Um episódio aquém do esperado.
Nós não temos vidas normais, e você não pode sentir falta do que nunca teve
– Kara Stanton
Com um 3º episódio muito mais focado em tratar a vida de John do que avançar na disputa entre as IAs, Truth to be told acabou ficando um pouco aquém das expectativas, uma vez que sua estrutura foi a de um episódio padrão de caso da semana em que não ocorre muita coisa. É verdade que outros pontos foram abordados e a série não deixou a luta contra o Samaritan de lado, porém creio que ainda assim eles não foram suficientes para despertar o mesmo interesse que os episódios anteriores.
Desde o início da temporada POI já indicava que a estrutura de casos seria retomada. Ainda que neste momento possamos pensar que ela é desnecessária, de certa forma seu retorno traz verossimilhança à série, uma vez que John e Finch continuam a se preocupar em salvar pessoas. A luta contra o Samaritan não foi esquecida nem sua importância diminuída, porém a dupla não admite que pessoas continuem morrendo enquanto eles procuram uma forma de deter a máquina do mal.
Desta forma, creio que o grande problema foi que o caso em si não foi lá muito interessante. É verdade que o objetivo era utilizá-lo para abordar os fantasmas do passado de John e mostrar que eles continuam a assombrar seu presente e qualquer vida pessoal que ele possa sonhar a ter, porém entendo que o tema “irmão que procura entender a morte do outro irmão” está um pouco em desgaste e já foi utilizado outras vezes em formas semelhantes pela série, sendo que a única vantagem dele talvez tenha sido permitir revisitar o passado de Reese (quem não gosta dos flashbacks de POI?) e ainda por cima poder rever Stanton.
Quanto a John, se no episódio anterior fiquei com esperanças de um final feliz, desta vez a série me jogou um balde de água fria. Confesso que no início eu não era lá muito fã da Dra. Campbell (sempre fui Team Zoe), porém com o tempo passei a simpatizar com a personagem e entender que ela seria uma melhor companhia para Reese, afinal, ele não só parece realmente gostar dela como a relação com Zoe tinha uma cara de ser só física. Além disso, Iris tem a capacidade de compreender John como poucos e não o julga nem mesmo por seu “trabalho paralelo”, porém para que os dois dessem certo seria necessário que Reese deixasse seus problemas de lado e se soltasse – o que por enquanto parece ser impossível.
Desta forma, entendo que o futuro de John fica ameaçado e ele passa a ser um grande candidato a ser aquele personagem do sacrifício final, uma vez que não tem quaisquer amarras que o impeçam disso. Como Stanton bem falou, essa característica já foi o principal motivo pelo qual Reese foi recrutado pela CIA e se nem mesmo uma namorada psicóloga foi capaz de fazer John perdoar a si mesmo por seu passado, o que mais poderia? Na verdade, é bem possível que ele inclusive entenda um ato heróico final como uma forma de se redimir por tudo.
E com Root liberada de volta à ativa, a Machine voltou a enviá-la em missões para impedir algumas ações do Samaritan, sendo que desta vez ela (com a ajuda de Harold) acabou por descobrir um malware que conecta o computador infectado ao Samaritan e envia a ele toda sua informação. Mas se o objetivo do programa é esse, por que a Machine estaria interessada nele? E será que mesmo com wireless desabilitado e fora da rede de energia, o Team deveria correr o risco de instalar o malware em um computador dentro do QG? Estaria a Machine pensando em encontrar uma maneira de usar o programa do Samaritan contra ele próprio? Ou será que a explicação está nas outras funções que Root ainda não conseguiu entender?
Observações
– Para confundir mais ainda a cabeça de Root e Finch (além da nossa), a Machine ainda faz o favor de deixar um poema criptografado que fala sobre mudança, metamorfose. O poema é de Emily Dickinson e eu bem que tentei achar uma tradução para ele em português, mas não consegui. Fosse um texto normal eu até traduziria, mas poema eu não me arrisco não, então se alguém encontrar a tradução, por favor postem nos comentários!
– A vida seria muito mais fácil se a Machine, agora em modo aberto, estivesse funcionando a pleno vapor. Mas pelo jeito nós teremos ainda que nos contentar com seus enigmas…
– E a nova abertura, com um mix de Finch e Greer falando? O que vocês acharam? Eu fiquei com muito medo do Greer falando!
– Já ia me esquecendo… outra coisa que fez com que o episódio não fosse tão legal: Não teve Fusco!!! A gente sente falta daquele mau humor e das tiradas sarcásticas dele!
– Pessoal, graças a maldita CBS que depois de ficar enrolando com a volta de POI fez com que ela voltasse bem no meio das minhas férias, as críticas das próximas duas semanas ficarão a cargo do Kin Jordan, que vai quebrar esse grande galho para mim. Assim sejam bonzinhos com ele e eu estarei de volta com as críticas na semana pós-feriado.
Frases
– “Se alguém podia enganar a morte, seria você, John.” (Beale para John)
– “Sim, nossa única opção é correr riscos, dos grandes, se quisermos alguma chance de encontrar a Shaw ou derrotar o Samaritano. Temos que estar dispostos a fazer o que tivermos que fazer, senão já perdemos. Sem riscos, sem recompensas, Harry.” (Root para Finch)
– “Talvez eu gosto de saber que você está por aí, um fantasma, ainda fazendo o que precisa ser feito.” (Beale para John)
– “Espero, pelo seu bem, que um dia você seja outra pessoa, e quem sabe tenha uma vida normal.” 🙁
Diálogo 1 (Finch e John)
F: “Como foi o almoço com a Dra. Campbell e os pais?”
J: “Foi um pouco difícil no começo. No final, acho que estavam gostando de mim.”
F: “Uma experiência com a qual me identifico.”
Diálogo 2 (Root e Finch)
R: “Harry. Conseguiu.”
F: “Sim. Sua surpresa é desanimadora.”
Diálogo 3 (Beale e John)
B: “É isso que faz hoje em dia?”
J: “Não é tão diferente do que eu fazia. Só não mato mais pessoas.”
B: “Mas está interferindo nas atividades da CIA.”
J: “A atividade da CIA agora é matar cidadãos?”
Diálogo 4 (Root e Finch)
R: “Meus dias de dirigir acabaram.”
F: “Pediu demissão?”
R: “Fui demitida. Uma das muitas violações de segurança.”
Diálogo 5 (Beale e John)
B: “É bom saber que algumas coisas não mudaram.”
J: “Mas muitas mudaram.”
B: “É um admirável mundo novo lá fora. Precisa de pessoas como nós mais do que nunca.”
J: “Isso não é uma coisa boa.”
B: “Não é bom nem ruim. Apenas é assim. Não fizemos o mundo assim.”
J: “Não?”






















