O inverno está aqui.

Isso sim que pode ser chamado de um êxtase de alívio. Depois de dois episódios bem abaixo do regular, “Game of Thrones” focou naquilo que sabe fazer de melhor e nos presenteou com algo que há muito não tínhamos: um episódio que dá vontade de rever o quanto antes. Que este seja apenas o começo de uma sequência final de episódios que continuamente irá explodir nossas cabeças e possa ao menos camuflar as más escolhas criativas que foram feitas nesse ano. Sim, calma, vamos falar da batalha, mas antes está na hora do nosso rolé geográfico.

Porto Real

Tenho certeza que, até o fim do episódio passado, quase a totalidade do público detestava Cersei. Agora a pergunta que fica é: quantos mudaram de opinião ao vê-la sob tamanha tortura psicológica neste episódio? Ao retirar todos os adornos, privilégios, sorrisos e artimanhas que cobriam sua persona, vemos uma pessoa incrivelmente vulnerável e quase que completamente abandonada. Seu tio não quer nem ouvir falar no seu nome e o filho não tem maturidade para qualquer reação própria de um governante. Assim como ocorreu com Jaime duas temporadas atrás, esse é o momento de transformação para a rainha-mãe, aquele acontecimento que a empurrará para bem além da sua zona de conforto, criando uma certa empatia em nós e de certo modo pintando um tipo de redenção. Será possível realmente gostar de Cersei? Acredito que sim, mas, ao fim das suas cenas, ainda senti um certo prazer ao vê-la lamber a lama no chão de sua cela. CONFESSE!

Braavos

Enfim o treinamento de Arya começou! A garota mostra incrível destreza na arte de personificar outra pessoa e segue apurando sua capacidade de observação e interpretação dos seus arredores. Foram cenas super fluídas e bem montadas e deram uma arejada no enredo de Braavos que se encontrava muito enclausurado por dentro das paredes da Casa do Preto e do Branco. E agora que Jaqen decidiu o destino do apostador, que teve sua morte encomendada aos Homens sem Rosto, veremos Arya em ação pela primeira vez como assassina de aluguel. Isso me leva a crer que o vinagre das próximas ostras que o apostador provar estará levemente mais amargo e mortal. 

Winterfell 

Apenas uma passagem relâmpago pelo lar ancestral dos Stark, mas com uma revelação que será vital para os últimos dois episódios deste ano. Sansa descobriu que seus irmãos mais novos estão vivos e isso claramente ascendeu uma chama na herdeira Stark. Além disso, ela já tinha ouvido sobre Jon Snow na Muralha semana passada e tudo parece estar trilhando para que ela peça ajuda ao meio-irmão a fim de encontrar Bran e Rickon. Contudo, a brevidade do momento que passamos em Winterfell impossibilita demais conjunturas e os próximos passos de Sansa nesse ponto não passam de especulações.

Ademais Roose e Ramsay planejam como agir com a iminente chegada de Stannis e o bastardo legitimado acaba se oferecendo para uma missão solo. Lógico que  torcemos que isso signifique a sua ida para fogueira nas mãos de Melissandre. Afinal, eu também gosto de sonhar com coisas improváveis e nesse seriado elas podem acabar acontecendo. 

Meereen

Agora que Dany e Tyrion estão juntos, pondo de lado todas aquelas inverossimilhanças que possibilitaram o encontro dos dois, é impressionante como as cenas em Meereen ganharam todo um novo peso. Sempre foi um incômodo o fato de Dany ter ficado tanto tempo na Baía dos Escravos se distanciando do que ela clama ser seu verdadeiro objetivo: o trono de ferro. Mas, com o anão agora representando a ligação com Westeros que ela realmente precisava, essa jornada parece iminente. Bem, isso até Tyrion sugerir que Dany talvez devesse permanecer em Essos e governar para as pessoas com as quais, de certo modo, ela já se importa. E isso me fez refletir por um momento sobre a teoria de que Dany poderia permanecer no continente e repetir a conquista que seus antepassados fizeram em Westeros. Seria um paralelo daquela mesma história? Outro Targaryen unificando um continente sob seu domínio? Quer dizer que nunca veremos um dragão contra os caminhantes brancos? Calma, é só uma teoria, mas começarei a considerá-la daqui pra frente e procurar mais pistas sobre isso.

E foi aqui que vimos a cena famosa dos trailers onde Dany fala em quebrar a roda, tirando mais uma de suas frases de efeito da manga. Engraçada foi a cara de Tyrion, espelhando as nossas, meio que dizendo: “nossa, começou o discurso, lá vem a frase!”. Ainda bem que o matador de Lannisters ganhou esse cargo de aconselhador, porque Dany fala muito e pouco faz, fora a incrível teimosia demonstrada às vezes. Tyrion é um ótimo manobrador e conseguirá direcionar a Mãe dos Dragões muito bem, mas pro caminho que ele achar melhor, que não faço a menor ideia do que possa ser.

Muralha

Vou tentar escrever mais do que três linhas sobre a centésima cena da temporada em que alguém explica para o jovem Olly a importância da união com os selvagens. Sério, garoto? Se você não vai mudar de opinião, pelo menos para de querer discursar contra. Nós já vimos o exércitos dos mortos e frente àquilo é difícil querer argumentar.

