Encontrando a estabilidade em seu segundo episódio.
Poucas séries podem se gabar desse fenômeno, mas The Flash já está encontrando sua estabilidade logo no segundo episódio, Mesmo a trama ainda apresentada como um filler, apenas preparando o terreno e trabalhando para nos acostumarmos com esses personagens. Afinal, precisamos fazer de Central City nossa casa, de Barry e cia a nossa família e equipe. Somente quando você se preocupa com o bem estar de um personagem é que a série realmente faz alguma diferença para você.
Desenvolver relações é sempre o essencial para qualquer série que esteja se estabelecendo. Com Flash não poderia ser diferente e estamos encarando uma bela forma de dosar a participação de todos os indivíduos e sua relevância para a trama. Se no começo Caitlin estava um pouco irritante, vê-la sorrindo no final, sabendo de todos os problemas que passou, foi sim muito bom, esse senso de propósito que todos precisamos é o alvo. Assim como Cisco, que já curto muito e espero mais momentos com ele criando os melhores nomes para os vilões da semana. O que falar de Tom Cavanagh, então? O moço está sabendo dosar as porções de mistério e atração que sentimos pelo seu personagem, o indecifrável professor transpõe um misto de confiança e descrença tão grandes que eu ainda estou trabalhando minha guarda para com ele.
Mais do que trabalhar a relação entre os personagens, The Flash precisa fazer com que nós telespectadores nos preocupemos com essa equipe. Do que adianta semana após semana sermos conduzidos por situações de perigo e aflição, se não nos importamos com as consequências que podem ser vividas por eles? Nada, não é mesmo? E você consegue manter um relacionamento sério com Barry, Caitlin, Iris, Joe e Henry? Eu já me vejo apegado a pelo menos 3 deles.
Lembro que comentei durante minhas primeiras impressões do piloto vazado, que o Barry teria para si vários mentores e que ele precisaria aprender a lidar com cada um, de diferentes formas. Em ‘Fastest man alive’ tivemos as duas vias dessa estrada. Tanto Joe quanto Barry precisaram aprender juntos as diversas dificuldades em se estar fora do seu eixo e duvidando daquilo que se é capaz. É sim esperado que durante os próximos episódios Barry encontre as várias versões de pai que ele tem na série, um mentor profissional como Wells, dois pais com Henry e Joe, e até mesmo Oliver Queen, o primeiro herói que Barry conheceu e que irá sim acabar agindo como mestre, mesmo que somente pela interação dos dois no piloto.
Ainda estamos, porém, vivendo em fase de vilões pouco desenvolvidos. Enquanto os personagens principais forem o foco, e eles devem continuar sendo pelos próximos episódios, os casos da semana servirão apenas de auxilio para a construção desses personagens e a forma com que se relacionam, entre si e com o mundo. Não se assustem, The Flash terá sim um arco principal a ser desdobrado, as dicas da Crise, a existência do Wells, tudo isso irá em algum ponto encontrar o vento que precisa para alcançar mar aberto, por enquanto o cerne não é esse, e na minha opinião nem precisa ser.
O que me constrangeu um pouco no decorrer de ‘Fastest man alive’ foram alguns diálogos bem cafoninhas. E a atuação do Grant aparenta estar bem crua para as cenas que foram passadas. Seu ápice emocional soou falso e despreparado, de certa forma bom, mas não totalmente convincente. Isso deverá mudar, no final de contas, não somos apenas nós que estamos nos habituando a uma nova série e a um novo mundo. A aclimatação serve também para os atores e eu estou disposto a dar algumas chances, dei 10 anos de chances para o Tom Welling em Smallville e não me arrependi, não será Flash que já usa seu lindo uniforme vermelho que o fará.
Todos nós fomos atingidos por aquele raio”
E notem que interessante, a fala de Barry para sua equipe vai um pouco além do sentimentalismo. Com a promessa de que pelo menos um dos personagens do laboratório desenvolvam poderes futuros e se aliem aos vilões, ou mocinhos, a frase é sim uma espécie de augúrio para os tempos futuros desse universo.
Indo para a parte sentimental, a verdade também é bem nua e crua. Todo mundo foi afetado pelo raio e todos trabalharão juntos para que os efeitos desse desastre sejam, pelo menos, minimizados. Esse sentimento de propósito para a equipe também deverá ser melhor aprofundado nos futuro não muito distante. O que a série mais deverá fazer, como já dito, é pavimentar o caminho para a grandeza. Muitos ainda não perceberam, mas o sucesso de Flash irá mostrar para a CW e para a DC/Warner, o quanto eles ainda podem apostar nesse segmento. Já que estamos separados do DCCU, o universo integrado da DC comics, nada nos impede de uma verdadeira Liga da Justiça, ou Sociedade da Justiça aparecendo nas séries, com cada um de seus integrantes principais ganhando uma série própria. É Flash, com seus meta-humanos e casos da semana que irá traçar a linha do “até onde podemos chegar”, e o futuro é favorável.
