Autopreservação versus preservação coletiva num dos melhores episódios de todos os tempos de Survivor.

Que Kaôh Rōng foi uma temporada subestimada por grande parte do público e vem surpreendendo a cada episódio, todo mundo já sabe, mas “It’s Psychological Warfare” a leva a um outro patamar. Foi simplesmente um dos melhores episódios da história do reality e o nível estratégico, que não vinha sendo tão alto, foi o melhor de tudo. Foram 42 minutos e 39 segundos de pura estratégia, reviravoltas e muita emoção. Poucas vezes em Survivor os dois lados opostos se destacaram tanto estrategicamente numa verdadeira guerra de ataque e contra-ataque. A temporada, que já estava boa, subiu tanto de nível que eu lembro mais quem é Caleb, Liz ou Alecia. Ao longo do episódio, muitas mudanças de rumo foram feitas e o destino final desta viagem ninguém faz ideia de onde será.

Além da falta de hype vinda de Jeff Probst, que deveria ser interpretada como um bom sinal, afinal Cagayan também não teve hype nenhum e Worlds Apart teve, o fato da temporada ter sido filmada antes de Second Chance e exibida depois deixou a impressão de que as coisas não haviam funcionado muito bem e que os produtores precisaram colocar uma temporada bombástica no meio de duas mais ou menos. A divulgação toda voltada para as evacuações também fez parecer que tudo havia dado errado e a temporada até ganhou o apelido de Survivor: What Can Wrong.

Com o mesmo tipo de raciocínio, muitos pensaram que a twist do Super Idol não daria em nada e não teria grande impacto, uma vez que a produção escolheu não repeti-la em Second Chance, optando na novidade de esconder os idols nos challenges, que também foi muito legal. Não poderíamos estar mais enganados e a twist do Super Idol funcionou extremamente bem, chegando a me deixar maluco com as possibilidades de acontecimentos no Tribal Council enquanto tento escrever esta review. Muitos podem torcer o nariz para o “sucesso” de Jason e Scot no episódio, mas eu vou na direção contrária e vejo tudo o que aconteceu como um verdadeiro show televisivo. Na minha opinião, o Super Idol, assim como a twist dos outcasts, não deve ser incorporado a todas as temporadas e pode ser um elemento a ser adicionado de vez em quando.

Antes de dissecar os acontecimentos (maravilhosos) deste episódio, gostaria de reiterar algo que sempre afirmei. Para julgar o desempenho dos participantes, precisamos colocar as coisas em perspectiva e tentar se colocar na posição de cada um deles sem julgamentos precipitados, principalmente porque a gente, enquanto expectador, tem uma visão privilegiada do todo, que os participantes nem sonham em ter. Assim, se eu encontro dificuldades em verificar qual seria a melhor estratégia para cada um neste episódio, imagina estar na pele deles, completamente sem informações do que acontece na sua ausência e com a paranoia subindo a cada segundo. A gente, muitas vezes, adora gritar para todo mundo ouvir o quanto um participante foi burro (ao dividir os votos ou não por exemplo), mas precisamos ter a noção de que a nossa visão é um tanto quanto viciada pela quantidade de informação que temos e induzida pela edição, que escolhe as informações que dá ao público com o objetivo de fazer um reality melhor e mais empolgante.

