O silencio que precede o esporro.
Sugar é o típico sábio homem negro que as produções americanas tanto amam. Em Fire Trials, compartilha um pouco de sua sabedoria com o amigo e comparsa Lucas Hood sobre “o som do silêncio”, e como logo sentirá falta disso. Banshee é uma série explosiva e a season premiere fez justamente o oposto, de certa forma. O final da segunda temporada foi ousado o suficiente ao ponto de que agora Banshee precisa reconfigurar suas dinâmicas, relacionamentos e importância de personagens. Com a morte de Mr. Rabbit e Alex Longshadow, agora abre-se espaço para o crescimento de um novo antagonista. O divórcio de Carrie a coloca em uma posição “desmerecedora”, pois agora dorme em motéis e trabalha de garçonete e já não compartilha de um relacionamento amoroso com Hood. São inúmeros os exemplos de como o “jogo da vida” deu algumas reviravoltas devido aos acontecimentos intensos do final da temporada passada. Mas o mais interessante, é que no silêncio de um episódio intencionado a colocar em movimento alguns planos, o amor de Hood pelo perigo de executar grandes roubos faz com que algo grandioso comece a ser planejado.
O novo setup traz novidades, e ao mesmo tempo mantém os acertos que a série conquistou com o tempo, e que se fazem tão importantes para sua mitologia. Algumas mudanças de poder, nos relacionamentos e dificuldades pessoais que serão enfrentadas pelos personagens são as mais gritantes diferenças da season premiere. Mas Banshee segue sendo uma série bizarra, violenta e inconsequente em seus atos como foi nas duas primeiras temporadas, colocando seus personagens em situações das mais diversas. Situações que sempre geram problemas e consequências pesadas.
Chayton volta como um dos personagens mais impactantes da série e a decisão de dar-lhe mais tempo de tela transformando-o em personagem regular é um acerto dos grandes. Seu discurso sobre o roubo das terras dos nativos por parte do homem branco traz para Banshee, talvez pela primeira vez, uma espécie de tentativa de mostrar que ela também é dotada de consciência social. Através de Chayton, exibe-se uma deturpada intensão de vingança, levando líder e companheiros para lutar em uma guerra já perdida há muito tempo, como o próprio personagem cita. A raiva de Chayton e seus semelhantes é até justificável, visto todo o sofrimento do povo nativo americano.
Mas Banshee nunca conta com a dinâmica “protagonista e antagonista” exclusivamente, e geralmente coloca nas contas de Hood a responsabilidade de lidar com vários “vilões” ao mesmo tempo. Nessa temporada, Hood precisará cuidar de Proctor e Rebecca, Chayton e sua gangue fortemente armada, Nola Longshadow (que parece clamar por vingança pelo assassinato do irmão), mas principalmente, o roubo do dinheiro militar. A responsabilidade que o distintivo policial carrega faz com que todos esses problemas sejam da conta do xerife, que podia caminhar para longe de tudo isso, mas que resolveu ficar por sua filha, apesar de que seja muito mais crível que Hood realmente tenha feito essa escolha porque é apaixonado pelo perigo.
Outras Observações:
Deva é o elo mais fraco de Banshee. O retrato exagerado de uma adolescente com problemas familiares soa falso e um pouco vergonhoso. Por outro lado, funciona parcialmente quando em contato com Hood, pois mostra como uma relação disfuncional entre pai e filha que recém começaram a se conhecer pode ser divertida, pois não existe intimidade, e muito menos superproteção por parte de Hood.
Será que o planejamento e execução do grande roubo tomará a temporada inteira? Banshee é uma série veloz, talvez logo logo veremos a equipe em ação.
Se Hood é viciado por perigo, podemos dizer o mesmo de Carrie. Talvez a frustração da personagem pelo que sua vida se tornou faça com que precise desse “escape noturno”.
Job segue sendo um bom alívio cômico, mas o personagem pode ser muito mais que isso.
Brock parece uma bomba emocional prestes a explodir. A perda de Emmett parece ter afetado bastante o personagem. Será que a execução do neonazista vista na cold open pode voltar para assombrar Hood, Siobhan e Brock?
Não esqueça que Banshee sempre traz cenas pós-créditos. Essa semana: Chayton se prepara para a guerra (com um arco!).















