Segundo round.
Continuando com a nossa retrospectiva dos melhores episódios de 2014 (se você perdeu a lista com Os 10 Melhores Episódio do 1ª semestre clique aqui), vamos para a segunda parte do ano. Eu (Aaron Engel) e Filipe Degani organizamos toda a macacada do SM para eleger por voto direto os melhores minutos televisivos desse último semestre. Agradeço ao Zuil pela vitrine do episódio, ao Michel pelo apoio, à minha m… Vamos logo pra essa lista.
10º Suits 4×10 – This Is Rome (por Filipe Degani)

A série dos engravatados mais divertidos e cativantes de NYC sempre se caracterizou por cliffhangers-BOOM, seja envolvendo as puxadas de tapete inerentes ao jogo corporativo, seja as tramas costuradas para resguardar o segredo primordial que funda a série. O último episódio de Suits em 2014 mantém a tendência consolidada da série ao concluir com uma reviravolta operada por Louis, esse ex-vilão atual anti-herói, que após ter anos e anos de fidelidade canina à firma serem descartados por um erro (ainda que gigantesco), confronta a estonteante (com duplo sentido, por favor) Jessica Pearson acerca do segredo que ela e Harvey ocultam. É digno de nota que Louis, justamente aquele que mais cavucou para encontrar algo, seja (tal qual os maridos e mulheres traídos/as) o último a saber. Louis lança a cartada final rumo ao topo mais alto da firma, por linhas tortuosas. Assim, mais uma vez, Suits mostra que não tem medo de desestabilizar seus já icônicos personagens e promete altas emoções na sequência da trama.
9º Gotham 1×07 – The Penguin’s Umbrella (por Thiago Leal)

Gotham definitivamente é uma grata surpresa desta última Fall Season, mas sofre duras críticas por não atingir um patamar que nunca quis, o que acaba eclipsando o julgamento geral que trata esta boa série com descrença e, muitas vezes, até mesmo uma birra coletiva. Digo isso porque, na verdade, na proposta que Gotham tem o desenvolvimento da série tem sido absolutamente espetacular… Não reinventa a roda, não vai ganhar Emmy’s, mas novamente essa nunca foi a proposta da série.
Por isso, longe de qualquer julgamento, o que consigo ver é uma série procedural que além de saber aproveitar inteiramente o universo em que é imersa, também conseguiu desenvolver sua trama central – por vezes abrindo mão de ser procedural – surpreendentemente em apenas dez episódios… E nessa toada do desenvolvimento do arco central da temporada, que envolve a briga pelo poder entre as inúmeras facções criminosas da infame cidade, dois episódios se destacam, sendo o primeiro deles “Arkham” (S01E04) e, sobretudo, o inigualável “The Penguin’s Umbrella”, que toma nesta lista um posto merecido de um dos melhores episódios do ano. Foi em “Penguin’s Umbrella” que o primeiro grande arco de Gotham se encerrou, fazendo links diretos com os acontecimentos do piloto, sobretudo àqueles relacionados ao protagonista James Gordon e o grande vilão (e maior surpresa) da temporada: o Pinguim. A forma como o episódio (que é cheio de ação e tensão, e tem uma direção absolutamente irretocável) nos mostra todas as minúcias do plano arquitetado pelo Pinguim e como ele estava diretamente ligado com a cena em que Gordon não conseguiu o matar, lá nos minutos finais do episódio piloto, é uma daquelas situações em que percebemos que os showrunners sabem muito bem aonde querem chegar e que renovam a fé de qualquer telespectador de que, de fato, está assistindo a um show de qualidade. Gotham definitivamente se provou como uma boa estréia em “Penguin’s Umbrella”.
8º Transparent 1×07 – Symbolic Exemplar (por Marco Antonio Turrati Junior)