Começando o episódio, logo tivemos a nada positiva reação de Jason e Scot à eliminação inesperada de Nick. Eu adoro quando um participante resolve sabotar a própria tribo e me diverti muito com as presepadas da dupla. Entretanto, temos que imaginar o que de bom estas atitudes são capazes de fazer em favor de Jason e Scot. Será mesmo que uma das mulheres iria ceder à pressão e desistir por falta de um facão ou de um machado ou por uma fogueira apagada? Tentar destruir as mulheres, principalmente de forma deliberada, me parece algo muito mais capaz de destruir as possibilidades da dupla ir longe do que fazer um bem de verdade. O que toda aliança precisa é de um inimigo e ao fazer tudo isto, Jason e Scot dão para as mulheres alguém para odiar, possivelmente, fortalecendo a aliança feminina. Ao tentar encarnar Russel Hantz, alguém que nem deveria ser um grande exemplo para ninguém, Jason acaba se comportando mais como Brandon Hantz ou até mesmo J’Tia. Um resultado ainda pior que a encomenda. O lado positivo, se é que isto realmente é positivo, seria dizer que as ações dos dois os fizeram pessoas perfeitas para se arrastar para a final, pensando nos votos do júri, mas alguém realmente está jogando para chegar na final e não vencer? Vou argumentar mais para frente que os dois não perderiam necessariamente de todos os outros participantes, mas mesmo assim não consigo entender a lógica dos atos e penso que é um tiro muito longo e inviável. O melhor a fazer, ao meu ver, seria parabenizar Michele, Julia e Cydney pelo blindside e tentar reforçar o quanto foi sábio tirar Nick, atribuindo ao eliminado os piores adjetivos do mundo e, assim, tentando reconstruir a aliança. Inclusive, com a exceção de Cydney, acredito que Michele e Julia estariam dispostas a aceitar a aliança e isto já lhes daria de volta a maioria numérica.

O que ainda me deixou mais frustrado com os dois foi o quão fácil eles caíram na mentira de Tai, que votou em Jason no Tribal Council anterior (sem um motivo aparente), mente extremamente mal e mesmo saiu ileso da situação. Algo está errado com a habilidade matemática deste povo e, pelo menos, não vimos eles nem cogitar a possibilidade de Tai ter votado em Jason ou Nick. Pensando no ponto de vista de Tai, mentir foi realmente a melhor opção e como não vimos nenhuma das mulheres tentando a sua lealdade (por enquanto), não temos como condená-lo por permanecer num primeiro momento com eles.

Entretanto, logo que ele manteve a sua postura depois do incidente da água no fogo, eu mudei a minha opinião. Tai se apresenta como uma pessoa boa, que ama todas as criaturas vivas e que luta para manter a sua galinha viva (já quero a aliança das galinhas entre Tai e Kimmi um dia). Assim, ao ser conivente com este tipo de atitude Tai corre um sério risco de ser percebido como um grande hipócrita e, na minha humilde opinião, isto poderia fazê-lo ser derrotado até mesmo por Jason e Scot, principalmente porque o seu jogo é péssimo e ele não faz a mínima ideia do que está fazendo lá. Em Caramoan, por exemplo, Dawn e Cochran fizeram as mesmas jogadas, traíram as pessoa, mas Dawn recebeu o ódio do júri e Cochran recebeu as glórias, o que claramente está relacionado à distância entre o discurso de cada um e o jogo apresentado pela dupla.

A coisa fica ainda pior quando Tai resolve imitar os seus colegas de aliança, apagando o fogo no meio da madrugada, o que faz dele uma pessoa sem personalidade própria e que é manipulado por aqueles que estão ao seu redor. A atitude compromete, inclusive, o título de fan favorite de Tai, que deve ter caído muito no conceito do público. Apesar de reprovar as atitudes partindo do ponto de vista estratégico, na minha opinião, Tai é um participante incrível e as suas surpreendentes atitudes só aumentam a qualidade dele enquanto personagem. Como é bom ver um alguém tão complexo cheio de camadas num mero reality show.

De Tai para Julia, fiquei muito feliz de vê-la saindo da asa de outros participantes e tentando ser a agente do próprio destino. Ela claramente não se infiltrou tão bem na aliança feminina quanto Michele e a longo prazo permanecer no mesmo lugar a levaria à necessidade de fazer algo, principalmente para quebrar a aliança de Aubry, Debbie e Joe, que se recusa a trair qualquer Brain. Entretanto, fico um pouco na dúvida se ela não está sendo manipulada por Jason e Scot e isto se intensificou quando vi alguns confessionais que não entraram no episódio em que ela insiste em dizer que os dois são ótimas pessoas apesar do que fizeram. Assim, fiquei na dúvida se as suas atitudes são realmente motivadas pela estratégia ou se ela só quer permanecer com quem gosta mais mesmo. Ao fazer jogo duplo, contar os planos das mulheres para Jason e Scot e possivelmente levá-los até a final, o que foi apresentado como o plano da garota, Julia corre o risco de ser ainda mais odiada pelo júri do que eles e ainda ser interpretada como a menina ingênua que ressuscitou dois jogadores ferozes lhes entregando o prêmio de mão beijada. A mulher que devolve o poder para os homens pode ter uma conotação extremamente negativa.

