Se existisse a Pied Piper, não haveria a crise da Internet Ilimitada no Brasil.

Está de volta uma das melhores comédias (se não a melhor) da atualidade e não poderia ter retornado num momento mais propício, para nós brasileiros, que não paramos de falar em franquia de dados e em internet ilimitada nestas últimas semanas.

Mas, o que a fictícia startup Pied Piper ter a ver com isso? A empresa provê um serviço de compactação de arquivos inimaginável, que supera a surpreendente marca de 5.2 na escala Weissman Score (essa escala era fictícia-embrionária no finale da primeira temporada, mas se tornou uma métrica real no ano passado). Em termos práticos, a compactação chega a 82% sem nenhuma perda de qualidade e isso, seria mais do que suficiente para que mais de 99% dos usuários de internet no Brasil, não fossem afetados com uma temível franquia de 100 a 200 gigabytes de dados.

Por essas e por outras, que Richard tem todo o direto de ser egocêntrico, centralizador e, muitas vezes, arrogante sobre o futuro da startup que se sustenta 100% com base no algoritmo que ele criou completamente sozinho. E só quem passa as madrugadas em frente a um editor preto com letras coloridas sabe o que isso significa… O Pied Piper é o filho de Richard!

Somente por isso, a atitude de sua negação quanto à perda do cargo de CEO da sua própria empresa se justifica. Apesar da oportunidade comercial-financeira inegável que a contratação do novo Diretor traz, de manter o percentual original da Flautista e a sua cadeira no Board (poder votar), o Sr. Hendrick passa o episódio lamuriando o infortúnio de ter sido rebaixado para CTO e buscando alternativas para seu futuro profissional (nem que seja ser CTO de outra empresa).

A busca por novas oportunidades resulta em mais um cutucão ao SnapChat. Recordando, na première da segunda temporada, no discurso do falecimento do Peter, já houve uma menção (des)honrosa ao app e agora, novamente, a galhofa sobre os recursos de se “maquiar” (com um bigode, por exemplo) vem à tona. Pessoalmente acho muito justo, porque considero ininteligível o crescimento do aplicativo (mas já aceitei que isso é culpa da idade).

Já era esperado que Richard cedesse a pressão da Raviga e aceitasse a nomeação de Jack Barker (Stephen Tobolowsky, Diretor do Colégio em The Goldbergs), mas esta jornada serviu para reposicionar todo o elenco secundário: o advogado Ron (com trajes de ciclista), convenientemente, se posicionou no lado de Laurie, imediatamente depois que Richard ameaçou processar a Pied Piper. Não podendo contar com o auxílio jurídico deste, ele recorre a Pete, para analisar o contrato com a Flutterbeam (startup dos bigodes), mas este já está preso novamente por violar a condicional, com álcool, drogas e baixarias. Mas, no final, é ele que mostra para Richard o quão sem sentido é abandonar a empresa que criou para ter o mesmo cargo em outra; ainda mais com um produto tão ridículo. Enfim, Hendricks se encontra com o Barker, que gentilmente aceita recusar o cargo, uma vez que o fundador estaria abandonando o projeto. Com essa atitute calma e acalentadora, Action Barker conquista Richard que volta atrás (literalmente).

Com a Pied Piper sendo avaliada de 5 a 50 milhões de dólares, um produto inigualável, um Diretor de Tecnologia genial e um CEO experiente, com uma bagagem de muitos sucessos, este seria o momento da transformação da startup numa potência do Vale do Silício. Porém, como estamos lidando com uma série de humor, prevejo que o ego de Richard vai emperrar esse processo e a longevidade dessa estrutura não deve durar muito.

E qual seria a solução seguinte? Big Head. O desenvolvedor mais sortudo da California acaba de embolsar 20 milhões de dólares da Hooli e, pela sua expressão facial, parece nem fazer ideia do que representa esse montante de dinheiro e tenho certeza que será o Salvador da Pátria dos Flautistas, quando tudo mais der errado.

Quanto à mega empresa de Gavin Belson, o enlace foi muito bem construído, porém, eu fiquei com uma sensação de despedida. Com o projeto Nucleous descontinuado e a demissão de Big Head, a Hooli perdeu completamente a ligação com a trama central. Acredito que, infelizmente, veremos muito pouco da “Google de SV” nesta temporada.

E, por fim, mas não menos importante, fica difícil eleger quem voltou melhor da equipe inicial. Jared e o seu fanatismo por Richard é muito justo (aquela caixa, com as propostas organizadas de outras startups, lembrou-me muito da Leslie, de Parks and Recreation), talvez só ele entenda a genialidade do chefe. Dinesh e Gilfoyle (sim, eles sempre têm que ser tratados como um só) mataram a pau com o RIGBY (Richards Is Good But You-Know) e a dificuldade de que tiveram em encontrar motivos para falar mal de Richards e, no final, tiveram a decepção ao saber que nenhum dos dois teriam competência para lidar com o código encapsulado da startup.

Mas, para mim, o destaque mesmo, vai para Erlich. Depois das críticas (merecidas) que T. J. Miller sofreu como host do Critics Choices Awards, nada melhor do que vê-lo como o escroto, egoísta e narcisista dona da incubadora. A primeira cena em Richard diz “Eu fui demitido” e ele pergunta sem pensar “E eu?” diz tudo sobre o personagem. E, daí pra frente, só melhora. Chutando bambis-robôs, escrotizando velhinhos e se encantando quando alguém reconhece a Aviato. Este é o Erlich que eu quero para a temporada toda.

Enfim, a única ausência nesta première, foi Jian Yang, mas certamente tem algo especial para ele nos próximos episódios.

Até semana que vem.

PS: eu acredito que em algum momento, a Monica e o Richard vão ser um casal, mas espero que demore muito para isso acontecer.

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Alexandre Bonfá
Apaixonado por HQ´s há mais de 30 anos, eu me sinto realizado com essa avalanche de séries de Quadrinhos da atualidade. Tá achando pouco? Ano que vem vai ter o dobro!