Escreveria sobre qualquer episódio de uma série que já traz no seu título a simplicidade e a complexidade daquilo que ela trata. Um trocadilho tão genial que me faz pensar como ainda não tinha sido usado na televisão, ou no streaming, rs – um pai transexual que quer se assumir, ser transparente. Mas, como estamos listando os melhores do ano, então o escolhido foi o capítulo do show de talentos – sim, o melhor. Da comédia espontânea de rir dos filhos drogados – Sarah curtindo a vibe da apresentação com as mãos pra cima é impagável – vamos ao drama em apenas um frame, numa facilidade tremenda. A atitude dos filhos já imaginada pelo pai lá no primeiro episódio machuca o espectador que já divide a insegurança da protagonista; eles são tão egoístas que não conseguem ficar até a apresentação do pai acabar. Uma vai atrás do sexo, o outro se cobre pela vergonha e a outra segue Tammy (a qual já fez dispor até de um casamento e seus filhos, vivendo em crise de ansiedade). A apresentação em si choca e desconforta. Depois da cena, a música ecoa pelas cenas que vem a seguir, demonstrando realmente o que todo aquele número causou nos filhos de Maura. O pai se apresenta sem medo na frente de todos e acredita que tem (ou pode ter) talento. Os filhos precisam de talento para reconhecer o pai agora. A música que ela e Devina cantam fica na cabeça do espectador, e é dúbia. De tão mal cantada se torna bela. Personifica a insegurança de ambos ali em foco – o pai e os filhos. São pessoas, as quais eles costumavam conhecer. É sutil, dentro de suas possibilidades, enquanto vemos a tentativa de lubrificar um pênis de borracha no banheiro do clube (o que já corta todo o lirismo, e volta o sorriso espontâneo, impensado). Ainda, ecoados pelos tones de “Somebody That I Used To Know”, Symbolic Exemplar ainda traz duas cenas arrebatadoras: o abraço de Maura com sua ex-mulher e Rachel esperando Josh, chapado com a garota-verão na piscina, com o jantar pronto. Contrapontos essenciais à narrativa do episódio. São trinta minutos tão impressionantes que eles merecem estar aqui por toda a audácia desta série. É um episódio de inacreditável qualidade, com uma ampla percepção da emoção, como deve ser: permeando a comédia e o drama.
7º Masters of Sex 2×03 – Fight (por Aaron Engel)

Minha primeira lembrança ao assistir Fight foi o já clássico episódio de Breaking Bad intitulado Fly. A premissa é a mesma: pegue os dois protagonistas da série e isole-os durante uma hora em algum lugar, seja um laboratório secreto ou um quarto de hotel. Ambos os episódios funcionam de forma espetacular, e é lógico dizer que isso só ocorre porque Michael Sheen e Lizzy Caplan carregariam facilmente a série nas costas com seu talento e química únicos. Fight se envereda por caminhos pedregosos na mente de Bill e Virginia, questionando estereótipos sexistas e evidenciando todas as ações ilógicas praticadas pelo ser humano a fim de definir seu sexo e apresentar-se com uma pessoa perfeita e normal para a sociedade. Um episódio estonteante que explora a hipnótica relação dos dois pesquisadores e faz com que todos nós pareçamos completos idiotas, colocando valores irracionais à frente da ciência e da compaixão humana.
6º The Affair 1×01 – Pilot (por Johnatan Ferreira)

Seria The Affair uma série sobre a memória? Ou fundamentalmente sobre traições e pontos de vista? Eis que quando acaba o primeiro episódio da série, as dúvidas da trama se integram com a dubiedade de sua forma: os planos que contam as lembranças de Noah, em quadros muito bem compostos, fazem do seu olhar um anseio constante para aquilo que não possui. Daí o sexo que não se finaliza, a ameaça da morte que sempre se espreita. Então temos Alison, e sua tentativa de deixar para trás aquilo que perdeu – e por isso mesmo os planos mais hesitantes e incertos na maneira que é mostrado o sexo mecânico, o fracasso e o seu sofrimento. Se The Affair é esse encontro entre o desejo e a necessidade, o primeiro episódio resume de forma bem sintética a maneira com que a série encara suas tramas: percepções diferentes para um mesmo fato, a construção interessantíssima do que é uma lembrança para cada personagem. O modo de encará-los numa somatória rica do que cada um conta e do que é entendido deles, e ao mesmo tempo, uma percepção que nunca se completa, aspectos que sempre deixam em suspenso alguma coisa. Um mistério que é justamente uma das forças do piloto.
5º American Horror Story: Freak Show 4×04 – Edward Mordrake: Part 2 (por Carlos Müller Villela)

