Quando a falta do personagem principal é justificada pelo desenvolvimento dos personagens secundários.
Seguindo no ritmo do episódio anterior e prosseguindo com o que foi chamado pelos produtores de “trilogia da nova Canário”, Midnight City nos mostrou que O Arqueiro está fazendo falta em Starling City e o “amadorismo” de Roy e Laurel pode custa caro para cidade. Se o tom do episódio passado foi dado pelo luto por Oliver, o desse capítulo foi seguido pela força que o legado do Arqueiro representa para o time. Felicity entendeu que o egoísmo escondido por trás do sentimento de perda – aquele que nos faz pensar que o ente querido falecido era nossa posse e não poderia ter partido – deve ser substituído por altruísmo e assim deixar que as pessoas que amamos tomem suas próprias decisões e se arrisquem defendendo as pessoas que elas amam.
A justificativa do porquê se ter um grupo organizado de combate ao crime não poderia ser outra. Fazem isso porque outras pessoas precisam. O simpres fato de terem encarado um problema e assumido a responsabilidade por ele. Não bastasse isso, alguns personagem possuem motivos mais profundos, como homenagear a memória de alguém ou buscar consolo para suas frustrações. Nesse ultimo caso é que vemos Laurel se arriscando e pra quem a achou muito badass no final do episódio passado, nesse a moça mostrou que tem muito o que aprender.
Tivemos até uma comparação entre a trajetória da Canário e o Roy. O sidekick oficial do Arqueiro trás um background da sua vida como marginal e alguns meses de treinamento com Oliver. Podemos até acrescentar um pouco de talento na equação. Já Laurel, “treina para vigilante” a menos de alguns meses. Estou preparando um texto específico sobre a trajetória da moça, então deixarei a discussão para depois. Só preciso acrescentar que gostei da desacelerada que deram no desenvolvimento dela e ver ela apanhando daquela forma traz um pouco mais de realidade para a série. Continuo acreditando na moça, afinal não existe outra forma melhor de aprender a ser um vigilante do que sendo, isso se você sobreviver ao processo.

Enquanto Brick toca horror na cidade, Oliver se recupera – mais do que rapidamente – na montanha do duelo. A ajuda de Tatsu, com suas ervas, continua um mistério e a moça atribuiu a recuperação de Oliver a força de vontade do cara (haja força de vontade!!!). Infelizmente não consigo engolir isso. Se tivéssemos uma explicação mais detalhada, ou até sobrenatural, eu ficaria contente. Agora, esse discurso sobre “vontade de viver” somado a fitoterapia está mais para história para boi dormir. Nem o Flash se recupera tão rápido.
O resgate dos vereadores atrasou a exigência de Brick para com a prefeita e nos presenteou com uma bela cena de ação. Eu senti a tensão e medo da Laurel em sua primeira missão oficial, já que acabará de ser aceita no grupo. A dificuldade que ela apresenta ao lidar com os vilões é que caracteriza o amadorismo da aspirante a vigilante. Porém é inegável que ela apresenta uma certa desenvoltura e talento para a prática, já que soube usar da inteligência para sair de uma situação de crise. O lance de direcionar o vilão para a direção oposta a da fuga usando um gravador foi legal e o chute baixo para se livrar do estrangulamento deve ter saído das antigas aulas de defesa pessoal. Bom, pelo menos ela já quebrou sua primeira janela em fuga e saiu com estilo pendurada na escada do helicóptero.
Achei mítica a coragem do Roy ao encarar Malcolm daquela forma. O Arsenal está bem ousado e não acho possível que ele pensou que colocaria pressão no tiozão e o forçaria a deixar Thea. Cara, o Arqueiro Negro está com a Liga dos Assassinos no pé dele. Como assim o Arsenal poderia fazer alguma coisa? Esse episódio reforçou o fato de que o Roy ainda está em treinamento, ainda está amadurecendo e aprendendo com seus erros. Só que ameaçar o pai da Thea pode não ser uma boa escolha.
Se o Vermelhinho queria causar algum impacto, psicológico é claro, ele conseguiu. O papai da Thea chamou a moça para conversar e contou sobre o pesadelo que tem passado. Só que parece que ele não a ensinou apenas alguns movimentos com a espada. Ele ainda a mostrou como ser prepotente e excessivamente confiante. A menina teve seis meses de treinamento e pensa que pode encarar uma organização de assassinos treinados que está no mercado a sei lá. Uns duzentos anos? É o típico caso da pessoa que começa a praticar uma arte marcial, evolui rápido demais e pensa que é o pica das galáxias. Com a revelação de que o DJ convencido é um associado de Sarab, ficamos sabendo que a Liga estava de olho em Thea há algum tempo. A moça ainda está em perigo e tenho um forte palpite que veremos Nyssa de volta a cidade logo logo.
O que mais me agradou nesse episódio é que pude entender a necessidade de se triar o protagonista de cena para dar espaço ao desenvolvimento dos demais personagens. Confesso que até simpatizei um pouco mais com o Roy e consegui ver coerência nas ações da Felicity. O pesadelo da loira com Oliver morrendo e o choque ao saber que Laurel estava tentando seguir em frente e ajudar, mesmo passando pela perda da irmã seguida pela do Arqueiro, a motivou a reassumir sua posição no time e como eu disse no inicio da review, aceitar o sacrifício das pessoas de que ela gosta e a necessidade de ter alguém cuidando da cidade.
Já sabemos que o episódio seguinte nos reserva uma guerra nas ruas do glades e o encerramento do arco de Brick. As ações de Sarab garantiram a salvação de Oliver e ainda é uma incógnita sobre qual será a reação de Rá’s Al Ghul ao saber que Oliver está vivo. Acredito no retorno do herói que vai chegar pra acabar com a bagunça e encher de esperança os corações de seus amigos. Só não entendi ainda a cara de tristeza da Tatsu (claro que entendi que ela está triste por conta do ex. marido, eu quero dizer que não entendi ainda a relevância disso para a série). A promessa da Katana na série me animou tanto que estou perdendo a paciência pela enrolação que está em volta da personagem e fico com a impressão que não estão aproveitando devidamente a atriz. Talvez a personalidade de Sarab – fiquei sabendo essa semana que o nome significa fantasma – assuma de vez Maseo e ele declare a lealdade a liga do assassino, o que obrigaria Tatsu a matá-lo. Podemos perceber no diálogo entre a japonesa e Oliver que ela entende o sentimento de culpa e vontade de morrer do ex. marido, sendo assim espero que ela tire isso dele e nasça como a heroína nipônica que tanto esperamos.
ps1: Os diálogos entre Felicity e Palmer são os melhores. A conversa sobre o Helicóptero valeu o episódio.
ps2: Laurel continua torturando o pai com a história da Sara estar viva. Até usar a voz da moça ela usou. Será que ela não pensa que o choque de se saber a verdade pode ser pior se prolongar a situação?
ps3: Se o bicho está pegando tanto assim, por que não pedem ajuda para o Wildcat? Uma mão de um ex. vigilante não seria ruim. Estou começando a pensar que esse cara não se qualifica para mentor da Canário não. Veremos se ele vai a guerra no próximo episódio.
ps4: Não consegui perceber muitas referências ao universo DC além do já batido Canal 52 e a citação por Laurel da prisão de Belle Reve e a explicação de Ray Palmer sobre os feixes de Luz Dura. A Luz endurecida é a mesma usada pelo Lanterna Verde para gerar formas e raios sem produzir calor.













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