A convite da Warner Channel, o Série Maníacos foi o único blog brasileiro que entrevistou Martin Gero, o criador e showrunner de Blindspot.
Gero é um veterano da TV e antes de Blindspot ele já comandou grandes produções, como a franquia Stargate, Bored to Death e atualmente também produz uma das novidades mais populares entre os fãs de Sci-Fi desse ano, Dark Matter.
Com o enorme sucesso da série estrelada por Sullivan Stapleton e Jaimie Alexander, que já garantiu temporada completa, Martin sabe dos desafios e dificuldades em entregar 22 episódios por temporada, modelo que ele não considera ultrapassado e não acredita que esteja desgastado, pelo contrário, ele é um grande defensor da forma com a TV aberta americana mantém seu padrão estrutural de temporadas e revela que tem planos de manter um ritmo acelerado durante todos os episódios de Blindspot.

Martin também assume que acompanha as teorias dos fãs no Reddit e que se diverte em ver as pessoas caçando pistas. Ele revelou que os títulos dos dez primeiros episódios são anagramas com segredos sobre a série e que alguns telespectadores mais atentos já possuem informações privilegiadas.
Um dos pontos mais tocados pelos fãs, sobre a longevidade da série, Martin diz para não se preocuparem, pois existem centenas de tatuagens, sendo que algumas delas possuem múltiplos significados e mesmo assim, ele já tem em mente histórias para Blindspot não ficar dependendo apenas das tatuagens e que existe um plano a longo prazo bem traçado e planejado.
Ouça abaixo o nosso bate papo (em inglês), ou se preferir, leia na sequência a transcrição dessa reveladora conversa.
Michel Arouca – Olá Martin, como você está?
Martin Gero – Olá, estou muito bem e você?
MA – Estou ótimo cara, parabéns por ter a maior nova série da Fall-Season até agora.
MG – Muito obrigado, estamos muito empolgados.
MA – Eu queria entender melhor, como uma grande série como Blindspot acontece, porque ela não é um sucesso por acaso. Vocês conseguiram os dois atores mais cobiçados pelas emissoras dessa temporada, tiveram uma verba enorme de marketing da NBC, um horário fantástico depois de The Voice… Como você se sentiu quando a NBC te disse que Blindspot seria a prioridade deles nessa temporada?
MG – Tudo aconteceu em pequenos passos. Começou com o que eu esperava ser um bom roteiro, depois conseguimos um bom diretor, depois convencemos Jaimie e Sullivan a estrelarem a série, o que já nos deu uma enorme vantagem e para ser sincero, todo o nosso elenco é extraordinário, nós conseguimos nossas primeiras opções com todos os personagens, fomos muito sortudos. E o piloto ficou muito bom, nós temos um fantástico estúdio com a Warner Bros, que acreditou na série e tudo isso fez com que a NBC nos tornasse prioridade, eles enxergaram a possibilidade de uma série que poderia conectar com o público e investiram uma verba enorme de divulgação… Mas no final das contas, se as pessoas não se importarem com os personagens, não tem como funcionar. Tem sido fantástico.
MA – Existe alguma possibilidade de vermos uma participação especial de Philip Winchester na série e quem sabe termos uma reunião de Strike Back? Outra coisa, a essa altura do campeonato, a 2ª temporada já está garantida ou ainda não?
MG – A 2ª temporada ainda não está garantida, mas estamos muito otimistas. E sim, nós adoraríamos ter Philip em Blindspot. Estamos todos muito chateados pelo fim de The Player, todos nós gostamos muito de The Player e ficamos sabendo há pouco tempo que não passaria do 9ª ou 10ª episódio. Seria fantástico ter uma reunião de Strike Back na nossa série.
MA – Mas vocês já conversaram com os produtores sobre essa possibilidade da reunião de Strike Back ou por enquanto é apenas um sonho de fã?
MG – Ainda é cedo, não é algo que estamos trabalhando no momento, mas estamos abertos para essa possibilidade.
MA – O que você acha do modelo de temporadas para a TV aberta americana? Pergunto porque me parece que hoje em dia as pessoas não estão gostando tanto da ideia de 22 episódios por temporada, acredito que o público aos poucos esteja indo mais para o lado das temporadas menores de 12 ou 13 episódios, como vemos na TV a cabo e Netflix.
MG – Eu acho que eu discordo. A TV aberta ainda registra as maiores audiências dos Estados Unidos. É um modelo que ainda funciona. Para nós que escrevemos as histórias, quanto mais episódios temos, mais profundamente podemos explorar os personagens. Tudo depende da forma como você planeja a série, se você tem apenas 13 episódios, você vai escrever de forma diferente. O que eu acho que muitas pessoas não gostam de 22 episódios, é quando a história fica devagar, dependendo apenas de mistérios, mas isso não é algo que estamos fazendo em Blindspot. Nós estamos queimando bastante histórias, fazendo grandes revelações em todos os episódios… Temos um ritmo de série a cabo.
MA – Sim, eu digo isso porque é muito difícil fazer uma temporada de 22 episódios sem fillers, mas então acredito que o plano para Blindspot é manter sempre o ritmo acelerado, certo?
MG – Com certeza. O que é ótimo sobre essa série é que nós bolamos uma história de fundo extremamente complicada, então vai demorar uns 40 ou 50 episódios para termos todas as revelações dos mistérios. Temos muitas histórias para contar e não estamos planejando diminuir o ritmo de forma alguma. E sendo muito sincero com você, quando se tem mais episódio, se tem mais dinheiro. O custo de 13 episódios às vezes é muito alto e quando diluímos em 22 episódios, podemos ter uma produção mais caprichada e por isso que conseguimos fazer as grandes cenas de ação.
MA –Sim, faz sentido. Deixa eu aproveitar e perguntar sobre as tatuagens… Como vocês fazem? Precisou ser desenvolvido alguma forma prática para pintar o corpo da Jaimie toda a semana? Você acha que isso vai se tornar um pé no saco com o tempo? Como funciona?
MG – [risos] Não é bem uma pintura, é tipo essas tatuagens temporárias que você encontra em qualquer lugar. Nós contratamos uma empresa especializada que aplica as tatuagens temporárias, mas realmente demora bastante. Quando fazemos o corpo todo dela demora umas 7h, mas o visual diário demora apenas 1h30, que envolve do cotovelo aos dedos, clavícula e pescoço.
MA – Por favor não deixe acontecer que nem em Prison Break, que depois de um tempo ele só aparecia com camisas fechadas até o pescoço.
MG – [risos] O legal disso tudo é que a Jaimie sempre quer mais tatuagens. Se dependesse dela ela só usaria camisetas sem manga o tempo todo. Ela é muito engajada na série.
MA – É verdade, da pra notar mesmo. Eu a sigo no Twitter e vejo como ela é ativa e engajada com Blindspot. Isso é muito legal. Ok, muito obrigado e eu só queria dizer que sou um grande fã de Stargate e sinto muitas saudades da série.
MG – [risos] Muito obrigado, eu também sinto muitas saudades. Passa Dark Matter aí no Brasil?
MA – Sim, no SyFy Channel.
MG – Todas as pessoas que faziam Stargate estão trabalhando em Dark Matter agora, incluindo eu. Essa talvez possa ser uma série que sacie sua fome por Stargate.
MA – Sim, com certeza. O pessoal tem gostado bastante.
MG – Fantástico. Muito obrigado, é muito gentil da sua parte.
MA – Valeu Martin, até a próxima.
Blindspot vai ao ar aqui no Brasil pela Warner Channel, todas as terças-feiras, às 22h30.






















