Será que teremos uma temporada inteira centrada em Elizabeth?!
The Americans apresentou nesta semana mais um ótimo episódio, que seguia seu curso normal até o arrebatador final, com um tenso cliffhanger de fazer o telespectador se mexer na poltrona!
Já falei aqui antes que, em The Americans, pressa está longe de ser uma prioridade entre os roteiristas. Os episódios tomam seu devido tempo, assim como o desenvolvimento das tramas e dos respectivos personagens envolvidos em cada uma delas.
Há quem encontre nisso um grave problema de ritmo, deixando a série parada, monótona e entediante. Não é o meu caso. Acredito que o valor da história e dos personagens compense essa certa morosidade latente nesta série em específico, assim como em tantas outras. Vide o caso recente de True Detective, por exemplo, que sofria, aparentemente, do mesmo “problema” de ritmo, mas que o saldo final era sempre mais do que positivo simplesmente por termos tido a chance de acompanharmos aquela incrível história, assim como seus fantásticos e complexos personagens.
No final de tudo o que importa é a história, em conjunto com os personagens inerentes a ela, pelo menos em minha opinião. Esse é o fio condutor de meu julgamento e avaliação de qualquer produto cultural que eu venha a consumir.
Em A Little Night Music pudemos ver novamente Elizabeth brilhar e crescer ainda mais como personagem. Keri Russell continua espetacular em transmitir as emoções da personagem para o telespectador através apenas de seu rosto e como é bom poder testemunhar isso na tela semanalmente!
A sequência onde ela hesita em fazer sexo com seu alvo é simplesmente sensacional, pois conseguiu me deixar na dúvida se aquilo fazia parte da jogada ou se era um genuíno sentimento dela, já que, se vocês se recordam, ela já fez coisa muito “pior” (sem juízo de valores aqui, por favor) nesse campo, como o threesome com Leanne na premiere dessa temporada.
Mas logo depois tivemos a confirmação de que não era encenação e Liz continua sentindo um medo crescente desde a chacina no hotel. Medo esse que vem abalando seu desempenho em campo, apesar da mesma afirmar o contrário para Claudia. O retorno de Claudia, aliás, foi muito bem vindo, pois sempre é bom poder acompanhar o embate, sempre antagônico, das duas personagens em tela.
Philip tem tido bem menos destaque que a esposa na história. Ainda assim o personagem contribui e muito para o desenvolvimento da história. Suas cenas com Stan e Martha estão longe de serem gratuitas e aleatórias, e certamente conferem o devido grau de importância à história. A interação de “amigo” com Stan continua fantástica e a briga com Martha certamente tem um objetivo, mas que certamente pode lhe render problemas quando ela se declarar casada para o FBI.
Paige, como previsto, começou a se comportar como uma típica adolescente, contrariando e preocupando os pais espiões. É curiosa, irônica e engraçada a preocupação de seus pais (especialmente da mãe) com o seu envolvimento com o grupo de jovens cristãos. Mas é evidente que o real motivo de tanta inquietação é a mudança de valores e principalmente de ideologia que esse novo grupo social pode provocar em sua amada, vulnerável, maleável, suscetível e impressionável filha.
As coisas na embaixada russa continuam monótonas e andando em círculos. Mas pelo menos a cena entre Nina e o novo funcionário rendeu um bom diálogo, com ela demonstrando personalidade e atitude.
Como eu disse logo no começo desse texto, as coisas corriam normalmente no episódio, o que já é deveras bom. De repente, perto de sua conclusão, tivemos a cena do sequestro, que garantiu a dose certa de suspense e tensão presente em todo capitulo de The Americans. A princípio, eu achava que a empreitada daria certo. Mas não, Elizabeth e Philip são surpreendidos pelo outro grupo que já estava de olho no mesmo alvo. Que excelente cliffhanger! Eles perderam o alvo, mas ao menos restou um atacante para extrair informações no próximo episódio.
Em A Little Night Music Elizabeth pode ser confirmada como o foco principal dos roteiristas nessa temporada, pelo menos em seu princípio. É uma constatação boa, pois a personagem é fantasticamente complexa, cheia de camadas a serem desenvolvidas, embora eu ainda aguarde futuramente por um maior destaque de Philip, o outro personagem protagonista da série. Isso só vem a provar, mais uma vez, que por trás de todo homem há sempre uma grande mulher!














