Tivemos uma enxurrada de séries nesse ano, mais 400 produções invadiram a TV, só nos Estados Unidos. Às vezes é difícil filtrar aquele programa que vale a pena ser visto, especialmente se for novidade e é por isso que nós listamos aqui, as 5 melhores novas séries da fall-season 2015, época do ano em que muitos dos canais aproveitam para lançar suas principais apostas. Por estarmos considerando apenas séries que começaram de setembro em diante, algumas novatas aclamadas como Narcos e Mr. Robot não fizeram o corte. Fique tranquilo, está circulando um boato nos bastidores do SM, que essas duas séries possuem grandes chances de figurarem uma lista mais importante ainda. Até lá, confira o crème de la crème entre as novas produções da temporada.

5. Ash Vs Evil Dead (Starz) Por Igor Hufnagel

Com o objetivo de trazer a franquia cinematográfica de volta à TV, Sam Raimi e Bruce Campbell engataram esse projeto que poderia dar muito, e muito errado. Porém, tudo caminhou exatamente para o extremo oposto, além de entregar tudo que prometeram, surpreenderam com a inserção de novos personagens, novas mitologias e por fim um cuidado e carinho extraordinários com as referências e tramas paralelas. Somando isso a episódios de 30 minutos e uma temporada curta de apenas 10 episódios, temos a fórmula para todo esse sucesso, garantindo um hype positivo gigantesco em volta da série, recebendo o reconhecimento de críticos e fãs, atraindo novos públicos e abocanhando o quinto lugar na nossa lista. Groovy!

4. Limitless (CBS) Por Daniel Junior

Quando a CBS anunciou que o ator Bradley Cooper estava por trás de uma adaptação do filme Limitless para TV, a empolgação tomou conta de parte dos seus fãs. Especialmente porque o filme que chegou às telonas em 2011, se não foi um dos maiores sucessos do moço, tinha uma história empolgante e cheia de alegorias interessantes. Afinal de contas, como não se espantar com um roteiro que fala de “uma droga que potencializa as percepções do ser humano, transformando suas relações com o mundo e com as coisas”. Como os amantes de séries estão escolados com roteiros potentes que são prejudicados (em sua maioria) pela promessa de 22 episódios por temporada, a expectativa de quem não viu o filme não foi no mesmo nível dos que já o conheciam.

Contrariando este grupo, Limitless é, de longe, umas das melhores surpresas deste fall season. Primeiro porque desde o início não teve a pretensão de se levar a sério em momento algum. Craig Sweeny (Medium, The 4400) conseguiu construir uma série em que o pilar de sustentação está todo sobre o talentoso Jake McDorman, responsável por dar vida à Brian Finch, um loser que não via seus projetos de vida alcançarem êxito e que não tinha nada a perder em  ser cobaia do FBI na utilização do NZT-48, a droga que transforma gente comum em pessoas extraordinárias. Finch, por enquanto, é patrocinado pelo senador Eddie Morra (Cooper), que fornece a ele uma vacina que aplaca os efeitos colaterais da droga. Os motivos pelas quais Morra tem interesse na vida de Brian, ainda são obscuros, mas Sweeny parece saber o destino que seu personagem principal terá caso a série tenha vida longa na TV.

Além do carisma de McDorman, Limitless conta com uma excelente produção, com apuro técnico na montagem e na edição dos episódios, trazendo o espectador para dentro da tela, interagindo com o personagem principal e “participando” das suas reflexões. A força da série está no alívio cômico e nas homenagens e referências que ela oferece tanto ao seu próprio universo televisivo, quanto à cultura pop em geral; Brian é o estereotipo de um cara que está próximo dos 30 anos e que carrega consigo todas as experiências de um nerd apaixonado por seus valores e que muitas vezes interage com seus mistérios e dramas como se fosse parte de um show. O piloto já é suficiente para que você queira fazer amizade com Brian Finch, um cara parecido com a gente e que parece ter achado sentido para sua vida.

