Uma série apocalíptica com um toque de CW.
Uma epidemia de origem desconhecida se espalha em Atlanta, o que força as autoridades americanas a tomar uma medida drástica e severa: manter toda uma zona da cidade em quarentena. Assim, barreiras são imediatamente erguidas, separando familiares e amigos, enquanto as pessoas de dentro da contenção têm de lutar pelas suas vidas.
Com um assunto desses, a época não poderia ser mais propícia, pelo menos no Brasil: diante do surto de dengue, chikungunya, zika e até mesmo H1N1, podemos concordar que o tema abordado por Containment é atual. Além disso, as menções ao bioterrorismo tornam essa temática ainda mais atraente e relevante. Mas e do ponto de vista da narrativa, há algo de novo?
Bem, digamos que sob a crosta da epidemia, temos diálogos e situações bem novelescas, explorando os romances e dramas pessoais de cada personagem, o que é a cara do CW. Ouso concluir então que Containment é uma mistura entre Under The Dome, Fear The Walking Dead e The Strain na superfície, enquanto sob os panos, está mais para um The 100 menos juvenil. Em outras palavras, é tudo que se espera de uma série apocalíptica sob o comando de Julie Plec, mesma produtora de The Vampire Diaries e The Originals. Contudo, apesar das cenas rocambolescas, a série foi bem-sucedida em criar suspense, terror e ação.
Tudo começa com um flashforward chocante, mostrando o 13º dia desde a descoberta da doença, no qual as pessoas infectadas comportam-se como zumbis e enchem as ruas de caos e sanguinolência. Em meio ao apocalipse contido, podemos também ver a mocinha da série – a professora Katie – o que confirma o seu status como final girl.
Voltando no tempo, o piloto mostra o desenrolar dos primeiros casos da epidemia, enquanto cuida de introduzir os personagens e seus respectivos arcos. O roteiro foi muito feliz em fazer com que as autoridades tomassem atitudes o mais rápido possível, o que nos poupa da enrolação que aconteceu nos primeiros episódios de The Strain, por exemplo, tornando a história enxuta e criando uma atmosfera de caos e imediatismo. Em contrapartida, achei desnecessária a tentativa de nos fazer engolir as personalidades de cada um com tantas cenas dramáticas. Eu, particularmente, prefiro ir conhecendo os personagens ao longo dos episódios.
Assim, à medida que os minutos vão passando, percebemos que todos os personagens da série estão relacionados por algum motivo, seja porque moram na mesma rua ou por relações amorosas. Uma infinidade deles nos foi apresentada nesse piloto, muitos dos quais eu sequer peguei o nome, mas entendo que é necessário haver um cast tão grande para desenvolver as histórias dos dois lados da barreira.
Aqueles com maior tempo de tela e que parecem ser os protagonistas da série são: o Major Alex Carnahan, responsável por manter a ordem na área em que primeiro se verificou o surto da doença; Jana, a namorada de Alex, que tem medo de compromisso; Jake Riley, parceiro de Alex, que passou de escoltador do paciente zero a mais um dos quarentenados no hospital; e Katie Frank, a professora responsável por cuidar de uma dúzia de crianças em meio a uma epidemia, e que promete ser interesse amoroso de Jake. Além desses, a agente federal Sabine Lommers também se destacou, por fazer acontecer as cenas mais importantes do piloto e ser a porta-voz dos acontecimentos.
Confesso que o que mais achei de interessante no episódio inteiro foram as suspeitas das autoridades americanas de que tudo não passou de um ato de bioterrorismo dos países do Oriente Médio. E essa desconfiança partiu de um único fato: o paciente zero, ou seja, aquele que primeiro desenvolveu a doença, veio da Síria. Seria paranoia das autoridades estadunidenses ou há ato terrorista aí? Seria preconceito e xenofobia tomar medidas tão drásticas, como a quarentena, ou isso foi uma precaução necessária? Dúvidas que a série promete responder.
Diante disso, vale a pena acompanhar? Containment mostrou que se leva a sério e que pretende passear por assuntos polêmicos. As cenas da doença em ação são repugnantes, o que com certeza vai agradar alguns fãs. Porém, o piloto mostrou uma preocupação exagerada em apresentar personagens, chegando à beira de fazer com que uma mãe esquecesse o filho para ter uma cena de flerte com um policial, o que desvia totalmente do foco. Alguém precisa avisar aos personagens para não distraírem tão facilmente, pois o mundo está acabando.
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Últimas palavras:
– Containment é baseada numa série belga de nome Cordon.
– Primeiramente seria uma minissérie de episódios limitados, mas ao que tudo indica, o CW mudou de ideia e encomendou uma série inteira.
– Espero de coração que não leve muito tempo até chegar ao 13º dia da doença.
– Como não amar que os jump-scares são espirros?






















