O episódio em que Game of Thrones escolheu a violência, mas nos poupou dos embates mais significativos.

Ainda que No One tenha reservado bons momentos como os vistos em Porto Real e nas Terras Fluviais, considero que esse tenha sido o pior episódio dessa temporada. Consequência ou não de não ter alcançado as altas expectativas criadas, a sensação é que esse antepenúltimo episódio poderia ter sido mais grandioso especialmente por estar na reta final, na construção do clímax desse 6º ano. Nos últimos dois anos tivemos excelentes episódios 8, com The Mountain and the Viper (4×08) e Hardhome (5×08), e dentro de uma temporada que foi acima da média em sua 1ª metade, No One acabou tornando-se morno.

Posso até estar contaminando a visão geral pela minha insatisfação no desenrolar dos acontecimentos de núcleos específicos como Braavos. E Correrio… E Meeren…  É, melhor irmos por partes…

Terras Fluviais

O desenrolar do arco do Cão foi um dos pontos mais altos desse episódio. De posse de seu machado salvador ele foi o primeiro do episódio a escolher a violência assassinando impiedosa e brutalmente alguns dos responsáveis pelo massacre do episódio anterior. Afiado como de costume, o Cão já nos presenteia com algumas de suas frases marcantes: ‘Você não sabe morrer, sabia?’

Ainda a procura do homem com a capa amarela, Sandor continuou em busca de sua vingança contra o assassinato daqueles que o salvaram e por pouco não os encontrou tarde demais para cumprir sua missão. A Irmandade sem Estandartes já havia se antecipado e estava prestes a enforcar os homens pelo ataque não autorizado que cometeram.

Rever as figuras de Thoros de Myr e Beric Dondarrion condenando justamente o que soou tão contraditório no episódio anterior foi um grande alívio e um prazer ver algo extremamente coerente com os eventos passados da série. Se nós nos questionamos como a Irmandade havia mudado tão drasticamente seus valores durante essas temporadas, o mesmo fizeram Thoros, Dondarrion e os demais legítimos membros do grupo.  As atitudes daqueles fanáticos de R’hllor iam de encontro com o que a Irmandade tanto pregava e eles não poderiam manchar sua imagem. No final não havia uma grande transformação na irmandade, mas apenas a velha máxima de algumas batatas podres no saco.

O reencontro deles com o Clegane evidenciou como de fato a experiência quase morte do Cão o modificou. Quando Beric o ‘presenteia’ com o direito de matar dois deles e Thoros o impede de fazer isso no velho jeito açougueiro do Cão, Sandor até chia, mas sem grande insistência. “Antigamente eu mataria todos vocês só para estripar esses três”. Mas não é mais ‘antigamente’ e agora o Cão aceita ‘apenas enforcá-lo’.

O Cão retorna à série com algumas de suas frases épicas e atitudes características, mas com um olhar mais atenuado e ponderado. O Cão parece definitivamente mais calmo e resignado, ainda que extremamente frio (impagável vê-lo provando a bota do homem que acabou de matar) e de um humor negro afiadíssimo (“Todos nós morremos. Exceto aquele ali”). Beric e Thoros o convidam a juntar-se à Irmandade afirmando que estão lutando por uma causa maior e que ‘ventos frios estão surgindo no Norte’.

Ótimo que a série também relembre ao público através das pequenas provocações entre Beric e o Cão que Jon não foi o primeiro personagem a ressuscitar. Inclusive o discurso de Thoros sugere que por essa ‘benção’ do Senhor da Luz, Beric tenha ainda alguma missão a cumprir (da mesma forma a teoria também se encaixa ao bastardo Stark) e pelos rumos da conversa tudo indica que essa missão venha a acontecer nos ventos frios do Norte. Em busca de novos objetivos e caminhos em sua vida, o Cão deve unir-se a eles. Afinal como Beric disse “Você pode ajudar mais do que prejudicou, Clegane. Não é tarde demais para você”.

Será que a Irmandade encontrará Sansa? Ou até mesma Arya?

