Uma série não só para quem gosta de ballet.

O mundo do ballet sempre foi muito cruel com as bailarinas e nem é preciso ser do meio para saber disso. Pressão constante da companhia para os movimentos perfeitos e da forma mais bonita possível, transtornos alimentares para estar no “padrão”, vícios que desencadeiam por conta da pressão que muitas bailarinas não conseguem segurar, além da inveja de quando uma se sobressai mais que a outra. Antes das cortinas se abrirem e depois que fecham, é realmente onde o mundo de bailarinas profissionais se encontram e a beleza das apresentações é inversamente proporcional ao que na maioria das vezes ocorre no camarim e ensaios. Engraçado como um mundo tão belo, rodeado de passos perfeitamente elásticos e bonitos, pode ser um mundo tão cheio de problemas internamente.

Flesh and Bone chegou com o ballet de pano de fundo e é a nova série do canal Starz, que aborda o mundo de Claire, uma bailarina recém contratada pela companhia de ballet de Nova Iorque. Paul Greyson é o diretor da companhia que se encanta pelos movimentos de Claire e enxerga nela uma bailarina com potencial incrível. Mas como nem tudo são flores, Paul se mostra um diretor arrogante e muitas cenas acabaram ficando um pouco exageradas. Não sei se foi a intenção real do roteiro fazer com que ele seja um personagem detestável desde o início, ou se o ator passou do ponto na sua interpretação, mas esse tipo de trama entre o mentor e pupilo não é tão nova assim e se não for trabalhada da forma correta, pode cair em clichês já apresentados na TV e cinema.

Claire resolveu fugir da sua casa e mesmo sem estar em grandes companhias nos últimos três anos, consegue a oportunidade de dançar em Nova Iorque, que não é nada fácil de entrar. Dentro da companhia, muitos personagens são estabelecidos: temos Kiira, a estrela que é viciada em drogas e provavelmente não será tão amistosa quando Claire “roubar” seu lugar; Ross cumprindo a cota de bailarino hétero, que não perde tempo e já mostra interesse na protagonista; Mia, a colega de quarto da Claire que não parece ser uma pessoa tão boa; e Daphne, a única bailarina que se mostrou aberta a Claire.

Mesmo os personagens não tendo nada de inovador, em Flesh and Bone todos funcionam de forma correta e o roteiro conseguiu mostrar características típicas de cada um, dando enfoque não só para a protagonista, mas para os coadjuvantes também, o que é importante, pois uma série não consegue se sustentar só da protagonista, é preciso ter personagens interessantes e intrigantes.

A história em si pode não ser a mais revolucionária, mas do jeito que o piloto conta, dá vontade de querer acompanhar e saber mais um pouco sobre como Claire irá se sair na companhia de Nova Iorque com tantas adversidades pela frente. Para quem gosta de ballet, a produção não decepcionou e a maioria dos atores também são bailarinos profissionais, fazendo com que os movimentos sejam bonitos e bem executados. A abertura também é outra coisa que me chamou a atenção, umas das mais bonitas que vi de séries estreantes esse ano.

Para os amantes do ballet é uma série que irá surpreender e para quem não é, vale a pena assistir, pois aqui o ballet é um pano de fundo para a história que está sendo construída. O drama está contido do início ao fim e algumas tramas não estão ligadas exatamente ao ballet, logo não precisa ser um fã do mesmo para assistir.

P.s.*: Que final de episódio tenso! Com um irmão daquele ninguém precisa de inimigo.

P.s.**: Como a Starz lançou todos os 8 episódios de uma só vez, não teremos reviews de cada episódio, mas uma geral, com a primeira temporada completa.

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