Porque o mundo precisa de mais um cenário pós-apocalíptico.

Quem não gosta de uma série ou filme pós-apocalíptico, não é mesmo? É possível que muita gente esteja animada para assistir essa série, e altas expectativas resultam em grandes decepções, ainda mais depois de assistir um piloto bem intencionado, mas que demora muito tempo para dizer o que precisa. Ao quebrar os padrões do mundo e sugerir uma nova configuração para ele, a série precisa explicar os motivos que levaram a esses acontecimentos. Mas The Last Ship passa o piloto inteiro explicando por que as pessoas estão doentes, e isso é muito chato. O espectador espera assistir do apocalipse para frente, e não para trás. Ah, a série também explode coisas aleatórias para injetar um pouco de adrenalina desnecessária.

Ora, pensando bem, The Last Ship tem algumas ideias bem interessantes. A ideia de que os governos são independentes pois os líderes dos países morreram, ou então a ideia de que o vírus foi modificado para ser utilizado como arma. Então por que elas não funcionam? Porque a gente já viu isso um milhão de vezes, e a abordagem do piloto parece ser a mesma de todas as outras séries, filmes e livros. Uma cientista e um capitão que não compreendem o mundo um do outro, mas que se unem para o bem maior, agindo como deuses na tentativa de salvar o mundo. Seu relacionamento não é tão sadio no início, mas já se pode esperar intensões amorosas de ambos os lados. Além disso, tanto o capitão quanto a cientista têm seus traços caricatos: O capitão é honesto, patriota e leal à sua equipe, mas com alguns problemas de raiva, apesar de ser um doce com sua família. Doutora Rachel Scott, por outro lado, é uma mulher inteligente e independente, capaz de qualquer coisa para cumprir sua missão. Argh, tudo muito original.

Mas apesar de tudo, a ideia da série é interessante. Lembra muito Last Resort, que através de outras circunstâncias, tomou o mesmo caminho rumo ao isolamento. The Last Ship passa a ideia de que não pode confiar em ninguém e isso talvez seja a parte mais interessante (o próprio navio tem um infiltrado). Os conflitos sociais e políticos que a doença global acarretará também tem algum potencial de serem ligeiramente mais interessantes que assistir uma cientista injetar sangue em ratos. O maior problema de The Last Ship é que é simplesmente muito desinteressante assistir alguém brincando de ciência. Se 80% do mundo já está morto, a vacina precisa ser feita o quanto antes, se ela for feita, todo mundo irá se curar e a série encerrará sua principal trama. Se a vacina demorar para ser feita, o resto do mundo morre e não existirá mais propósito na missão da equipe. Então, como a série lidará com essas variáveis?

A ideia de um cenário pós-apocalíptico, por incrível que pareça, é extremamente atraente a muita gente. Quem não gostaria de um mundo livre de responsabilidades, repleto de liberdade e de livre-arbítrio? Se o mundo já quase não tem gente, existe muita coisa a ser explorada. O problema com The Last Ship é que ao passar o piloto inteiro dentro do navio, acaba não instigando o espectador a conhecer o mundo danificado e modificado que a doença transformou. Assim como Helix fez, The Last Ship isola seus personagens, quando eles podiam estar explorando e abrindo enormes possibilidades narrativas para a série, assim como The Walking Dead e The 100 fazem.

Para finalizar, apesar de ser um pouco confuso os trezentos personagens que a série apresenta no piloto (e todos vestidos com a mesma roupa militar, ainda por cima), é possível perceber que algumas coisas, no nível emocional, funcionam, como a saudação que dá capa à review. A ideia de passar quatro meses incomunicável e ao voltar não reconhecer o mundo é apavorante. A fácil compreensão de que o grupo tem uma missão maior acaba pegando um atalho para algo que viria com o tempo. The Last Ship começa mesmo no próximo episódio, porque seu piloto simplesmente prepara o chão para o que realmente está por vir.

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