Mais do mesmo.

Histórias de personagens principais que tem o sucesso profissional inversamente proporcional ao resto da sua vida já extrapolou o limite no mundo televisivo. Posso ficar horas citando personagens desse tipo, independente se é comédia ou drama, homem ou mulher, 5 a cada 10 séries que estreiam tem essa premissa inicial. Aí eu me pergunto, será que é mesmo uma boa aposta essa nova empreitada da Debra Messing e seu canal predileto, NBC?

Laura (Debra Messing) é uma detetive na polícia de Nova Iorque que no meio de casos de homicídios ela precisa lidar com dois filhos insuportáveis e um ex-marido mala, olha que eu podia pegar mais pesado com a família de Laura, pois estou economizando nos adjetivos que escolhi para eles. Já se percebe que ela é a desorganização em pessoa quando a câmera resolve focar no seu carro todo sujo e desarrumado, mas ela não brinca em serviço quando precisa agir rápido em uma perseguição de rua. E esse contraste que a série nos mostrou logo no início do episódio só foi evidenciado com o desenrolar da trama.

Em vários momentos tive a sensação de já ter visto tudo aquilo anteriormente, desde a escolha da direção em nos mostrar o caso da semana e suas pistas, passando pelo desdobramento em que todos são suspeitos, até chegar ao culpado que ninguém imaginava. Isso aí o desenho do Scooby Doo fazia e bem, diga-se de passagem. E o que falar da explicação mais didática impossível de como a incrível Laura chegou ao culpado do crime em questão? A NBC deve achar que seus telespectadores são burros. Mesmo com esses problemas, o caso da semana foi sólido e todas as pistas dadas e explicadas tem nexo, o que já é um ponto positivo sendo que atualmente o que menos as séries têm é nexo.

Mas por incrível que pareça, o piloto não é ruim, mesmo que a sensação de já ter visto isso antes perdure por quase todo o episódio, deve-se destacar como Debra sabe se utilizar da comédia como ninguém (legado que Will & Grace deixou para ela). O elenco também merece destaque com várias figurinhas que já passaram pelo cinema e televisão e que funcionam muito bem nos seus respectivos papeis, destaque para Jake (Josh Lucas) o marido da Laura que por mais sem noção que seja, não conseguimos ficar com raiva.

Em vários momentos me perguntei porque não apostaram em uma comédia simples mas engraçada de 25 minutos, já que a maioria das piadas do piloto são boas e a maioria dos atores apresentaram um timing correto para a comédia. Além de ser mais fácil emplacar uma comédia boba e trivial do que um “drama” policial com grandes pitadas de humor. Mesmo não sendo a ideia mais inovadora desse mundo, The Mysteries of Laura, estreou com 10,4 milhões na audiência e 2.1 na demo, sendo a maior estreia da temporada desde Believe. Claro que esses números vão cair até se estabilizar, mas já é uma alegria a mais para os fãs da Debra.

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