Entretanto, a principal falha na jogada de Julia foi a falta de sutileza ao tentar fazer o jogo duplo antes de concretizar um possível flip. O ideal é que isso seja feito bem nos bastidores, algo que Spencer conseguiu fazer melhor em Second Chance por exemplo. Assim que ela escolheu ir com os homens no reward challenge, Cydney e Aubry logo perceberam as suas intenções e rapidamente passaram a tratá-la como inimiga. Historicamente, ficar no meio nunca é boa opção tanto para aqueles que se mostram indecisos como Christy em Amazon quanto para aqueles que tentam se beneficiar da posição como Lisa e Skupin, em Philippines, ou Jon e Jaclyn em San Juan Del Sur. Num jogo em que confiança é praticamente tudo, aqueles que ficam no meio não conquistam a confiança de ninguém ou ainda podem ser julgados ferozmente pelo júri pelas suas constantes oscilações no jogo. Isto já aconteceu para Julia e ela provavelmente seria a eliminada caso não tivesse vencido um challenge tão difícil e emocionante. Para mim, ao contar os planos de Debbie de dividir os votos entre Scot e Tai, Julia escolheu ir com os homens, mas isso pode ter mudado com a iniciativa de Aubry de se livrar da sua aliada mais próxima ou pode mudar em seguida. Não vejo uma definição tão grande por parte dela. De qualquer jeito, a alternativa de votar em Debbie deu uma sobrevida aos dias de jogo duplo de Julia, que não se posicionou de nenhum lado e não prejudicou nenhuma aliança ainda.

Ao ver seus planos de tirar Julia do jogo e se livrar de alguns possíveis idols arruinados, Cydney e Aubry se viram numa posição difícil em que não tinham uma escolha realmente segura. A opção mais viável num primeiro momento parecia dividir os votos entre Tai e Scot ou Jason, mas com Julia consagrando a frase de Tasha em Second Chance “We Got a Rat”, a coisa ficou muito complicada. Na melhor das hipóteses, Julia poderia contar o plano de divisão dos votos para os homens, o que ela fez, assim fazendo eles usarem os dois idols e mandarem Cydney para a Ponderosa. Esta opção poderia ser viável, trazendo a vantagem para Julia de enfraquecer os dois lados, mas isto não nutriria confiança em nenhum deles se caso ela fosse descoberta. Na pior das hipóteses, Julia votaria com os homens e além de eliminar Cydney ainda faria os dois idols continuarem no poder deles.

Diante deste difícil impasse, Cydney e Aubry optaram pela autopreservação com uma jogada no mínimo ousada, que nos leva a grande questão: é melhor se garantir vivo no jogo ou arriscar mantendo os seus aliados? Na minha visão, a análise precisa ser feita pensando no caso concreto. Quando há, por exemplo, a possibilidade de se arriscar nas pedras, eu normalmente diria que o participante deve permanecer com a sua aliança caso a probabilidade de alguém da aliança inimiga sair não seja muito desfavorável. Entretanto, aqui é muito difícil dizer, porque elas não tinham como saber se eles iriam usar os idols separadamente, se iriam usá-los combinadamente depois da revelação dos votos, se Julia iria flipar ou se somente contou os planos de divisão de votos para os homens. Para a piorar, se a questão do Super Idol é tão nebulosa para a gente, que sabe da sua existência por fontes oficiais do reality mas não tem acesso a todas as regras, imagina para elas, que na melhor das hipóteses sabiam parte da história e ainda por versões de adversários no jogo. Assim, a minha impressão, partindo das informações que temos com base no que foi mostrado e um pouco do que Debbie declarou em entrevistas (não é muito confiável obviamente), é que elas fizeram bem. Arriscar poderia significar a eliminação de qualquer uma delas e existia a possibilidade deles desperdiçarem os idols. Antes Debbie do que eu é um raciocínio muito coerente e pode levar uma das duas à vitória ou à derrota. Não existe necessariamente uma decisão certa e uma errada e neste caso ser pragmático faz sentido.