American Horror Story é uma série curiosa. Eu sou um fã apaixonadíssimo, mas compreendo as críticas. Muita gente não gostou de Coven, muita gente não está gostando de Freak Show. Contudo, é preciso ressaltar que a série costuma ter em cada temporada um episódio que te prostra, que te faz pensar “não tô gostando, mas porra, esse episódio???///!!!!11!/?!”. Casualmente, AHS teve dois episódios assim até o momento. Um deles, que empata com o finale de Asylum no meu top de episódios, foi Orphans, o décimo episódio. O outro, e é sobre esse que eu escrevo, é a segunda parte do especial de Halloween, protagonizado pela presença de Edward Mordrake (um ótimo e ressurgido Wes Bentley).
Mordrake é um personagem genial por expor (à força) as freak things dos freaks. Eles morriam de medo do espírito, menos Elsa, que acabou provando a sua presença indesejada. E, assim como Elsa, que teoricamente é a menos freak, por apenas usar pernas de pau, nós deveríamos temer Mordrake: somos todos freaks no fim das contas, todos temos segredos, todos temos podres que nós fizemos por conta dessa freakisse. E o escolhido de Mordrake, o incrível personagem Twisty, é um freak que vê fundamento nas suas maldades. Ele é escolhido por não sentir culpa, o que apesar de não o eximir de suas atitudes ressalta que a loucura quando toma conta acaba com a inocência. Como Jessica Lange deliciosamente cantou na primeira parte do episódio, it’s innocence lost…
E claro, Dandy assumindo o trono de Twisty. Me doeu ver Patti LaBelle, diva das divas, assassinada sem ter o personagem desenvolvido com propriedade? Sim. Mas querendo ou não,Dandy Mott é um dos melhores personagens que a série nos propiciou, graças a uma trama na qual a morte de Dora era necessária. E claro, a uma performance borderline surtada e muito boa de Finn Wittrock.
Esse episódio é ótimo, e nós que estamos amando Freakshow exaltamos sua excelência. E tu, que não está amando? Assiste a série e, quando chegar no episódio Orphans, tu vai esquecer da antipatia. Porque Edward Mordrake part 2 é o melhor episódio de Freakshow, mas Orphans é o melhor episódio de American Horror Story.
4º Homeland 4×09 – There’s Something Else Going On (Menção Honrosa: 4×08 – Halfway For A Donut) (por Filipe Degani)

A quarta temporada de Homeland estava cercada de um forte ceticismo quanto às possibilidades do reboot prometido após a traumática conclusão da temporada anterior. Entretanto, ao centrar suas ações na caçada a um “novo-velho” inimigo em seu habitat natural, Homeland consegue reinventar sua trama, mantendo, entretanto, as características que a fizeram brilhante em seus dois primeiros anos, a saber: um perfeito thriller de espionagem, política e ação. Salvar o ex-diretor da Agência versus ceder às exigências terroristas. Os acontecimentos destes dois episódios tratam de duas distintas operações para libertar Saul do cativeiro da Haqqani: ambas mal sucedidas, à sua maneira. A primeira conclui com sua recaptura, numa cena mesmerizadora e eternamente impressa na minha memória: aquela que mostra o pontinho verde (Saul) cercado de pontinhos vermelhos inimigos. A segunda consegue de fato libertar Saul, ainda que tenha ficado suscetível a um inesperado contragolpe, que reúne um atentado-bomba e uma invasão à ~inexpugnável~ embaixada norte-americana #ArgoFeelings. Porém, ambos os episódios se destacam como ponto alto desta temporada não apenas pelo suspense e pela surpresa, mas notadamente pelas grandes performances de Claire Danes e Mandy Patinkin, que nos traduziram perfeitamente a angústia de situações em que o afeto e o pragmatismo (dois elementos tão conflitantes em Homeland) se defrontam.
3º How To Get Away With Murder 1×09 – Kill Me, Kill Me, Kill Me (Menção Honrosa: 1×04 – Let’s Go To Scooping Red Rose) (por Marco Antonio Turrati Junior)

Kill Me, Kill Me, Kill Me foi o episódio mais aguardado do arco narrativo da primeira metade da temporada. Nele, conhecemos tudo o que anteriormente já tínhamos conhecimento, porém sem termos certeza de sua ordem na sucessão dos acontecimentos. A la Damages, How To Get Away With Murder, nos mostrava o presente dentro do escritório de advocacia mais cobiçado entre os primeiranistas da Middleton University, permeando a narrativa com a festa da cheerleader que voava com a fogueira no fundo que encobria um meticuloso assassinato. Nesse winter finale, com a boa atuação de Viola Davis (vista em toda a temporada), temos a última conversa derradeira de Annalise e Sam, talvez o ponto alto do episódio. Temos aqui uma discussão forte, fria e homicida de todo o afeto presente no relacionamento. Aqui se desnudam as falsidades, e faz parecer que a máscara que Annalise faz todo dia para ir trabalhar, também tem seus reflexos na sua vida pessoal. Além disso, a mensagem de voz que ela deixa pra ele em paralelo com as cenas do corpo dele sendo jogado no lixo pelos alunos faz o episódio ter uma carga dramática dobrada. Mas, nem tudo são flores. Ao final do capítulo, ficamos com a bomba, Annalise, no auge de sua impassibilidade já sabia de tudo. (- I’m so sorry;. – Don’t be.) Aliás, plot twists nos minutos finais foram especialidades da série, a nossa menção honrosa cabe neste top justamente pelos seus minutos finais (além de uma boa história da semana, do destaque em Connor – o mais promissor dos Keating’s 5 – e do episódio com o humor mais ambíguo) para o episódio Let’s Get To Scooping Rose. Nele, tivemos a fantástica cena da desmontagem de Annalise. Ela tira a maquiagem, a peruca, o orgulho e sua dúvida. Incrível, tocante e uma certeza: boas atrizes convencem até no silêncio, ou perguntando sobre o pênis do marido no celular de uma garota morta. Obrigado, Viola!
2º Sons of Anarchy 7×13 – Papa’s Goods (Menção Honrosa: 7×12 – Red Rose) (por Zuil)

