storylines escrito por Ted Humphrey, o roteirista do primeiro episódio dirigido por Josh, o The Art Of War da temporada passada.

– Houve uma mudança de última hora no título do oitavo episódio, que anteriormente se chamava The Next Month e fechava a “trilogia” com os títulos dos episódios 5.06 e 5.07. É daqui que vem o trocadilho do título novo, mas eu ainda prefiro o título anterior.

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