Meeren

Pouco antes do ataque dos escravagistas à cidade, vemos Varys partindo em busca de aliados a causa Targaryen em Westeros. Será apenas uma coincidência ou o eunuco sabia o que estava prestes a acontecer em Meeren e temeu seu futuro na ausência de notícias de Dany? Se Tyrion é o anão mais conhecido do mundo, Varys deve ser o eunuco melhor informado de todos os continentes…

Mas Varys não deixou qualquer pista de quem era o apoio o qual se referia. Poderia estar falando dos Greyjoys caso as palavras dos Homens de Ferro já tenham sido cantadas por seus passarinhos em Meeren. Ou ele pode surpreender a todos e estar arquitetando outra aliança… Consigo pensar nos Martell (ou seria nas Sands?) que alimentam ódio contra a Coroa e podem ver na figura feminina de Daenerys uma importante e imponente força contra seus inimigos. Ellaria e suas filhas ainda querem guerra e vingança e a casa Martell é uma antiga aliada dos Targaryens. Os filhos de Elia Martell eram sobrinhos de Dany e essa antiga e ligação pode vir a ser um trunfo. Veremos.

O fato é que o eunuco está certíssimo e Dany realmente precisará de apoio em Westeros se quiser realmente reinar em sua casa. Com fogo e sangue ela pode conquistar o Trono de Ferro, mas já está mais do que provado que alianças são essenciais para que ela possa manter-se nele.

Em mais uma cena que soa desperdício de tempo em tela, vemos Tyrion, Missandei e Verme Cinzento contando piadas e bebendo. Really? Já tivemos um momento parecido dos três nessa temporada e a cena foi extremamente desconfortável e sem qualquer propósito. Concordo que a série precisa de momentos de bom humor e cenas assim são normalmente alívios permeando momentos de tensão. Mas a sensação é de mais um desperdício de cena do Tyrion de Peter Dinklage. O anão sempre funcionou com boas tiradas e fazendo humor mesmo nos momentos mais tensos, a questão é que nessa temporada seus outros momentos parecem apagados e sabemos do imenso potencial do ator que acumulou prêmios por sua performance como Tyrion. Dinklage até consegue nos arrancar risadas, mérito do ator, mas sinto falta daqueles seus grandes momentos de intensa carga dramática. O anão que já foi Mão do Rei, liderou a Batalha da Água Negra, foi condenado por assassinar seu Rei e sobrinho, viu sua chance de viver esvair-se com a trágica morte de Oberyn, fugiu e assassinou o próprio pai… Hoje vive sua temporada mais apagada. Ainda que ele esteja por trás das jogadas políticas de Meeren, sinto que falta aquele momento do personagem. Por ora tivemos sua interação com os dragões no 2º episódio, resta torcer para que venha mais nesses episódios finais. Dinklage merece, Tyrion merece. Nós também.

Pois bem, nesse episódio Tyrion colhe os frutos de duas de suas jogadas políticas. Se por um lado a pregação da Sacerdotisa Vermelha enaltecendo Daenerys parece promissora, por outro lado o anão contempla que suas negociações com os mestres escravagistas de Astapor, Yunkai e Volantis pouco perduraram. Mas antes que o desespero pudesse os abater, eles escutam alguns barulhos na Grande Pirâmide e são surpreendidos pelo retorno de Daenerys a bordo de Drogon. Que momento oportuno para a Rainha retornar, não é mesmo?

Correrio 

Reencontros de personagens que tiveram boas interações sempre funcionam bem e não foi diferente no reencontro de Bronn e Pod e, especialmente, no de Brienne e Jaime.

Bronn e Pod que há pouco lutavam juntos ao lado de Tyrion, agora se vêem em lados opostos, mas isso não impediu as boas piadas de Bronn e a lembrança do ‘pênis mágico’ de Pod. Isso me remete a grande diferença que há na velha interação do trio Bronn-Pod-Tyrion com as cenas do anão em seu novo trio. O alívio cômico sempre esteve presente, afinal o bom-humor e o sarcasmo são realmente uma das características mais marcantes do anão, algo que o acompanha desde a 1ª temporada. As piadas não são o problema. A questão é que com Pod e Bronn funcionava. Com Missandei e Verme Cinzento, não. Mas com Bronn e Pod víamos muitas outras camadas do anão que parecem não se destacar em Meeren.

Se ao lado de Cersei o pior lado de Jaime vem à tona, o seu reencontro com Brienne chega para resgatar o que há de melhor no Lannister. Até seu olhar, sua postura e trejeitos mudam na presença da Donzela de Tarth e quando a encara, ele provavelmente relembra-se de suas atitudes mais nobres e honradas como a de retornar para Harrenhal e salvar a donzela das garras do urso e de presentear essa mesma donzela com sua espada para que ela protegesse Sansa.  Vê-los contracenando nos traz as lembranças que Jaime não é apenas um Lannister repugnante, mas um personagem cinza. Jaime não é o capacho de Cersei que tanto insiste em ser e espero que esse reencontro o relembre disso. A evolução de seu personagem foi uma das melhores coisas ao longo das quatro primeiras temporadas, pois de forma extremamente bem construída nos vimos admirados justamente pelo homem que foi capaz de empurrar uma criança do alto de uma torre. Esse tipo de personagem cinza, nem completamente bom ou ruim, é um dos pontos altos da narrativa de GRRM e infelizmente a evolução de Jaime parecia retroceder cada vez mais enquanto ele convivia ao lado de Cersei.