Impossível falar do final de Sons of Anarchy sem começar pela personagem feminina mais antagônica da série: por isso, “Red Rose” está aqui. Gemma Teller foi esposa, mãe, avó, sogra, a verdadeira encarnação da morte e, finalmente, foi a grande base existencial para três presidentes do MC (John Teller, Clay e Jax). Criou sua família num ambiente de terror, morte, desconfiança e apego por suas indiscutíveis regras morais, parte de um mundo caótico tentando se autorregular, onde a traição só é resolvida com a morte do traidor – fato que selaria seu destino, quando ela mata sem escrúpulos sua nora Tara. Dali em diante, todos seus movimentos foram para desviar da morte. Mas um fato inerente a Sons of Anarchy é que a morte sempre chega. A dela veio pelas mãos de seu filho. Se Jax não fizesse exatamente o que lhe fora ensinado, estaria renegando seu cerne. Ele estremeceu, chorou e depois da declaração de amor mais honesta de sua mãe, puxou o gatilho e Gemma finalmente encontrou sua paz.
“Papa’s Good” é o nome do último episódio dessa grandiosa obra. É o final deseu grande protagonista Jackson “Jax” Teller. Acompanhamos o último dia da vida desse grande homem. Herói errante, motoqueiro, cruel assassino e, acima de tudo, um homem de estratégia. Jax sempre foi capaz de, mesmo perante cenários destrutivos, sacar da manga um plano bem elaborado e seu fim veio do mesmo modo. Começando por ele queimando as velhas cartas de seu pai, que falavam de um MC utópico; seus próprios pensamentos, anotados, ano após ano, compilados em pequenos livretos, ele não queria que seus filhos um dia pudessem ler aquilo; deixando os anéis SO NS no tumulo do Opie e sua aliança no tumulo da Tara; entregou seus filhos e bens à Wendy e ao Nero. Assuntos agora resolvidos. Um breve encontro com uma mendiga, que na série personificou a Morte – sacada genial do criador da série que inseriu essa personagem em vários momentos trágicos da série e só percebemos suas intenções no fim de tudo – e sem dó nem piedade Jax fez limpa em Charming. Matou Reis Irlandeses, o Barosky e o August Marks. Jax foi um genocida ao longo dos anos e sabia que precisaria levar ao encontro do Mayhem aquele que causou todo recente banho de sangue: ele mesmo! O “homem dos planos” agora elabora seu próprio plano de morte. Um fora da lei, um assassino, chefe de máfia, um motoqueiro, não existira final mais emblemático que terminar sua vida com grande perseguição policial. Jax sempre foi preciso e fatal. O ceifeiro estava a sua espera.
1º The Good Wife 6×04 – Oppo Research (Menção Honrosa: 6×10 – The Trail) (por Filipe Degani)

A sexta temporada de The Good Wife consolidou o incrível poder de reinvenção que esta trama possui, bem como a ousadia necessária para desconstruir caminhos confortáveis para personagens e enredo. Oppo Research, porém, é o ponto mais alto desta temporada até aqui exatamente por deixar explícito o planejamento e a convergência narrativa impostos à trama pelo casal King. Alicia nunca se furtou a jogar segundo as regras do jogo, embora sempre tenha mantido para si (e para nós) uma aura de boas justificativas. Agora que se defronta com as regras de outro jogo – o eleitoral – somos nós que nos deliciamos tanto com a sua impávida surpresa ao descobrir que Saint Alicia e os seus guardam no seu closet um rol de esqueletos que envolve aborto, agressão infantil e pornografia gay, quanto com sua postura imediatamente resoluta em fazer o que for preciso para remover tais obstáculos. Enfim, a candidatura de Alicia deixa de ser uma quimera engendrada pela mente de Eli e se torna uma realidade assumida e desejada por Mrs. Florrick.
Além da candidatura, o outro eixo dramatúrgico desta temporada foi aquele que definitivamente lançou Cary Agos para um lugar central da trama. Por dez episódios, acompanhamos suas idas e vindas entre prisão, tribunal, seu infame cliente Lemond Bishop e sua mendicância afetiva com Kalinda. Em The Trial, The Good Wife se despede de 2014, seu ano mais intenso, com uma inimaginável condenação de Cary, mediante acordo com a Procuradoria. Emocionante o choro de Alicia ao se despedir do seu sócio, amigo e principalmente o responsável por inflamá-la a sair da zona de conforto e construir uma nova firma.
Essa foi a nossa lista que completou os episódios mais memoráveis (in our opinion) de 2014. E você, o que te fez pirar esse ano?















