Uma série que se reinventou.

Covert Affairs mudou o caminho, definiu uma linha diferente de pensamento, se deparou com o poder da transformação e o encantamento da metamorfose. Sim, sua terceira temporada teve muitos altos e baixos, trazendo grandes desconfianças para os fãs da série. A trama tinha sido confusa e Annie Walker perdia um pouco de sua força e ousadia – marcas registradas do personagem. Foi então que a season 4 idealizou uma nova proposta – reinventou a série. Este é um caminho arriscado, pois na maioria das vezes tem tudo para dar errado. Para nossa sorte, não foi o que aconteceu com Covert Affairs.

E o mais interessante deste novo caminho, é que a série ao apostar em uma trama única, também estaria transformando sua protagonista – mostrando um mundo novo para Annie Walker. Sim, porque para ser uma espiã é preciso mergulhar de ponta cabeça neste universo, e acreditar que pode fazer a diferença. Annie por muito tempo tentou fazer exatamente isto – mas existia uma imaturidade, uma forma pretensiosa de encarar os fatos que não condizia com aquela realidade.

Nesta quarta temporada duas coisas foram fundamentais para esta transformação de Walker –o medo e o amor. Ou seja, dois nomes fizeram a diferença em sua vida, em seu mundo e na sua alma – Wilcox e Auggie. O primeiro a tornou completamente vulnerável e ao mesmo tempo madura o suficiente para encarar tudo “preto no branco”. E o segundo foi o responsável por fazê-la entender que é possível amar e ser uma ótima espiã, pois existe lugar para as duas coisas em sua vida – e o amor quase sempre é sabedoria.

Depois de uma trama extremamente coesa e bem escrita, esperávamos um Grand Finale suficientemente bom para fechar este ciclo com “chave de ouro” – e tivemos de fato.  “Trome Le Monde” reuniu elementos suficientes para terminarmos o episódio com um largo sorriso no rosto e também uma enorme sensação de nostalgia – tudo que é bom, dura pouco.

Annie Walker se entregou para o diabo, esperando a oportunidade para virar o jogo – ou seria mais apropriado chama-lo de escorpião? Mas Henri, além de escorpião, também é um gato – só pode ser! O homem escapou de morrer uma centena de vezes e neste episódio em particular foram mais três, incluindo a fuga daquele tiroteio incrível – um prato cheio para quem gosta de ação.

Enquanto isto, Calder agitava bastante as coisas em Langley, conseguindo transformar Wilcox no maior traidor de todos os tempos e Annie Walker em uma heroína – além de conseguir a total confiança de todos para assumir o DCI. Isto ainda vai dar muito pano para manga, vocês não acham? Arthur e Joan não devem ficar muito felizes com esta decisão, mesmo que temporária.

Falando no nosso querido casal, impossível não abrir um largo sorriso ao ver que Mackenzie nasceu saudável e tivemos – momentaneamente – um final feliz. O mesmo não podemos dizer sobre Braithwaite que cavou a própria cova – literalmente falando. É sempre chocante nos depararmos com um suicídio e nas circunstâncias apresentadas na série se tornou até um pouco macabro também. Mas não podemos sentir pena, pois o homem abraçou o diabo – não era possível esperar uma redenção depois desta atitude.

E voltando para Hong Kong, temos uma certa demora para Annie tomar uma atitude de fato – até mesmo a MSS apareceu no pedaço. Mas Walker demonstrou mais uma vez uma ousadia, uma audácia e com uma ajudinha de Auggie conseguiu escapar das mãos dos chineses. E então chegamos ao ápice desta season finale – a morte do diabo! A cena toda foi muito bem feita, com a tensão à flor da pele e um magnetismo na tela. Annie finalmente cumpriu sua missão e está livre deste calvário. Mas fica a pergunta – que tipo de marcas tudo isto realmente deixou na vida da Annie Walker?

Pois é, na cena final, fica uma sensação estranha que aquela mulher, aquela espiã já não é mais a mesma pessoa – mesmo que tente. Sim, o personagem foi reinventado, transformando sua ousadia em algo ainda mais poderoso, trazendo uma pitada de autopreservação e uma busca ao autoconhecimento. Então, certamente, tudo isto faz nossa heroína se deparar com seu alter ego e muitas vezes isto tem um preço. Então fica a grande pergunta para a próxima temporada – quem afinal se tornou Annie Walker?

Enfim, Covert Affairs nos deu uma ótima quarta temporada, o que aumenta muito as expectativas para o que vem por aí em 2014. Meu único desejo é que Annie e Auggie se encontrem novamente – pois a série sem esta fofura de casal não é mais a mesma. Também aguardo por grandes surpresas, desejando que a quinta temporada siga este mesmo caminho trilhado por roteiristas que tiveram a coragem de se reinventar.

Até o ano que vem! E muito obrigada a todos que acompanharam as reviews aqui pelo site!

PS. Votando pela morenice de Piper na próxima temporada!

PS. Trilha sonora maravilhosa deste episódio!

PS. Espero que Eyal volte na season 5!

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