Depois do fiasco de sua temporada em Dorne e de suas aparições completamente coadjuvantes nessa temporada, era realmente necessário que Jaime respirasse novos ares e voltasse a tomar as rédeas de algumas situações.

Brienne chega ao cerco a Correrio com uma proposta que Jaime até aceita, mas que não é capaz de sensibilizar Peixe Negro. Ainda que ele tenha simpatia por Sansa, o seu desejo de proteger sua própria casa é maior que a vontade de ajudar Sansa a proteger a dela.

O cerco a Correrio é finalizado muito antes de Peixe-Negro precisar preocupar-se com os níveis de suprimentos no castelo. O ‘lado negro’ de Jaime destaca-se novamente em suas ameaças e chantagens ao herdeiro do castelo, Lorde Edmure Tully, em uma clara associação às suas provas de amor à Cersei. Não digo que o pior de Jaime caminha sempre ao lado da irmã?  Mas o plano de Jaime foi bem pensado e extremamente bem conduzido. Com as vestes de seu pai, ele assumiu o tom ameaçador do Lord Tywin e conseguiu convencer Edmure a atuar como uma isca. Uma isca que, ironicamente, não fisgou apenas a Peixe Negro.

A resolução do cerco teve algumas saídas que me incomodaram. Após lutarem ao lado de Brynden Tully e retomarem o castelo ao seu lado e sob suas ordens, não houve um homem sequer que tenha questionado as atitudes de um Edmure que agia como marionete dos Lannister e Frey. Não digo nem a ordem de baixar a ponte para permitir sua entrada, mas sua decisão em render-se aos inimigos poderia suscitar ao menos alguns focos de insatisfação e alguns homens que ficassem ao lado daquele que os liderou até então, Peixe Negro. Parece que a lealdade desses homens ao legítimo Lorde Tully deveria ser usada como um exemplo às Casas do Norte…

Esperar que Edmure revertesse o combinado com Jaime e ao entrar no Castelo se aliasse ao tio era mesmo improvável, mas seria uma grata surpresa. Pensando racionalmente dificilmente a ameaça de Jaime se concretizaria e eles não catapultariam o filho de Edmure, afinal a criança é um legítimo herdeiro Tully e um grande trunfo para garantir o controle sobre Correrio. E eu sinceramente acredito que foi em nome da continuação da linhagem Tully que Edmure aceitou os termos de Jaime. Não pela mulher que mal conheceu e que nem queria se casar, mas por um filho que ainda que não tenha tido contato era seu legítimo herdeiro e a garantia de perpetuar o nome Tully em Westeros. É claro que também devemos ponderar que àquela altura Edmure era um legítimo homem quebrado…  Mas ele e Brynden poderiam ter tido ao menos cinco minutos de conversa e talvez um plano pudesse ter sido traçado…

O final do Peixe-Negro foi bastante anticlimático. Ele seria extremamente útil ao lado dos sobrinhos no Norte, mas preferiu morrer em nome de Correrio como tinha prometido no último episódio. Mas mais do que essa decisão, o que realmente me entristeceu foi o fato de não termos visto sua luta final. Seria mais emblemático para o personagem aparecer lutando em sua última cena, ainda que viesse a perecer, do que apenas ter a morte informada por um qualquer.  Fica a sensação que o homem que escapou do Casamento Vermelho e retomou Correrio não teve um final à altura de sua grandiosidade.

Em seu discurso a Edmure, Jaime ressalta o amor por Cersei, como mataria cada Tully por ela e que no final das contas é apenas ela quem lhe importa. Ainda que fique um gosto amargo e que pareça bem irritante a forma como Jaime rende-se a própria irmã, acredito que ele não poderia ter dado mais provas que não é bem assim. Se existe alguém com quem ele também se importa, ainda que não tenha se dado conta disso, é Brienne. Isso fica claro quando ele aceita os termos da negociação com ela (quando Jaime permitiria que o exército Tully saísse ileso para reunir-se às forças do Norte? Só pelas palavras de Brienne mesmo), quando diz que espera não precisar enfrentá-la, quando ele a presenteia definitivamente com sua espada de aço valiriano e, especialmente, quando ele a vê fugindo e acena. Mais do que esperar não enfrentá-la, ele decide por isso. Ele permite sua fuga.

