Funciona. Mas até quando?

Remakes, reboots, adaptações, “prequências”, sequências… É notório que estamos vivendo em meio a uma crise narrativa ultimamente. E devo ser sincero que quando soube que o filme “Minority Report: A Nova Lei” iria ser transformado em série as expectativas não foram das melhores. Um dos melhores filmes de ficção científica da última década, baseado num conto de Philip K. Dick e dirigido por Spielberg e com Tom Cruise no elenco, estava para ser destruído na televisão. Mas para minha surpresa e contrariando minhas expectativas Minority Report (a série) funciona.

Primeiramente muita coisa vem diretamente do filme de origem, sendo necessário que você tenha assistido ao filme primeiro pra pegar algumas das referências (nunca viu? SHAME! GoT ModeOn). Segundo: a trama da série se situa dez anos depois dos acontecimentos do final do filme. Nela acompanhamos Dash (Stark Sands), um dos gêmeos “pré-cogs” do filme tentando levar uma vida normal, após anos de refugio na ilha onde ele e seus irmãos (Agatha e Arthur) ficaram após serem liberados da sede da polícia. Policia essa que não conta mais com as visões para prender os criminosos antes de cometer os crimes, tornando as investigações bem parecidas com o que temos hoje (exceto os simuladores de situações, telas sensíveis a movimentos e etc). Dash até tenta impedir os crimes por si só, mas vivendo a margem da sociedade e sem o background das visões dos irmãos e um trabalho infrutífero. Até a chegada de Lara Veja (Meagan Good). Junto com ela ele pode finalmente começar a salvar as pessoas que até então eram estatísticas acumuladas no caderno que ele carrega.

O interessante é que aproveitaram a série pra completar algumas lacunas que ficaram no filme, como o passado dos pré-cogs e um pouco do treinamento dos mesmos. Em compensação as personas adultas são totalmente diferentes dos filmes (impossível esquecer a atuação de Samantha Morton) e também entre os irmãos (que são gêmeos quando crianças, mas diferente como adultos!). Outra coisa a se comentar é a quantidade de itens que tem papel importante no filme, tais quais: halo (o apetrecho que servia pra imobilizar os presos), Clarity e outros, além de personagens presentes em ambas as mídias (Wally no caso, que é o mesmo ator no filme e na série!) . A cidade, as visões, o visual de maneira geral (pelo menos aqui no piloto) está bem interessante, o que já se tornou de praxe nas séries de ficção da FOX (vide Fringe e Almost Human). E falando nelas, elementos das duas séries citadas aparecem aqui: a interação da dupla principal e o lado “weird science”. Uma das coisas que podem ser certeiras ou acabar com a série é justamente esse lado “dorky” de Dash e o humor contido nesse piloto. Não me senti tão irritado assim, mas se ficar em excesso perde totalmente a característica séria do filme.

O estilo procedural parece ser o que vai dominar aqui. E o que promete ser o grande arco é a entidade que ainda está na caça dos pré-cogs e que aparentemente foi o responsável por raptar Arthur, vide o pedido de socorro no final do episódio. Se esse método de caso da semana vai cansar ou atrapalhar o grande arco só acompanhando. O problema é que se só se focarem nisso a série pode se tornar repetitiva e afastar o público alvo. Aqui o “caso da semana” foi interessante: o caso da mulher do candidato a prefeito, envolvendo pombos e os presos enclausurados na “Open Vistas”, lugar para onde aqueles que foram presos no programa do Pré-Crime foram levados após serem soltos, para recuperação (se assim for possível). Mas uma série não vive só de casos da semana, nem de personagens carismáticos. Mais uma vez só resta acompanhar para onde os roteiristas vão levar a história e até onde o limite do que deve ser criado de “novo” seja alcançado.

Enfim, o piloto de Minority Report cumpre o papel de apresentar a história e aguçar a ver o restante da temporada. Resta saber se a série será uma “one hit season” como foi Almost Human ou se deslancha e se torna uma obra de ficção cientifica (gênero tão carente na televisão) que perdure por mais algumas temporadas. Se você gostou do filme vai curtir a série, pelo menos este piloto. Fiquei balançado a inclui-la na minha watchlist nessa Fall Season. Espero que eu não me arrependa…

Visões do Dash 1: O que foi o momento akward com o porta retrato eletrônico?

Visões do Dash 2: E a sacada com os itens de nosso presente? A piada com o Tinder e a 75ª temporada dos Simpsons (longevidade recorde!) deu um gostinho de como seria a visão do passado;

Visões do Dash 3: Batata frita que não engorda! Gente comentando que quer em 3, 2, 1…

Visões do Dash 4: Maconha liberada? Que mascote sugestivo é aquele no metrô?

Visões do Dash 5: Stark Sands já me convenceu no papel, mas Meagan Good… Não sei. Vamos ver se ela melhora no decorrer da temporada;

Visões do Dash 6: Wilmer Valderrama cumprindo a cota de investigador boçal. Sempre tem um desses em séries procedurais;

Visões do Dash 7: A série estreia 21 de setembro.

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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.