A felicidade ou a vocação.

O preludio do cavaleiro das trevas começa seu segundo ano um pouco modificado e ameno. As certezas que construíram na primeira temporada foram burladas e a escuridão é mais presente, na cidade e em todos os personagens. Com uma temporada que promete mais vilãos, o crime foi deixado para os good guys nesse primeiro momento.

Surely, sometimes, the right way is also the ugly way”

– Bruce

Em um retorno envolto por clichês já conhecidos na série, Gotham continua no mesmo ritmo e com uma abordagem um pouco mais direcionada aos fãs da DC do que aos de dramas policiais. O rebaixamento de Gordon já virou rotina no GCPD e Harvey ser pego no embalo também, a capitã sempre impotente ou ausente e Loeb um autoritário temeroso pela fúria de Jim Gordon. Ou seja, nada mudou realmente no departamento e a corrupção ainda é bem reforçada na polícia e na cidade. 

Avançando a estória em apenas um mês, é inegável a mudança que Bruce passou. A filosofia e os conceitos que o Batman acredita e a figura que ele representa, vem sendo impregnada no caráter do jovem Wayne. O diálogo com o Jim foi a maior prova disso, o sacrifício pessoal pelo famoso “bem maior” diverge bastante da opinião do Gordon, mas é exatamente o que o Batman é; certamente foi uma das melhores conversações envolvendo Bruce até o momento, o progresso do personagem é bastante evidente.

No entanto, enquanto alguns desistem e vivem melhor por isso como Harvey, outros simplesmente não podem deixar pra lá e James Gordon é um deles. Ser policial é parte dele, é um chamado. Este que nem muitos entendem, mas é exatamente o que Thomas Wayne deixou escrito para Bruce. O paralelo entre Gordon e Bruce Wayne ficou interessante, os dois sentem a vocação e a exercem de maneiras completamente diferentes, mas esse ponto em comum é uma das coisas mais interessantes e importantes no relacionamento do comissário e do dark knight.

Theo e Tabitha Galavan começam a sua iniciativa vilanesca de forma um tanto escandalosa. Passar despercebido, ao menos inicialmente, é de extrema importância para que os planos caóticos tenham sucesso e o sequestro em Arkham foi descabido para tais propósitos; seria muito mais fácil ter como alvo para “colaboração” pessoas aleatórias e que ninguém sentiria falta.

A escolha do ator para Theo Galavan não parece de acordo com a descrição do personagem, mas por enquanto ele foi competente no papel. Quanto a atriz escalada para Tabitha, as suas únicas cenas foram muito espalhafatosas, vazias e criadas para tentar surpreender e esse fato foi contra a personagem. Por enquanto os irmãos Galavan não surpreenderam ou empolgaram.

O rumo que Gordon tomou no episódio foi tudo, menos coerente. É muito cedo pra ele se corromper, sujeitar-se a vontade do Oswald nunca passaria pela mente do jovem idealizador Jim Gordon, o trabalho que ele vai fazer até chegar a comissário foi um pouco prejudicado com essa ação; vai ficar contraditório quando o Batman aparecer. O roteiro, escrito por Heller, cometeu algumas faltas a partir daí; também não se pode ignorar a promoção da capitã Essen, com isso ele desviou coisas no futuro de Gordon.

Today is the first day of a wonderful future for all of you”

– Theo

Um começo morno e nada empolgante define o primeiro episódio da temporada. Os mesmos erros vêm sendo cometidos e a fórmula procedural não consegue mascarar ou manter o interesse pela série. A liberdade criativa com personagens já conceituados e bem concretos é bem-vinda, mas até o momento a única coisa que Gotham conseguiu é desperdiçar grandes personagens. Talvez consigam encontrar o rumo nesta temporada, mas de acordo com esse episódio ainda estão passando longe disso.

Heads or Tails 1: gostei da nova mob do Penguin, ele tem tudo pra causar e ser o mais falado novamente.

Heads or Tails 2: Nygma precisa de mais espaço, mas as breves cenas dele enlouquecendo lentamente são ótimas.

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