Porto Real

“I choose violence”

Cersei escolheu a violência e a Fé pôde ver o que Montanha é capaz de fazer. E é provavelmente por isso que o Alto Septão tenha escolhido abolir os julgamentos por combate nos Sete Reinos. Ainda que a decisão tenha sido proferida por sua marionete, Tommen, alegando que “A tradição é bruta e uma artimanha utilizada por governos corruptos para evitar o julgamento correto dos deuses”.

Quando Cersei não é informada sobre o anúncio real, quando é impedida de ficar ao lado do filho e é igualada às “outras ladies da corte” e quando presencia seu último herdeiro anunciando que sua maior chance de vitória contra a Fé está proibida, fica evidente que Cersei está cada vez mais sozinha e vulnerável em Porto Real, tal como Lady Olenna a havia alertado no último episódio. Lena Headey esteve excelente, mais uma vez, e seu olhar frente às duras palavras de Tommen mostravam as esperanças finais de Cersei esvaindo-se assim como a constatação que estava perdendo seu último filho.

Mas o diálogo de Cersei com Qyburn sugere que ela ainda não se considera derrotada e que havia um plano B caso algo de errado acontecesse em seu julgamento. Tentei recordar-me de algum diálogo entre os dois que fosse sugestivo de que rumor eles estavam falando, mas não me lembrei de nada… Entre as possibilidades há uma que acredito ser a mais coerente e a que mais me agrada (se preferir não ler a teoria pule para o próximo tópico)…

O mais sugestivo é que estivessem falando do fogovivo, aquela substância verde altamente inflamável que foi essencial para Tyrion destruir a frota de Stannis na Batalha da Água Negra. Mas Cersei já tem conhecimento sobre os estoques de fogovivo mantidos pela Guilda de Alquimistas em Porto Real, tanto que inicialmente era ela quem planejava utilizar a substância na defesa contra Stannis. Talvez ela ainda não saiba que havia quantidade suficiente para destruir toda Porto Real e que a produção continuou a mando de Tyrion, mas meu palpite é outro.

Na 3ª temporada, Jaime revela a Brienne como se tornou o Regicida e relata os planos de Aerys Targaryen “Burn them all’. O Rei Louco teria ordenado que milhares de frascos de fogovivo fossem colocados nas fundações de Porto Real incluindo a Fortaleza Vermelha e o Septo de Baelor e durante o Saque de Porto Real ordenou que o plano fosse colocado em prática e toda a cidade fosse incendiada. Louco, ele acreditava que se tornaria um dragão e terminaria de destruir seus inimigos. Foi Jaime quem impediu a concretização do plano, matando tanto o piromante responsável por colocá-lo em prática, como o próprio Rei Louco. Duvidando que alguém acreditasse no seu relato, Jaime nunca contou a história a ninguém (exceto a Brienne) e em retribuição por ter salvado a cidade recebeu o nome de Regicida. Relembre essa cena aqui

Dito isso, acredito que os rumores que Qyburn e Cersei conversavam sejam justamente sobre a existência de fogovivo nas fundações de Porto Real. Vimos a cena do Burn them all nas visões de Bran que também mostraram um incêndio alastrando-se no que parecia o subterrâneo de Porto Real. Uma visão profética? Interessantemente em No One Jaime comenta com Edmure que Cersei seria capaz de ‘deixar uma cidade em cinzas’ para proteger o filho. Vale ainda lembrar que nas visões de Daenerys na Casa dos Imortais, a Rainha se vê na Sala do Trono em Porto Real, mas o local está completamente destruído (relembre aqui) E então? Será que Cersei planeja explodir o Septo de Baelor e até a Fortaleza Vermelha?  De que rumor você acha que eles estavam falando?

Braavos

Arya e a Órfã não eram a mesma pessoa. As facadas que a menina levou não eram uma farsa planejada. Syrio Forell não estava em Braavos e Jaqen H’agar não estava usando o rosto de Arya para testar a Órfã.

Nenhuma das teorias que os fãs alimentaram ao longo de toda semana provaram-se verdadeiras e no final das contas Arya foi realmente imprudente e desprevenida quando foi atingida enquanto admirava a paisagem de Braavos.  Really Arya?

