Quanto mais teorias, melhor.

Os títulos das escaletas coladas na parede do escritório de Sam Esmail devem todos começar com as palavras plot twist. Nada é o que parece ser e tudo é construído para te enganar. Contudo, a série te engana da melhor forma possível, deixando pistas ocultas (em todos os níveis) para que você tenha chance de descobrir tudo o que está acontecendo.

A revelação que o Mr. Robot era fruto da mente doentia de Elliot à la Fight Club, trouxe uma satisfação enorme para todos os que desvendaram prematuramente o mistério (especialmente para mim, que matei a charada logo na primeira review da temporada passada).

Para esta segunda temporada, a missão de surpreender ficou muito mais difícil, pois todos já conhecem a fórmula dos amigos imaginários de Elliot e as teorias que todos os coadjuvantes podem ser irreais. Qual a solução para isso? Manter os personagens reais e transformar o cenário em algo imaginário.

E as teorias sobre isso pipocam na internet (especialmente no Reddit), especulando que o Elliot está confinado em algum lugar contra a sua vontade e em meio a uma crise psicótica, que alterou completamente sua percepção da realidade. As principais apostas são penitenciária, hospital ou manicômio, a qual eu me apaixonei e assumi como verdade inquestionável.

A Teoria: 

A última cena da primeira temporada terminou com alguém batendo na porta do apartamento de Elliot. Quem está do lado de fora é Darlene, acompanhada de uma equipe de remoção ligada a um manicômio. Após constatar que o irmão estava ficando maluco, na cena em que ela o  surpreende conversando com Mr. Robot em sua lápide, ela decide interná-lo num hospício.

Isso explica como um fóbico social conseguiu fazer tantos novos amigos em tão pouco tempo. A rotina que ele diz ter se auto imposto, na verdade é a jornada de atividades diárias de uma instituição dessas, com horários regrados de refeições (com o Leon, no mesmo lugar, todos os dias), grupos de ajuda (igreja), praças de esportes, consultas com psicólogos e visitas de conhecidos.

Assim, todos os personagens que interagiram com o Elliot seriam, na realidade:

Leon e Hot Carla: sem dúvida nenhuma, poderiam ser pacientes do mesmo hospício, afinal, um sofre de transtorno obsessivo compulsivo, se apegando à Seinfeld com se fosse a única coisa que importasse na vida. A outra, piromaníaca, ateando fogo em objetos diariamente.

Gideon: de fato visitou Elliot, mas na instituição psiquiátrica. Talvez isso explique o fato dele conseguir se conter e não voar no pescoço do seu antigo funcionário que o levou à ruína.

 

Ray: tem todo o perfil do segurança do hospício, especialmente na área externa, onde os malucos praticam esportes (reparem o nível do basquete do pessoal, que não acerta uma cesta sequer). Isso explica a presença do cão (de guarda) e como ele descobriu que o Elliot trabalhava com segurança de rede, tendo acesso aos dados de registro do mesmo.

Mãe: sempre na sala ao lado, mandando recados entre cômodos, pode ser a recepcionista, controlando as entradas e saídas, ao mesmo tempo que vigia os visitantes e os internos. Quando Gideon, nesta teoria, visita Elliot, o som que ele escuta da outra sala, veio de um ruído causado por esta recepcionista.

Krista: depois de toda a interferência que Elliot fez em sua vida, seria muito difícil ela voltar a atendê-lo, exceto se contasse com a segurança de uma instituição com esta. Talvez a curiosidade mórbida de lidar com sua mente doentia, seja maior do que o receio de lidar com alguém que pode rastreá-la num estalar de dedos.

Tyrrel: o telefonema que Tyrell deu para Elliot, por outro lado, continua sendo extremamente enigmático. Apesar de muitas teorias creditarem a internação para o escandinavo, eu não vejo sentido nisso. A frase Bonsoir, Elliot em francês, pode ser um indício que ele conseguiu fugir para a França e, neste caso, teria contado com a ajuda de Elliot (com Mr. Robot pilotando) e Joanna. Isso explicaria aquele encontro no finale, no qual ela parecia conhecê-lo e ele não.

A Lógica das Tags das duas temporadas:

Por fim, existe uma correlação matemática-lógica em duas frases repetidas à exaustão. Durante a primeira temporada, Elliot repetiu para si mesmo inúmeras vezes I am in control. Nesta segunda, a tag da temporada é Control is an Illusion. Igualando control nas duas sentenças, resulta-se  “I am in an Illusion” (Eu estou em uma ilusão). Isso é fantástico!

tag2

Tudo isso (e muito mais) pode ser somente elucubrações de mentes geniais, mas temos que admitir que elas fazem muito sentido. De qualquer forma, se isso for realmente verdade, não creio que seja o plot central desta temporada e deve ser resolvido nos próximos episódios.

É esperar para ver.

Artigo anteriorStranger Things 1×08: Chapter Eight: The Upside Down [Season Finale]
Próximo artigoNarcos | Assista ao primeiro promo da 2ª temporada
Alexandre Bonfá
Apaixonado por HQ´s há mais de 30 anos, eu me sinto realizado com essa avalanche de séries de Quadrinhos da atualidade. Tá achando pouco? Ano que vem vai ter o dobro!