O Super Idol, principalmente este que na verdade são dois e podem ser usados separadamente também, complica muito a dinâmica do jogo. Palmas para os idealizadores e vaias para aqueles que estão odiando apenas porque torcem contra Jason e Scot. A verdade é que o Super Idol colocou fogo no jogo, que está muito mais interessante do que se a aliança feminina eliminasse os homens um a um. Inclusive, está liberado torcer por homens também. Alianças femininas são muitas vezes ótimas, mas o reality vem apresentando bons participantes de ambos os sexos.

Agora precisamos analisar como Jason lidou com a twist e se aproveitou de cada detalhe dela. Sua performance no Tribal Council foi simplesmente genial, teatral ao extremo e, para mim, ele finalmente conseguiu o que queria, se consagrar como um vilão marcante de Survivor. Jason não quis dar um blindside, não quis ser sutil ou tentar respeitar as pessoas que num futuro próximo poderão decidir se ele leva um milhão ou não. Jason quis deixar as mulheres tontas com as possibilidades (e conseguiu), causando caos no Tribal Council de uma maneira que fez inveja até mesmo a Chaos Kass. Não canso de rever o momento da revelação e achei simplesmente genial a sugestão de usar os idols numa verdadeira roleta russa, em que um deles, pela sorte, ficaria desprotegido. Foram poucas vezes que alguém usou tão bem a vantagem de ter idols em sua posse sem ter que de fato usá-los, mesmo que a gente esteja ciente que o Super Idol facilitou um pouco as coisas.

Jason corria o risco de ter que usar o Super Idol para salvar apenas um deles e ver o outro votado sendo eliminado, mas o seu teatro tinha o poder de confundir as mulheres e fazê-las entrar em parafuso. Jason ainda tinha em seu favor a possibilidade de Julia flipar, o que facilitou a decisão de não usá-los separadamente e esperar pelos votos. Se trata também de uma decisão de autopreservação versus preservação do grupo, uma vez que Jason poderia usar o seu idol pensando apenas em se salvar ou possivelmente cair num dilema em que ele e Tai teriam que decidir quem seria o eliminado e quem continuaria no jogo. Está aí mais uma dificuldade que o Super Idol impõe. Quando ele é dividido por duas pessoas, não tem como garantir que ele será usado. Se as mulheres tivessem dividido os votos, digamos que no revote elas optassem por eliminar Tai, colocando 3 votos em Tai e 2 em Jason para ele ser a segunda opção de eliminação no caso de utilização do Super Idol. Neste cenário, um dos dois homens seria eliminado de qualquer forma, mas Jason poderia dizer para Tai “você já está eliminado de qualquer jeito, então deixa o seu idol comigo para eu tirar estas mulheres em seguida”. Assim, apesar de um homem sair, não teria como ter certeza que o Super Idol não continuaria infernizando as mulheres na semana seguinte.

Nós não temos como ter certeza que esta teoria é válida, simplesmente, porque não sei ao certo as regras exatas do Super Idol. Os dois idols precisam estar com a mesma pessoa antes da votação como fez Jason? Tai poderia simplesmente recusar de usá-los caso Jason fosse o mais votado? E se alguém tem apenas um idol e é o mais votado, a pessoa pode pedir para alguém lhe dar mais um para continuar no jogo? E ao ser eliminado, Tai pode deliberadamente dar o seu idol para Jason continuar com dois a seguir? E Tai pode se recusar a devolver o idol para Jason? Não tenho certeza de nada disto e por isso é tão difícil decidir quem fez a melhor jogada neste episódio. Sobe a última questão, acredito que Tai pode sim se recusar a devolver o idol, uma vez que Jason disse exatamente “I’m giving my idol to Tai”, manifestando claramente a vontade (estudante de direito pedante feelings) de dar o idol para o vietnamita.

