As intrigas, mentiras e os segredos de Game Of Silence!
Estreou nesta terça-feira Game Of Silence nova série do canal estadunidense NBC. A série acompanha a história de quatro amigos: Jackson, Gil, Shawn e Boots, que quando jovens cometeram um delito (que quase resultou na morte de uma pessoa) e juntos foram mandados para uma prisão para menores infratores, nesta prisão eles passaram por uma grande experiência traumática e que lhes causaram várias sequelas que eles ainda carregam na sua vida adulta. 25 anos depois e novamente unidos por uma tragédia esses amigos se reencontram, fazendo com que os traumas do passado voltem à tona.
A premissa da série embora seja até um certo ponto interessante não é lá muito original, várias outras já abordaram essa questão “dos segredos do passado que volta para nos assombrar”, particularmente, embora sejam de gêneros distintos a série me lembrou um pouco o enredo de A Coisa, um dos melhores livros do grande Stephen King e que ganhou uma versão televisiva na década de 90. Ambas as histórias tratam sobre jovens que durante sua infância/adolescência passaram juntos por grandes traumas e que anos depois se reencontram para enfrentar mais uma vez os acontecimentos do passado.
Existem mentiras que contamos para nos sentir melhores
– Jackson
Contudo, para comprar essa história e acreditar na série é essencial entendermos os dramas de seus protagonistas, bem como as personalidades de cada um, vamos lá:
Jackson: O que até agora recebeu mais atenção do roteiro, no passado já foi o líder do grupo, o mais ouvido e o que cuidava de todo mundo. Também é o que está mais ligado ao acidente que fez com que eles fossem mandados para a prisão, já que ele dirigia o carro que quase acabou matando uma mulher. Após ser solto se mudou da cidade onde a tragédia aconteceu e seguiu em frente. Depois de 25 anos do grupo ele é o mais bem-sucedido se tornou um advogado de um grande escritório de advocacia e está prestes a se casar.
Gil: De todos aparenta ser o mais instável, impulsivo e o que mais tem segredos guardados. Parece ter algum tipo de passado com aqueles que foram apresentados como os vilões da história e esconde isso dos outros amigos. Atualmente está num relacionamento amoroso com Jess que no passado era o interesse romântico de Jackson e isso por se só já dá um bom pano para manga, podemos esperar várias tretas indo dele.
Shawn: Teve pouca relevância nesse piloto, foi quase um figurante. Parece ter uma personalidade passiva e durante os flashbacks apresentados até agora foi o que menos sofreu durante a estada na prisão, vamos aguardar maiores informações.
Boots: De todos foi o que menos apareceu, mas teve seu “quê” de relevância já que ele foi o estopim para que os amigos se reencontrassem, do grupo ele era o que aparentava ser mais feliz, como se tivesse deixado realmente o passado para trás… É, mas só aparentava mesmo.
O tipo de narrativa que a série escolheu, com vários flashbacks sempre se alternando entre passado e presente, me agrada muito. O roteiro é muito ramificado, abrindo várias possibilidades de tramas e histórias que o passado sombrio do enigmático quarteto pode oferecer. Os atores não são lá conhecidos do grande público, mas nem por isso as atuações ainda se tornaram um problema. Claro que conforme formos avançando na história, esse emblemático passado vai exigir muito mais dos nossos protagonistas, o interessante é que pelo menos nesse piloto a atuação dos atores que compõe as versões jovens do quarteto foi muito superior as do que compõe a sua versão adulta, mas como disse acima isso ainda não é um problema. O destaque negativo fica por conta da atriz que faz a Jess, principal personagem feminina da série e interesse amoroso de pelo menos dois dos protagonistas, apática tanto no passado, como no presente a personagem, assim como a atriz pode dá dor de cabeça, já que é dela uma das principais tramas paralelas apresentadas até agora.
O roteiro apressado é o principal erro dessa première de Game Of Silence, claro que é sempre um desafio, mas as várias informações que a série tenta nos entregar ao mesmo tempo, jogando várias revelações na nossa cara simultaneamente confunde muito. A impressão é que os personagens foram preteridos com relação a trama, o que é um erro grosseiro já que o ideal seria um equilíbrio entre as duas coisas, afinal, por mais que nos interessássemos pela história se os protagonistas não cativarem, não adianta.
Contudo, apesar de batida a história é interessante e se bem contada pode render um bom entretenimento. Apesar de ter apresentado seus personagens de maneira rasa é inegável que a série conseguiu prender e o modelo adotado na quantidade de episódios PODE significar menos enrolação, evitando as chamadas “barrigas” que tanto detestamos. É esperar para ver, até a próxima review.






















