Sobre o melhor da vida.

Imaginem um cantor que fez muito sucesso há algumas décadas com sua banda e que, hoje em dia, vem penando para recuperar sua fama e dinheiro já que, desde o fim de sua banda, caiu no esquecimento. Impossível não pensar logo de cara em alguns artistas, tanto nacionais quanto gringos, não é mesmo? Some-se a isto uma filha perdida que vai à sua procura em busca do mesmo sonho, que é a fama através da música, só que com um diferencial: ela tem a grana necessária pra realizá-lo.

O fio condutor de Sex&Drugs&Rock&Roll, comédia lançada pelo FX nesta última semana, é basicamente este. Porém, a série já mostrou no piloto que vai muito além de uma historinha cheia de clichês. As aventuras de Jonny Rock (Denis Leary) e sua filha podem até não trazer grandes novidades no mundo do entretenimento, mas a forma como esta história começa a ser contada é o grande diferencial da série.

Mas antes de mais detalhes do episódio, aperta o play no vídeo aí de baixo e curte o som Músico Frustrado, da banda Os Horácios, cujo clipe também foi lançado esta semana e cai super bem com o plot do piloto:

A jornada de Jonny estreia com Don’t Wanna Die Anonymous, que começa com um minidocumentário, tendo inclusive participações ilustres, falando sobre a trajetória da banda fictícia The Heathens, e sua decadência após separação. Todo o início é bem dinâmico e já mostra o que a série tem a oferecer: um humor debochado, sem filtro e cheio de referências ao estilo musical que mudou o mundo e inspirou gerações durante o século XX.

Sex…

A vida de Jonny poderia ser baseada em qualquer biografia dos grandes nomes do rock mundial e o comportamento do músico vem bem nessa direção, especialmente na forma como o show lida com o conteúdo sexual, que é brilhante. Sem quase nenhuma conotação erótica, mas com toda a referência que realmente é necessária numa série desta temática.

O encontro com a filha foi hilário, e Elizabeth Gillies interpreta uma excelente Gigi que, sem qualquer tipo de censura ou timidez, #MandaNudes pro próprio pai visando o apoio do ex companheiro de banda. Claro que alguns limites não são ultrapassados, até porque agarrar a filha e tascar um beijo seria um pouco de exagero na subversão (mas que foi engraçado, isso foi).

Drugs…

Óbvio que numa série sobre rock haveria de se tocar no assunto consumo de drogas, e mesmo sendo completamente escrachado, o episódio conseguiu deixar de lado qualquer aspecto possivelmente pesado referente ao tema. Fica claro ali que não há nenhuma pretensão de fazer qualquer tipo de apologia ou de campanha pela saúde. A série vai além de qualquer agenda.

Aliás, este é o grande mérito da série, Sex&Drugs&Rock&Roll é uma grande homenagem ao gênero e a todas as suas características. O roteiro não deixa escapar nada e, mesmo os temas potencialmente mais polêmicos ou complexos, foram inseridos de maneira extremamente natural. O único apelo mesmo é para que todos mergulhem de cabeça no mundo criado pela série, baseado em tantos que vemos por aí.

Rock’n’Roll…

Em resumo, o episódio piloto foi muito eficiente. A série não representa uma grande revolução na TV, mas narra de maneira coerente os aspectos de uma verdadeira revolução: o rock’n’roll. E cabe aqui uma menção à trilha sonora espetacular. Impossível não entrar no clima logo de cara com as músicas que, certamente, já são um show à parte na série e, além disso, também um grande trunfo para conseguir alavancar a história.

Com boas atuações, roteiro dinâmico e contextualização impecável, Sex&Drugs&Rock&Roll é um sopro de qualidade nessa tempestade de má qualidade que assola a TV. Uma série nostálgica, mas extremamente atual e que, absolutamente, não tem medo de debochar de si mesma. Agora é esperar os próximos episódios para conferir se o show consegue manter o ritmo e a qualidade. A tendência é que sim.

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