Essa semana foi a vez de Gryzzl e JJ’s Diner brilharem na despedida de Parks.
Esse sétimo e ultimo ano de Parks and Recreation está passando muito rápido. Quando a NBC anunciou que iria exibir a temporada ao longo de sete semanas, com episódios duplos nas primeiras seis, foi pura razão de celebração, por dar a oportunidade ao público de ter uma dose maior da série semanalmente. Agora que já se passou os o sexto episódio, a sensação que fica é de desespero. O fim está próximo. Não há volta. Entramos no mês de fevereiro e, ao fim deste, teremos que dar adeus a esses personagens que considero tanto e que fazem parte de minha vida de forma tão carinhosa. No entanto, não são somente lamentos que temos que fazer nesse momento. Temos que aproveitar e celebrar essa bela homenagem que estão sendo essas pitadas finais, que estão resgatando todos os traços criados nesse universo tão particular de Pawnee e essa semana foi a vez de Gryzzl e JJ’s Diner brilharem na despedida.
Dentre todos os episódios exibidos até agora, essa semana tivemos os mais fracos. Não que tenham sido episódios ruins. Somente empalideceram frente ao que vimos anteriormente, principalmente, por terem vindo depois do arrasa-quarteirão que foi Leslie & Ron. Gryzzlbox foi um interessante exercício metalinguístico e de sátira. Em outras séries, a questão da violação de privacidade poderia ser até tratada de forma séria, no entanto em Pawnee isso seria impossível. Assim, o que acompanhamos foi uma sequência esquizofrenicamente absurda de eventos que mostram o domínio absoluto de informação da empresa de tecnologia na cidade. Vários momentos hilários foram proporcionados por esse plot: a cold open, com o drone abordando Leslie e Ben de forma bem Skynet de ser em O Exterminador do Futuro; os habitantes de Pawnee mostrando suas intimidades (chorei de rir com a garota desesperada pela possibilidade de as amigas descobrirem que ela gosta de ler); o programa de TV do Juiz (que é não é juiz) Perd Hapley, com Ben fazendo a acusação mais pesada em relação a Gryzzl, de que eles não eram “de boas”. Mas nenhuma piada superou Ron Swanson vindo de um filme de terror com ficção científica, com uma arma em uma mão e o drone destruído na outra.
Aliás, o melhor produto desse plot foi ter reunido a trupe novamente. Devido à falta de apoio ao domínio de informações da empresa, Donna e Ron se uniram de vez a Leslie e isso possibilitou a reunião de esforços para tentar impedir a compra do terreno Newport e impedir o fechamento de JJ’s Diner. E aqui já anuncio: como eu estava com saudades de Dennis Feinstein e não sabia. Cada borrifada e referência a suas fragrâncias fedorentas, nojentas e curiosas era uma risada certa. Mas o melhor do retorno de Feinstein foi o surgimento de Jonathan Karate, irmão letal de Johnny Karate, e sua trupe de ninjas infantis. MELDELS, como Chris Pratt está afiadíssimo nessa temporada e, consequentemente, como Andy está brilhando e o auge foi esse plot, que expôs tudo que tem de melhor no personagem: a falta de noção sobre o universo, sua crença nas coisas absurdas da vida e suas altas doses de trapalhadas.
Vale ressaltar que Save JJ’s foi importante para o encaminhamento da temporada. Depois de perder o terreno Newport para a Gryzzl, Leslie se empenhou em impedir o fechamento de JJ’s Diner e mal sabia que isso lhe entregaria uma saída criativa para o seu intuito de fazer um parque nacional. Chegamos ao fim do arco narrativo inicial da série e agora resta a curiosidade sobre qual será o foco dos 7 episódios finais: veremos a movimentação para o erguimento do parque nacional, Knope receberá uma proposta para concorrer a Presidente dos Estados Unidos ou será convidada a assumir o posto de Secretária Geral da ONU? Não sei qual será o rumo a ser tomado, mas todas as possibilidades que existem são bem positivas.
Tangenciando o plot principal, acompanhamos a continuação das histórias de April e Tom. Este está em uma curva de redenção muito bonita. Depois de vê-lo por temporadas seguidas frustrado e sendo egoísta, é gratificante acompanhá-lo sendo um amigo tão importante para Andy e Donna. Por mais que ele exponha seus interesses em ser agente do Sr. Dwyer, era perceptível que havia o desejo de proteger um amigo, que estava sendo passado para traz por um chefe abusivo. O melhor momento desse plot foi Tom dizendo que tinha conseguido com que Andy ficasse com os direitos ao Johnny Karate bem de boas, enquanto o flashback expunha ele chorando e implorando pelo amigo e lamentando sua desilusão amorosa.
Por outro lado, Donna estava ocupada com a preparação de seu casamento e quase me gerou um infarto. Por que? Meu coração não estava preparado para mais uma rodada de TREAT YOUSELF, MEU POVO! Tudo nesse plot foi um balde de nostalgia e tenho certeza que dava pra eu gerar uma cheia no rio São Francisco de tanto que vomitei arco-íris vendo os dois indo a Beverly Hills para ostentar ao extremo, visitando um restaurante cujo sushi era feito com peixes que pertenciam a celebridades, chegando ao absurdo de vermos Josh Groban pedindo um prato de seu antigo animal de estimação. Mas não há como negar que tudo isso que vimos nessa semana foi uma busca de Tom de tirar Lucy de seus pensamentos, o que se revelou em vão. Pelo menos, o seu final feliz começou a ser desenhado ao final de Save JJ’s de forma doce e genuína. E toda a torcida que desenvolvi por Tom desde a season première é prova do talento dos roteiristas que estão tratando o personagem generosamente.
A mesma generosidade não está sendo mostrada a April, que está presa a um plot estacionado há vários episódios. A senhora Ludgate é o típico personagem histérico: um verdadeiro banquete para os roteiristas que podem explorar ao máximo sua personalidade cheia de peculiaridades, principalmente com uma intérprete talentosa como Aubrey Plaza em mãos. Gostei demais de ver April encontrando sua cópia fiel e do desespero em querer destruir os anseios profissionais daqueles jovens. Mas, quando penso sobre sua participação nessa reta final fica o sentimento de frustração, pois poderíamos estar vendo algo melhor e a personagem merecia um arco melhor desenvolvido.
E é isso: restam 7 episódios e menos de um mês apara o fim de Parks and Recreation. Portanto, vão preparando o psicológico e o emocional, porque em breve começará o luto pelo fim da série. :’(