E para falar um pouco do vilão, Multiplex, utilizado no episódio é saído dos quadrinhos. Nas HQs seus poderes são idênticos aos apresentados na série, só a origem que não é carregada de tantas sombras de bondade. Sendo que sua primeira aparição nos Novos 52 foi na Liga da Justiça e não na história isolada de algum herói principal. Vale lembrar que ele é integrante do esquadrão suicida, filme que a Warner já confirmou que irá fazer. E por falar nos filmes, toda e qualquer esperança que existia de que os personagens do universo da DC na TV fossem utilizados no cinema, vieram por terra quando confirmaram Ezra Miller como o Flash das telonas. Uma pena, mas já esperado e até anunciado. E vejo isso positivamente, teremos na TV tudo aquilo que o cinema não tem coragem de fazer.

Agora vamos entrar no ramo das especulações. Quem acompanha minhas reviews de Agents of S.H.I.E.L.D. sabe que de vez em quando eu acabo colocando algumas de minhas teorias dentro das reviews. Bom, se você não estiver interessado em saber, pule para o último parágrafo, nos próximos irei pontuar algumas coisas a respeito do professor Wells.
Durante uma fala no começo do episódio, o professor Wells diz para Barry que ele se tornou quase um pária, devido seu envolvimento com o acelerador de partículas que prejudicou tantas vidas em Central City. De acordo também com o jornal misterioso que Wells consulta no final do episódio anterior, fica bem claro que existem várias referências a chamada ‘Crise nas Infinitas Terras’, que eu expliquei superficialmente nos easter eggs do ‘Outras Primeiras Impressões’.
Mas então você me pergunta: Qual a relação entre as duas informações? Pois bem, meu jovem velocista, eu digo qual é: Pária é um personagem saído da chamada ‘Pré Crise’. Kell Mossa, seu nome verdadeiro, é de outra dimensão e um dos cientistas mais inteligentes de seu “mundo”. Em uma tentativa de testemunhar o início das eras, ele se tranca em uma câmara de antimatéria, mas tudo dá errado e ele acaba testemunhando o ‘Anti-Monitor’, uma criatura cujo único objetivo é destruir todos os universos existentes. Ajudado pela contraparte do Anti-Monitor, o Monitor, Kell Mossa recebe a alcunha de Pária e é julgado a andar por todas as dimensões (esse se torna seu poder), testemunhando os acontecimentos e mortes de vários, que ele julga ser por sua culpa.
Durante o evento ‘Crise nas Terras Infinitas’, Pária acaba ajudando vários heróis em diferentes dimensões em uma tentativa de destruir o Anti-Monitor. Tudo isso poderia significar que esse Wells que estamos encarando possa acabar se revelando o próprio Pária, só que com um pouco mais de pro atividade. A forma com que ele defende o Barry e a sua existência podem expressar realmente essa “ajuda” necessária a um evento grandioso que poderá ser responsável pela morte de bilhões de seres humanos. Tudo isso não passa de especulação vinda de uma pequena palavra solta durante o episódio, mas que convenhamos, até que tem algum sentido. Certo?
Passada especulação/teoria, concluo que: Para seu segundo episódio, Flash fez bem. Conseguiu segurar bastante a qualidade do seu piloto e acertou e muito por começar o desenvolvimento de seus personagens dando um tempo a mais para o vilão, oposto do que aconteceu com o Homem do Tempo. Ainda estamos, assim como Barry, descobrindo o significado da Speed Force, dos alcances do homem mais rápido do mundo e quantas pizzas ele consegue comer. Sem é claro perder nem um pouco do encanto e do brilho ao redor dessa série que entrou bem no rol das adaptações de quadrinhos da DC para essa nova era de poderosos na TV. Estou completamente confiante que coisas melhores virão e que a tendência é a lapidação de um roteiro bem simples, mas totalmente envolvente. E mal posso esperar pelo crossover com Arrow, que voltou chutando bundas em sua nova temporada.
Easter Eggs
– Além de ser centralizado no Multiplex, esse episódio também conta com Simon Stagg, personagem que nos quadrinhos é antagonista do Metamorpho. Rex Manson, também conhecido como Homem Elementar é um herói que pode se transformar em vários tipos de elementos. Algo que relaciona bem com a explicação da série em cima da adaptação, clonagem e crescimento de células.
– Durante o episódio tivemos várias citações ao número 52, referência obvia aos Novos 52, da DC comics.
– Esteira do tempo, nos quadrinhos o laboratório S.T.A.R. tem uma esteira que o Flash usa para suas viagens no tempo, chamada de esteira cósmica. Seria a que vimos neste segundo episódio um vislumbre dessa?
– A loja de armas roubada no começo do episódio, Hex’s, faz referência a um personagem da DC, Jonah Hex.
– Quando Stagg diz que o mascarado vermelho é quase um deus antigo, podemos conectar diretamente a outro Flash, Jay Garrick, que nos Novos 52 conseguiu seus poderes com o deus Mercúrio.