Eu não gostei. E não é porque tenha preferido essa ou outra teoria. Não. É simplesmente porque achei inverossímil e uma saída fácil do roteiro. Eu sempre espero o melhor de GOT e por isso sinto-me desapontada. Arya pretendia guiar sua rival para o local onde escondera Agulha e a maneira como fez isso nesse episódio foi ótima, deixando marcas do seu sangue como pistas a serem seguidas. Seria extremamente aceitável se desde o início tudo fosse um plano de Arya e que ela caminhava chamando a atenção para justamente atrair sua inimiga. Ou seja, eu aceitaria toda a sequência se não tivesse existido a cena do episódio anterior em que Arya é brutalmente atingida. Ali não era parte de um plano maior, mas apenas ela sendo imprudente. E ali ela poderia ter sido facilmente morta antes de sonhar em apresentar a Agulha à Órfã.

Apesar dos ferimentos brutais, que em outros personagens poderiam ter sido fatais sejamos sinceros, Arya recuperou-se facilmente com a ajuda de Lady Crane. Toda a sequência em que a Órfã assassina a atriz e persegue Arya pelas ruas de Braavos foi bem conduzida, mas difícil de crer quando pensamos na série de ferimentos que sucessivamente acometia a Stark.  Mas ok, Arya sobreviveu a todos e conseguiu levar a Órfã para onde queria.

A cena em que as meninas confrontam-se, Arya pega Agulha e apaga a vela é extremamente simbólica e um ponto positivo de toda essa sequência. A Órfã ensinou Arya a lutar sem enxergar e é chegada a hora de provar que também é capaz. A escuridão da cena que corta para o rastro de sangue no Templo e todo o suspense final de quem teria triunfado e qual novo rosto teria sido adicionado à Casa do preto e Branco funcionou ainda que eu não tivesse qualquer dúvida da vitória de Arya. Depois do roteiro me convencer que Arya sobreviveu a tudo que passou seria extremamente anticlimático que ela perecesse naquela luta.

De fato, manuseando sua Agulha, Arya descosturou o rosto da Órfã. Apesar de Jaqen dizer que agora finalmente ela era Ninguém e que podia juntar-se aos Homens Sem Face, a menina já não mais se interessava nisso. Algo que condiz com suas últimas experiências e atitudes. Ficava cada vez mais claro que a jovem Stark nunca seria Ninguém, restava apenas que ela enxergasse isso. E quando ela diz “Eu sou Arya Stark de Winterfell e estou voltando para casa” é difícil não comemorar.

Em entrevista recente o diretor desses 7º e 8º episódios, Mark Mylod, declarou que a cena em que Arya é esfaqueada vem para mostrar que mesmo uma guerreira como ela comete erros. Uma jovem menina por mais habilidosa que seja também pode distrair-se, ficar vulnerável e ‘baixar a guarda’ como qualquer ser humano na Terra.

Vejam bem, a conclusão do arco da Arya não me desagradou ainda que possamos criticar a maneira com que facilmente Jaqen aceitou a decisão da menina partir após ela conhecer os segredos da Casa do Preto e Branco. O que realmente mais me incomodou foi a ‘invencibilidade’ de Arya nessa sequência, o tipo de clichê que GOT sempre evitou utilizar.

O saldo positivo disso tudo é que finalmente Arya retornará a Winterfell. Winter is coming e é realmente hora dos Starks reunirem-se e reerguerem-se. Os nomes da sua lista a aguardam, Arya.

Suspiros Finais

– Em sua última atuação antes de morrer, Lady Crane usou as dicas de Arya e acrescentou vingança às falas de Cersei.

– “As coisas que fazemos por amor”. A frase emblemática que Jaime disse pouco antes de empurrar Bran do alto da torre e voltou a repetir nesse episódio… O que ele fez e faz por Cersei iguala-se ao que Cersei e Cat faz e fizeram pelos filhos.

– Avisem a HBO que todos já queremos provar o vinho Imp’s Delight!

– Demolidarya nada. Arya está mais para Wolwerine!

– O ator que interpretou Lem Lemoncloak (o homem de capa amarela) resolveu fazer uma brincadeira e homenageou os fãs dos livros declamando uma das falas se seu personagem em A Tormenta de Espadas. Sobre Lady Stoneheart.

– Mas não tivemos Lady Stoneheart e tudo indica que não teremos Cleganebowl… Esse não foi um episódio fácil para aqueles que acreditavam piamente em algumas teorias…

-Empolgados com o próximo episódio? Sim ou com certeza? Que venha o 9º episódio, que venha Snowbowl!

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