3. The Last Kingdom (BBC America) Por Tiago Vaz

Wyrd bið ful aræd. Eis que a adaptação televisiva das Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell chega a nós série maníacos com um dinamismo admirável que driblou facilmente as limitações orçamentárias. A BBC prova que é competente em representar os conflitos notórios vividos no reino inglês do século IX, transmitindo com destreza a devoção religiosa dos saxões e a paixão pela batalha dos nórdicos. The Last Kingdom adapta os dois primeiros livros da saga de Uhtred Ragnarson, “O Último Reino” e “O Cavaleiro da Morte”, tendo escolhido a dedo um primoroso elenco e os pontos-chave do romance histórico para a primeira temporada. A direção das cenas de guerra é fascinante com a formação da parede de escudos, assim como as tomadas de batalhas individuais com coreografias dignas de grandes produções da HBO. Apesar de ter apenas 8 episódios, os personagens e as suas motivações, através de diálogos fiéis a obra, se conectam com o telespectador, nos tornando ora ingleses, ora dinamarqueses nesta rixa pelo reino de Wessex. A cada episódio, a temporada inicial de TLK se consolida em qualidade com uma narrativa que a diferencia de outros dramas épicos que tiveram ótimos momentos em 2015, como Vikings e Game of Thrones. Entre mortos e feridos, há espaço na televisão para um drama que nos torna apreciadores de um rei sagaz, faz rir em uma penitência e gritar “Sem piedade!” em meio à canção da espada. Deus é bom e o destino é inexorável. Que venha a próxima temporada!

2. Master of None (Netflix) Por Guilherme Inojosa

Muito se diz sobre Master of None ser um filhote dramatúrgico de Louie. E de fato ambas as séries possuem narrativas bem parecidas, desde a narrativa antológica, a oscilação entre drama e comédia, o protagonista que serve como um alterego do criador da série (aqui, Azis Ansari) e o cenário de Nova Iorque. O grande diferencial de Master of None, entretanto, é o talento que Ansari possui para combinar ao mesmo tempo uma comédia situacional sobre o seu cotidiano e a mesclar com temas como o racismo ou a (des)construção de relacionamentos em uma época de redes sociais, sem com isso parecer indulgente, e o combinar com uma estética de clara inspiração nos filmes de Woody Allen. Ao mesmo tempo funcionando como comédia e drama sobre a condição humana, Master of None conta com um elenco afiado, tendo como cereja do bolo a atuação de Azis Ansari, e conseguiu se mostrar como uma das grandes novidades do ano no mundo das séries.

1. Jessica Jones (Netflix) Por Alexandre Bonfá

Jessica Jones sempre será lembrada pela coragem de ter levado às telas uma série de super-heróis, na qual é protagonizada por uma heroína mulher, absolutamente distante dos estereótipos padrões (meninas lindas com uniformes colados) e co-estrelada por um negro e uma homossexual, ambos extremamente poderosos. No entanto, representatividades e empoderamentos à parte, seu roteiro é espetacular, construindo toda a mitologia do mundo que envolve a personagem que dá o título à série paulatina. Para os fãs da HQ Alias, a abundância de referências à obra de Brian Michael Bendis é um deleite extra e o entrelaçamento com todo o Universo Marvel (TV e Cinema) faz com que Jessica Jones seja uma série obrigatório para qualquer Serie Maníaco que se preze.

Menção Honrosa:

Into the Badlands (AMC) Por Douglas Viana

Into the Badlands é um show que mistura o melhor das coreografias dos filmes de artes marciais inseridas em um cenário Tarantinesco e conserva a coerência do enredo em um ritmo de eventos alucinante. Os personagens são fortemente construídos e conservam um carisma próprio desenvolvido com personalidades únicas e particularidades que englobam seu estilo de luta, arma e passado enigmático.

Tecnicamente falando, a escolha de usar diversos ângulos para o registro das cenas de luta dá ao telespectador uma experiência de imersão nas cenas de ação. A edição faz o papel de arte e nos garantem uma riqueza de detalhes. A equipe responsabilizada pelas coreografias conta com o mítico Master Dee Dee, responsável por nada mais nada menos que as coreografias de “O Tigre e o Dragão”.

O show não perde em nada para um filme de artes marciais. O enredo é rico e detalhado e o roteiro nos presenteia com uma coerência agradável. Mesmo para aqueles que buscam apenas as cenas de luta, Into the Badlands pode agradar com a história. Podemos dizer que a série é ágil, fiel a seu estilo e forte, todas as características de um bom artista marcial. E não é para menos.

E você, concorda com a lista? O que faltou? Quais foram as novas séries que mais te agradaram? Compartilhe conosco e participe da conversa deixando seu comentário logo abaixo?

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