Durolar

E foi aqui que a série me reconquistou. Uma sequência que durou metade do episódio e o transformou em um dos mais inesquecíveis da série. Os caminhantes brancos atacaram e aquilo que nunca chegou a se tornar uma batalha acabou se mostrando um massacre. Que direção! Que ambientação! Que grandiosidade! Apesar de já termos visto conflitos grandiosos na série antes, este ficou acima de todos os outros por um simples fator, ele nos deixou com medo. Os caminhantes e seu exército de zumbis são imparáveis e não deixam prisioneiros, criando um clima no qual qualquer esperança de vitória é inexistente. Somente Jon Snow marcou um ponto pro lado dos vivos, confirmando que aço valiriano também pode matar os demônios de gelo. Foi uma liberação de tensão como nenhuma outra ao ver o bastardo transformando o caminhante em pó de gelo e vibrei como uma criança. Go Snow, go! Mas este foi o nosso único alente. Os caminhantes acabaram conquistando seus dois objetivos: tomaram o carregamento de vidro de dragão que Jon levou para Durolar e aumentaram exponencialmente o seu exército como a tomada final do episódio revelou. Final que MEU DEUS! O que foi o rei dos caminhantes levantando os braços com aquele olhar de “você não pode vencer”, enquanto os corpos dos selvagens recém-massacrados se levantam para servir a seu novo mestre. Isso na tela e apenas o som do vento e das ondas e o silêncio, tornando o impacto dela ainda maior e mais duradouro. Fantástico! Parabéns a todos os envolvidos.

A batalha também nos introduziu personagens como o gigante Wun Wun, que gerou os melhores gifs ao pisotear alguns dos esqueletos animados, e que conseguiu sobreviver para seguir à Muralha. Quem não teve a mesma sorte foi a selvagem guerreira que parecia certa como nova adição ao elenco. Entretanto, o medo patológico que a guerreira sentia por crianças acabou sendo o seu fim. Ué? Não foi isso que aconteceu? Bem, não vi outra razão para a sua morte ter ocorrido da maneira que foi. De qualquer maneira, bem-vinda ao exército dos mortos, selvagem, e não espere agradecimentos pelos serviços prestados daqui pra frente. Já Thormund me conquistou sendo aquela fera ruiva barbuda que espanca um discordante pra poder chegar logo ao que é importante junto aos líderes das tribos. Thormund 4 life.

Agora o que resta é voltar para a Muralha e juntar os cacos depois da vitória esmagadora dos caminhantes. A Patrulha da Noite precisa mais do que nunca da ajuda do restante de Westeros para que essa ameaça seja contida. E depois do que foi visto neste episódio, não há disputa religiosa, territorial ou pela posse do trono de ferro que consiga ser mais importante do que a ameaça que os caminhantes representa. Jon Snow, todos dependem de você!

Sim, “Hardhome” recuperou minha fé nessa quinta temporada, depois dos fracos dois episódios que o precederam. Nossa, o episódio foi tão bom que até estou achando D&D melhores roteiristas, especialmente na área de grandes espetáculos visuais. Uma hora que vai entrar como uma das mais bem executadas da série, até porque o episódio já estava bem bom antes mesmo de Jon Snow aparecer. Mas o que vai ficar em nossas mentes foram aquelas cenas de pesadelo que permearam o seu final. As cenas de um massacre e um aviso da maior proporção que isso tomará assim que o inverno avançar para o sul do continente. Espero ansioso pelos dois últimos episódios e feliz por ter conseguido minha empolgação de volta.

Em Tempo de Melhor Cena do Episódio: Que assustador foi aquela legião de inúmeros zumbis se jogando de um penhasco e rapidamente se levantando para dar continuidade ao massacre dos selvagens! O senso de desespero triplicou aí e pôs um fim a todas às esperanças de final feliz.

Em Tempo de Máquina de Matar: As dicas que Qyburn deu para Cersei de que os seus trabalhos continuam e de que há uma outra saída para a rainha indicam que o Montanha-Frankenstein pode ser vital para o fim de seu sofrimento. Interessante.

Em Tempo de Expulsão para a Friendzone: Como o pobre Sor Jorah sofre! Mas acho que isso tá começando a tirar a sanidade do guerreiro de voz profunda. Vai voltar às arenas só pra ficar perto de Dany? Socorro, acho que temos um stalker aqui.

Em Tempo de Frases Impactantes de Dany: “Eu pegarei o que é meu, com fogo e sangue”; “Eu vou fazer o que os rainhas fazem, eu governarei”;  “Eles podem viver no meu novo mundo, ou morrer no seu velho”; “Eu não quero parar a roda, eu quero quebrar a roda”; “A lei é a lei”; “Onde estão meus dragões?!?!??!” – essa última era muito engraçada.

Em Tempo de Voz Marcante: Adoro a voz de Michael McElhatton e seu Roose Bolton. Torço por mais momentos com o patriarca dessa família.

Em Tempo de Whatever: Quando a garota da Casa do Preto e do Branco diz para Jaqen que Arya ainda não está pronta para o assassinato e ele simplesmente responde: tanto faz para o deus de muitas faces.

Em Tempo de Frase do Episódio: “A fé é frequentemente a morte da razão” – Qyburn falando uma das maiores verdades já ditas no seriado.

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