Para falar de Debbie, ela começou como a grande personagem da temporada e em alguns momentos parecia até a grande jogadora. Entretanto, com o crescimento dos demais, Debbie acabou sendo mais uma ótima participante e não mais a salvação de Kaôh Rōng. Não tenho dúvidas de que ela estará de volta em breve e tenho certeza de que ela ainda nos divertirá muito. Entretanto, Debbie se mostrou tão cheia de si mesmo quanto Nick e chega a ser irônico ela ter votado nele na semana passada dizendo: “Over confidence is a weekness”. Debbie estava se sentido mais confortável do que deveria e insistiu em confiar nas suas “habilidades” ao invés de ser mais racional e cautelosa. Os dois grandes exemplos são a sua tentativa de conseguir uma aliança com Tai e a sua cegueira quanto ao jogo duplo de Julia. Nem sei até que ponto a falta de noção de Debbie pesou na decisão de Aubry e Cydney, acho que foi apenas para se salvar mesmo, mas não tem como dizer que Debbie tinha sim o potencial para destruir o jogo de qualquer um. Deixará saudades, mas já está maravilhosa na Ponderosa. Lembrando que ela pode colocar em seu currículo “part time queen of Kaôh Rōng”.

Depois de um episódio como este, quem sabe o que irá acontecer ou até quando as mulheres serão reféns do Super Idol? De qualquer forma, tivemos um episódio espetacular, o melhor em muitos anos e eu chego até a compará-lo com o episódio da merge de Heroes Vs. Villains, entendido por muitos como o melhor de todos os tempos.

Agora, vamos para o mais difícil ranking já visto neste país.

Ranking da Semana

1- Aubry. Coloco Aubry em primeiro basicamente porque a edição deixa tudo muito bem explicadinho quanto a sua linha de raciocínio, que é muito lógica e coerente, apesar de ser arriscada e polêmica quanto a sua efetividade. Quero deixar claro que, na verdade, não vejo superioridade no jogo de ninguém e apenas uma inferioridade nos jogos de Joe e Tai. O jogo continua acirrado e aberto. Aubry não está numa posição excelente e pode sim pagar por se livrar da mais leal aliada, tanto a curto prazo quanto na hora dos votos do júri. Entretanto, preciso escolher alguém para ficar no topo e escolho Aubry muito por eliminação, pelo que direi sobre os outros candidatos a primeiro lugar. Para falar um pouco dos pontos positivos, Aubry leu rapidamente a jogada de Julia, traçou um bom plano de contra-ataque, viu tudo despedaçar na sua frente e foi, conjuntamente com Cydney, criativa ao bolar um plano que garantiria a permanência de ambas. Vejo a história construída pela edição para Aubry um pouco parecida com a de Spencer em Cagayan, em que ela tomas as decisões lógicas, mas uma espécie de maré de azar acaba destruindo tudo quando ela mais acredita que finalmente se colocará numa posição boa. Me identifico.

2- Cydney. Tudo o que Aubry fez, Cydney também fez, inclusive perceber rapidamente as intensões de Julia. A jogada arriscada traz menos efeitos negativos para Cydeney, uma vez que Debbie não era tão próxima a ela, que parece ter construído uma sólida aliança com Michele e não é uma Brawn perdida entre Brains e Beauties. Num primeiro momento, estive inclinado a colocar Cydney no topo, mas vejo grandes possibilidades dela ser a próxima eliminada. Jason e Scot tratam-na como inimiga número 1 e a edição insiste em retratar o seu Big Move do episódio anterior como “blow up the entire game”. O que não me parece algo tão positivo. Não é porque ela seria a eliminada que a jogada é acertada para ela e errada para Aubry, temos que lembrar que elas não sabiam quem seria a escolhida pelos homens. Cydnão é a minha favorita, primeiro porque foi quem ascendeu o fósforo da temporada e vem jogando bem agressivamente e inteligentemente. Em segundo lugar, as caras e bocas dela são impagáveis e adoro como ela confronta os homens com força e deboche. Já quero ela de volta.

