Refresco de tamarindo com gosto de limão que parece de groselha.
Está bem, seria injusto não explicar essa introdução. Se quem está lendo esse texto, como eu, conhece o trabalho do comediante Louis C.K., meio caminho já está andado. Não importa muito de onde você conhece ele, só importa que você saiba o tipo de humor que o consagrou na indústria do humor. No meu caso, tenho Louie como uma das minhas comédias prediletas e já vi vários especiais dele. Ao meu ver, esse ginger só não é o rosto definitivo do stand-up mainstream americano porque o Bill burr existe. Para quem não conhece bem o trabalho dele, a minha citação de Chaves explica bem o meu problema com esse piloto. Apesar de ser uma produção do Louis C.K., Baskets se parece mais com um prequel de The Last Man on Earth do que com qualquer história que eu o imaginaria contando. E eu não suporto The Last Man on Earth.
Com isso adiantado, não posso dizer que odiei o piloto. Tem algum potencial aqui. O problema é que ele é espremido. Você provavelmente espreme menos uma laranja para fazer suco. Você ainda consegue encontrar esse potencial escondido por ali. Nas coisas pequenas, como a caneca em forma de vaso sanitário, ‘I AM a cloon’ e ‘Yeah, it’s only permanent’. Eu reconheci o senso de humor do Louis aí. Durante o resto do episódio, nada. É muito Zach Galifianakis e pouco Louis C.K. Ou seja, nem um pouco interessante. Aliás, mais do que desinteressante: esta review está chegando tão tarde simplesmente porque eu não sabia o que dizer.
Tanta coisa está errada em Baskets. Para começar, o protagonista é um tédio. Alguém tem de dizer aos produtores da FX (e variantes) que nem toda sitcom tem de ter o mesmo personagem principal. Sério. Já não basta eu escrever sobre uma comédia focada num perdedor sem social skills (Man Seeking Woman)? Se você parar para pensar, é muito mais difícil fazer algo engraçado e cativante com um personagem que seja um fracassado do que a maioria imagina. É muito difícil você fazer o telespectador gostar de um protagonista nesses moldes porque ninguém se considera perdedor. A figura mais divertida de todo o episódio foi o irmão de Chip, Dale (o nome desses gêmeos é puro ouro!). Por que não uma série sobre ele? Poxa, um protagonista estranho, mas otimista. Cadê o desconforto social e o outsider ácido que transformaram Louie numa das coisas mais brilhantes da televisão? Nada disso existe no piloto de Baskets.
De todos os conceitos e ideias medíocres apresentadas nesse episódio, acho que dá para pegar uma ou duas e tentar salvar a série. Mas eu não apostaria meu dinheiro nisso. Não dá para saber bem quem está comandando as rédeas dessa produção, mas vou deduzir que não é o cara que o deveria estar fazendo. Nada é sólido. Momentos que em Louie seriam cheios de significado e beleza, como Chip aceitando o seu pseudônimo, são completamente sem sal. E toda a abordagem da série ao seu personagem-tema é errada. Em Louie, o personagem não se encaixa por ser estranho. Você tem o sentimento de que ele é alguém que se perdeu no tempo, um homem que não sabe viver nos dias de hoje. É engraçado ver essa incapacidade de se adaptar. Chip é só um imbecil. Ele queria ser um palhaço, mas não sabia francês. Agora ele tem um emprego de merda. É só isso. Ele não é divertido ou intrigante. Ele não é nada. O personagem já começou errado no papel. Em 2016, ninguém se interessa mais pela piada do palhaço triste.
Baskets não tem qualquer substância ou carisma. É o tipo de comédia que só consegue te entreter durante um terço dum episódio. Um tédio, um porre. É bizarro que com tanta gente com jeito pra humor consiga criar algo tão não engraçado. Parecia que estavam tentando ir tanto na vibe de Louie que esqueceram o mais óbvio: de divertir. Se Louie fosse uma serpente mudando de pele, Baskets seria a casca vazia que ela deixa para trás.
















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