Vai aí um Macarrão à Cerebresca?
Numa época em que até empresas de geladeira estão lançando séries, precisamos criar mecanismos de controle para nos policiar sobre quais destes shows merecem a nossa dedicação semanal. A minha estratégia para não sobrecarregar a Watchlist é criar “Timeslots Personalizados” e uma das grandes diversões é criar nomes sarcásticos para os mesmos: “Série Adolescente Infinita” (Pretty Little Liars), “Comédia de Família” (Modern Family), “Novelinha de Época” (Downton Abbey) e assim por diante. A regra é simples: cada timeslot só pode ter UMA série, desta forma, jamais eu poderia acompanhar Eye Candy, antes de desistir de vez de PLL. [Não tentem fazer isso em casa, amiguinhos, pois isto é decorrente de um TOC devidamente diagnosticado]
Um dos meus Timeslots preferidos é “Drama Policial Satírico” que engloba todas as séries de investigação policial leve, que possuam elementos humorísticos, ora sendo mais madura, ora descambando de vez para a galhofa. Historicamente, passaram por este slot Monk, Psych, The Mentalist e Perception. E, quando eu achei que este último não teria substituto, vem a grata surpresa iZombie, que reúne todos os elementos para ser promovida à minha nova série de “Drama Policial Satírica”. Aplausos!!!
Esta surpresa, no entanto, foi somente na categoria que ela se encaixou, pois eu tinha certeza que gostaria muito deste piloto por 4 razões:
1. Adaptação de um quadrinho da Vertigo
2. Direção de Rob Thomas
3. Roteiro do próprio Mike Allred
4. Atuada por Rose McIver

A quem possa estar se perguntando “Mas quem é toda essa galera?”, eu respondo: Vertigo é a linha for mature readers da DC (Batman, Superman) e tem os melhores títulos de quadrinhos do mundo de todos os tempos. Um destes títulos é iZombie, co-criado por Mike Allred, que está entre os melhores e mais icônicos desenhista de quadrinhos surreais da atualidade (Madman, X-Statix). A série, que teve 24 edições e ganhou vários prêmios e indicações no arco debutante, tem poucas semelhanças com a adaptação televisiva, pois a protagonista zumbi (Gwen, e não Liv) era uma coveira e tinha um trupe de monstros (fantasma, lobisomens) como parceiros de aventuras. Eu acredito que esta linha tenha sido abandonada para evitar comparações com Being Human (ou porque a grana para efeitos especiais estava curta mesmo…).
Já os dois últimos nomes da lista são conhecidos dos sériemaniacos: Rob Thomas é o pai da nostálgica Veronica Mars, enquanto Rose McIver é a versátil atriz que consegue flutuar entre a irritante Vivian Scully (Masters of Sex) e a cativante Tinker Bell (Once Upon a Time).
Finalmente, falando sobre a série, Olivia Moore é era uma médica nerd, residente de cardiologia no hospital de Seattle e estava prestes a se casar com o belo e aprazível Major Lilywhite, até que este a incentiva a curtir uma boat party, regada à Utopium (droga do momento) e “animada” por um mini-apocalipse zumbi! Aparentemente, ela foi a única sobrevivente infectada e tirando o fato de estar morta, precisar comer cérebros para não entrar em frenzy e não conseguir dormir nunca, quase nada mudou no seu corpo (sarcasmo detected). A parte psicológica, por outro lado, ficou completamente abalada, e ela abandonou o hospital e foi trabalhar no necrotério, onde seria muito mais fácil conseguir cérebros frescos, se isolou da família e rompeu o noivado, com medo de transmitir sua “doença” para o futuro marido.

Neste piloto, tudo acontece muito rápido. Com uma edição de cena extremamente ágil, muitas vezes utilizando o recurso de mostrar a cena “comiczada”, para o delírio dos HQManíacos (como eu), nada é muito explicado (e nem precisa ser), todas as relações se criam instantaneamente, seja do colega de trabalho que aceita sem problema sua condição de morta-viva, seja do policial da homicídios, que, mesmo hesitante, a promove a parceira vidente de investigações. As coisas acontecem tão rápidas, que se piscar os olhos, perde uma piada. Eu ri em iZombie, como não ria em um episódio há muito tempo…
A cena dela vendo Major jogar Zombie Killing Video Game com uma nova namorada foi de um humor negro hilário e a justificativa que ela dá para Babineaux dos tiros no teto do carro me deixou com um sorriso bobo na cara.

E o que esperar para o futuro?
Eu vejo iZombie como um procedural de soluções fáceis, numa produção que beira o amadorismo; completamente descompromissado com uma linha mestre, que fluirá através de casos avulsos, que servirão somente como pano de fundo para que possamos nos deliciar com os “poderes” de Liv, tanto os comportamentos adquiridos através dos cérebros devorados, quanto na sua transformação num Zumbi Frenético, destruindo para-brisas com as próprias mãos. Enfim, diversão garantida para quem quiser 42 minutos descontraídos e delirantes.
Até semana que vem!