3- Michele. Não vou manter Michele no topo simplesmente porque a edição dela é boa e faz questão de ressaltar que ela é uma mulher forte, que se vira bem sozinha e que não tolera bullying, enquanto parecia Cydney e não ela desenvolvendo um método novo de abrir cocos sem a utilização do facão ou do machado. Existe um esforço grande da edição de dar espaço e fazer Michele parecer bem na foto, mas este é apenas um dos critérios que eu uso para ranquear e o jogo tem muito mais peso. Assim, ela continua sendo uma forte candidata a vitória, mas seu jogo é muito under the radar e eu não consigo defender muito ela. Michele não fez nada de grandioso até agora, vem seguindo suas aliadas normalmente e não exerce grande influência sobre Julia e Tai. Tem gente que nem lembra quem é ela. Amiga, melhore. Nunca te pedi nada.

4- Jason. Não sei o que fazer com Jason neste ranking. Isto é um fato. Ele tem grandes acertos e grandes erros neste episódio e na temporada como um todo. Coloco ele em quarto porque ele exerce um protagonismo muito maior que todos os que estão abaixo. Preciso dizer que sai da zona do ódio e estou amando Jason. Eu adoro um vilão, principalmente quando ele é capaz de fazer algumas coisas inteligentes. Russel Hantz continua sendo uma péssima referência no seu jogo e penso que ele teria que ir com Tai e Scot para ter chances de vencer. Não consigo pensar que Jason foi burro porque “deu” o idol para Tai, mas precisaria ter mais certeza em relações às regras do Super Idol antes de ter convicção nesta afirmação. A chance de Tai pegar o idol para si existe, mas é remota. Se algo do tipo acontecer, Jason seria também um grande candidato a próximo eliminado.

5- Julinha. Está tentando provar que não é uma garotinha manipulável e que não está a passeio em Survivor. Julia mostra alguma maturidade que outros participantes da sua idade nunca foram capazes, mas me parece um pouco iludida com um caminho fácil até o prêmio e não me agrada a maneira como ela fica descaradamente entre as duas alianças. Uma lobinha fofinha em pele de cordeiro. Uma novinha que consegue o seu espaço na temporada.

6- Scot. Não há jogo sólido e mãe doente que faça Scot se redimir do que fez na frente de todo mundo. Todos sabem que ele e Jason estão sabotando a tribo, mas quando Scot faz isto na frente de todos ele adiciona a sua imagem uma certa brutalidade e arbitrariedade muito negativa. Eu ficaria, inclusive, com medo do brutamontes que está apagando o fogo. Eles fizeram o jogo se tornar extremamente pessoal e acho que num F2 entre eles, Jason levaria a melhor facilmente.

7- Tai. Se a gente partir do princípio que Tai ganhou um idol no Tribal Council e pode ficar com ele, usando o Super Idol apenas para si mesmo, talvez alguém diga que ele foi o melhor do episódio. Entretanto, como já fundamentei durante a review, Tai é um péssimo jogador e alisar a galinha e apagar o fogo na madrugada são comportamentos muito distintos e incoerentes entre si. Assim, Tai começou a dar passos mais largos na direção de ser o goat que será arrastado por muito tempo. A preview sugeriu que ele pode se arrepender dos atos e escapar da aliança com Jason e Scot. Vejo esta possibilidade como a mais provável e Aubry como a pessoa certa para tentar acontecer, uma vez que é uma espécie de underdog, a mocinha nerd de um filme adolescente da Sessão da Tarde. Fiquei até surpreso que ninguém atacou a sua consciência já neste episódio.

8- Joe. É um cara emburrado, quadrado e leal acima de tudo. Flexibilidade é fundamental em Survivor e Joe não tem nenhuma. Keith Nale sem carisma.

PS.: Não tenho certeza do que estou falando, mas fiquei com a impressão de que Nick e Neal estavam torcendo pelos homens neste Tribal Council.

PS2: “Você viu quem está traindo o marido com o porteiro?”

PS3: “Survivor é tipo No Limite”

FS4: Sobre a chance de ter Sandra de volta em Survivor

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