Cada mergulho é um flash!
Será que preciso começar essa review dizendo que o motivo que me fez conferir esse piloto de Selfie atende pelo nome de Karen Gillan? Como boa Whovian que sou, não tinha como deixar passar a oportunidade de acompanhar a linda atriz que deu vida à Amy Pond, a companion favorita de muitos, alçar voo no mercado televisivo norte americano.
Pois então, foi sim esse o principal motivo que me fez assistir Selfie. Claro que a presença de John Cho é, também, um incentivo a parte. Adoro o John Cho, por mais que na televisão ele seja um ator um tanto quanto azarado. Outro fator que também despertou meu interesse, foi o da emissora ABC vender a série como uma versão moderna da peça teatral “Pigmalião’, escrita em 1913 por George Bernard Shaw.
A peça conta a história de Eliza Doolittle, uma moça pobre que vende flores pelas ruas de Londres. Certo dia, Eliza conhece o culto professor de fonética Henry Higgins. Quando escuta o horrível sotaque Cockney de Eliza, Henry faz uma aposta com o amigo Hugh Pickering que é capaz de transformar, em poucos meses, uma simples vendedora de flores em uma dama da alta sociedade.
“Selfie” não é a primeira adaptação de “Pigmalião”. Em 1956 a peça teatral virou um musical da Broadway, chamado “My Fair Lady”, que por sua vez deu espaço para a clássica versão cinematográfica de 1964 com o mesmo nome. “My Fair Lady”, o filme, contou com nomes como Audrey Hepburn e Rex Harrison nos papéis principais. O filme ganhou oito Oscars, incluindo melhor filme, melhor ator e melhor diretor. Até mesmo tentativa de modernização já foi feita antes, lembram do filme “Ela é Demais” com Freddie Prinze Jr., Rachael Leigh Cook e Paul Walker?
Mas eu sei que, o que importa aqui é a série Selfie, criada por Emily Kapnek (Suburgatory). Nela somos levados para a vida de Eliza Dooley (Karen Gillan), uma mulher obcecada em ser famosa através das mídias sociais. Eliza abusa das selfies no Instagram, e abusa mesmo, afinal quanto mais abusada são as fotos mais “likes” elas receberão, e sim, tem Karen Gillan fazendo selfie pelada e com biquinho.
Eliza é uma verdadeira sensação no mundo virtual, até perceber que não passa de mais um clichê atual quando se diz respeito à internet. Virtualmente Eliza é muito popular, mas fora da internet ela não tem nenhum amigo e nem ninguém para chamar de “seu”. Essa realidade incentiva Eliza a buscar a ajuda de Henry Higenbottam (John Cho) um guru do marketing muito eficiente em mudar e melhorar imagens, mas que não gosta muito do marketing pessoal através da internet e da superexposição das pessoas hoje em dia. Então é claro que os dois, que são totalmente opostos, se apaixonarão e aprenderão muito um com o outro.
A intenção da série até que é boa: uma comédia romântica que nos passa a clara mensagem de amor e amizade verdadeira e a importância de manter conexões reais ao invés de conexões plastificadas providas pela internet, um assunto muito propício à realidade que vivemos hoje em dia, onde cada vez mais a internet toma conta de aspectos básicos da nossa vida. Sem contar que John Cho e Karen Gillan são até bem bonitinhos e engraçadinhos (tipo fofinhos) juntos.
Mesmo assim, não vi nada que realmente tenha justificado a aprovação desse piloto. E não foi nem o roteiro preguiçoso e cheio de clichês que me incomodaram mais. Dói dizer, e sei que aqui corro até risco de morte, que uma das coisas mais ruins nesse piloto foi justamente a atuação plastificada da Karen Gillan. Sim, ela continua linda e até bem apropriada para esse tipo de papel, mesmo assim, ela simplesmente não me convenceu.
Sei também que a personagem exige um tom exagerado e afetado, mas infelizmente Karen perdeu a medida entre o que é da personagem e o que é somente exagero de atuação. O sotaque apresentado por ela foi outra coisa que me incomodou muito, mesmo sabendo que essa parte é a analogia direta ao clássico “My Fair Lady”. Para finalizar meu festival de lamúrias, digo que muitas vezes achei o humor apresentado nesse piloto típico de pastelaria.
Mas a questão é que, em um momento raro na minha vida de série maníaca, realmente acho que esse piloto foi muito pouco para analisar o que a série pode ser se realizada de maneira devida. Bem pouco mesmo já que quase nada aconteceu e vimos muito pouco. Exemplo disso é que não lembro de mais ninguém além de Eliza e Henry. Até pensei em pesquisar sobre os demais membros do elenco e seus personagens, mas não achei justo, já que quase não vimos nada deles ainda. Ok, tivemos a recepcionista com nome difícil e as novas amigas do prédio que mostraram para Eliza o ritual feminino, e super clichê, da combinação entre maquiagem e música. Já temos a consciência que esses personagens provavelmente serão, junto com Henry, as conexões reais de Eliza fora da internet, não é?
Gosto de uma boa comédia romântica e sempre acho interessante acompanhar uma mulher, que não amadureceu adequadamente, encontrar seu caminho através da descoberta do amor e da amizade, e sei que no meu coração, apesar de tantas reclamações, darei pelo menos mais uma chance para Selfie me cativar. Claro que tem também o fato de torcer, e muito, pela Karen Gillan para ajudar.
Selfie tem muitos elementos para uma série boa: boa dupla de atores como protagonistas e até mesmo uma história que, se bem trabalhada, tem o potencial para ser bonitinha e prazerosa de acompanhar, além de um tema bem atual. Portanto, basta os roteiristas deixarem de preguiça e Karen Gillan achar seu tempo cômico ideal para assim garantir sua independência televisiva.
Afinal, de uma comédia eu espero um roteiro bom que me faça rir, e nada mais que isso. Por enquanto, não foi o que aconteceu com Selfie, mesmo assim fico aqui torcendo pela série, pela Karen Gillan, pelo John Cho e principalmente pela internet!!














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