O roteirista e criador da série Craig Sweeny conseguiu junto ao diretor Marc Webb e transportar todo o clima do filme estrelado por Bradley Cooper em 2011. Logo, “Limitless” tem bons atrativos para uma audiência que vem curtindo essa vibe de super-poderes, mesmo que a onda aqui seja sem capa, sem uniforme e tenhamos um inimigo pouco conhecido.
A favor da série, que estreou no dia 22 de setembro nos Estados Unidos, o carisma do ator Jake McDorman, responsável por dar vida a Brian Finch, um músico frustrado que conquistou poucas coisas na vida. Sem a confiança da família e vivendo um momento de muitos questionamentos, Brian é presenteado pelo amigo Eli Whitford (Arjun Gupta) com uma pílula que seria capaz de mudar a sua vida e virar o jogo, alterando suas perspectivas do futuro. O problema é que o presente já é capaz de lhe proporcionar um problema e tanto: a acusação de ser responsável pelo assassinato de Eli, uma carga pesada para quem não sabe o que fazer da sua vida.
McDorman é responsável pelo sucesso do piloto por ter o tom necessário entre a vontade de conhecer seu personagem e o fluido humor contido de não tornar Brian em um “Super-Heroi Americano” (série de 1981 estrelada por William Katt). Ajudado pela dinâmica da fotografia de Jonathan Sela, o ator está bastante confortável correndo pelas ruas de Nova Iorque e narrando sua própria história. O mesmo não se pode dizer de Jennifer Carpenter (Dexter), um tanto insegura com sua agente Rebecca Harris. Em vários momentos a boa atriz hesitou entre uma postura mais corajosa e o temor de assumir o protagonismo das cenas. Aliás, não vi uma boa química entre ambos, mas isto pode melhorar com o tempo. E por falar em elenco, a aposta do canal americano não foi pouca, além de Carpenter e McDorman, a série ainda traz Mary Elizabeth Mastrantonio, no papel da chefe Nasreen Awad e o também experiente ator Ron Rifkin, interpretando o pai de Brian, além da participação de luxo de Bradley Cooper no papel do senador Eddie Morra, mesmo personagem resgatado do filme que ele mesmo protagonizou.
O ritmo da série é interessante, mesmo que tenha cometido alguns excessos, como a história de diagnosticar a doença do pai. Um exagero que poderia ter passado em branco, não fosse ele o responsável por trazer justamente a confiança que a família havia perdido na ovelha negra. Ser responsável por organizar o arquivo de um banco com mais de 20 mil funcionários já seria um feito e tanto e virar “médico de diagnóstico” em menos de 24 horas, durante o efeito do NZT-48, é muita coisa. Ultrapassou nosso querido Gregory House, que poderia demorar em um diagnóstico dias e dias. Apenas um detalhe.
O grande ponto de “Limitless” talvez seja a leveza que o plot principal foi tratado, afinal de contas, uma droga que potencializa as capacidades mentais (mesmo que temporariamente) pode flertar – de maneira muito sutil – como uma apologia ao uso de drogas e sua postular dependência, o que no filme e na série, não deixa de ser verdade. O bacana é que justamente a temperatura do piloto, não deixou a gente em um clima negativo, tal qual a produção original.
Será necessário um pouco de paciência e complacência, para que os exageros que a pílula causa a quem dela se utiliza, não sejam interpretados como bastante excessivos, como foi o caso relatado da doença do pai. Afinal de contas, quem seria capaz de realmente calcular quanto tempo um vagão levaria para fazer de um inofensivo corpo, uma carne moída humana? Ou seja, quem comprar a série, precisa adquirir o combo que vem no pacote. Desde adivinhar o local de NZTs debaixo de uma planta, até calcular exatamente a força dos seus braços/punhos para fugir da agentes do FBI.
Algo que chamou atenção, de cara, foi o dicotômico personagem de Bradley Cooper, mesmo de pequeníssima participação. Fiquei na dúvida se o candidato presidencial (será que ele ganha do Trump?), será uma espécie de eventual tutor de Brian ou exercerá um papel de vilania com pequenas doses de bondade.
Outro ponto a favor da série é que o thriller dificilmente terá um ritmo não menos do que alucinante a cada episódio. Se apontar o nariz para o rumo procedural-casinhos-tolos-que-todos-descobrimos-antes-de-meia-hora-de-episódio, pode cair no ostracismo de outros projetos que já perderam o fôlego na TV e ficar a pé, pela segunda ou terceira temporada. Precisamos torcer para equipe que abraçou a série juntamente com Bradley Cooper (um dos produtores), não tenha perdas que corrompam as primeiras ideias da série. Por problemas que envolveram até uma greve de roteiristas, “Fringe”, por exemplo, sofreu nas primeiras temporadas para pegar no tranco. “Limitless” tem potencial para se tornar a queridinha dos canais abertos.
Gostei do desenvolvimento do personagem principal, da condução discreta e bem colocada do elenco de apoio, da adaptação do roteiro, da fotografia zig-zag e da utilização parca, mas útil, dos efeitos especiais, como uma cooperadora da história e não o principal destaque. Não foi um piloto sem falhas, mas a tendência é que vejamos “Limitless” com episódios de tirar o fôlego, com excelente condição de sair do fall season como uma sobrevivente de peso.






















