Você sempre pode contar com Black Mirror para te deprimir com mais um episódio incrível.

Antes de começar esta review, eu preciso muito me dirigir a todos que nunca assistiram a Black Mirror, ou que nem sabem do que eu estou falando. Se você não é o tipo de pessoa que se choca ou se ofende fácil, largue tudo e comece a maratona agora, são seis episódios mais o especial de Natal sobre o qual eu deveria escrevendo neste momento.

Mas vamos ao que interessa: Black Mirror White Christmas. A ideia é quase surreal, quando se pensa em espirito natalino Black Mirror com certeza não é uma das séries que vem a cabeça, a menos que você seja um Grinch. E mesmo assim não há como negar que o episódio é sim um especial de Natal, já que a data é parte importante da sua história. Claro que é um especial de Natal bem depressivo que tenta esmagar toda alegria das festas de fim de ano, porque a final de contas é Black Mirror e Black Mirror definitivamente não é uma série que você assiste para se sentir bem.

Uma das coisas que eu mais gosto em BM é o quão imprevisível ela é, já no primeiro episódio com o incidente do porco a série provou que não tem muitos escrúpulos e que portanto nada (ou quase nada) é impossível. A tensão que isso proporciona é incrível. O episódio começa e são dois caras conversando no dia do Natal no que parece ser um lugar isolado. E as possibilidades são infinitas. Quem são eles? Onde eles estão? O que fazem ali? Etc. E a cada parte do episódio que terminava mais possibilidades surgiam. A capacidade de Black Mirror de intrigar o seu espectador é uma qualidade fascinante da série.

Me chamou atenção a quantidade de conceitos que foram apresentados e explorados. Os demais episódios em geral são focados em um tema ou conceito, aqui a trama  é movida por dois grandes conceitos tecnológicos e seus derivados. Primeiro a tecnologia do olho, que lembrou bastante o implante do terceiro episódio da primeira temporada, e o fato de que é possível bloquear uma pessoa completamente da sua vida. O que eu devo confessar é uma ideia terrivelmente interessante. E mais ainda bloquear você da vida dessa pessoa. Em sequência fomos apresentados a ideia do cookie e da possibilidade de manipular a percepção do tempo desse avatar. Ambos extremamente relevantes para a conclusão, mas em nenhum momento a série precisou gritar, “aqui! preste atenção isso aqui vai ser importante para o desfecho da história!”. Todas essas explicações foram muito bem incorporadas a trama do personagem de John Hamm e com certeza a forma como essas ideias foram apresentadas ao longo do episódio sem interrompe-la, foi a minha parte favorita de White Christmas.

Mas a verdade é que tudo isso seria em vão se a série não entregasse um plot twist coerente, a final de contas, o charme de Black Mirror está em chocar/surpreender. Particularmente eu gostei muito do desfecho, principalmente de como aos poucos as coisas foram se encaixando simultaneamente e como o lugar em que eles estavam foi se transformando na cena do crime. Foi o desfecho brutal e simples, mas ao mesmo tempo não óbvio que se espera de BM. E claro quem mais além de Black Mirror para matar velhinhos e crianças no Natal?

Anyway, it’s the feel bad christmas special of the season but you can’t help to loving it.

PS. Só para registrar a trolada linda da série logo no começo o John Hamm diz ‘It’s not an interrogation.’

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