Jack is back bitch!

Em um tempo de reprises, regravações e adaptações, fico muito contente em ver uma produção original, que ajudou a revolucionar o mundo das séries, retornar quatro depois seu suposto término. O mais interessante é que a audiência dessa premiere foi muito boa, e vai ser curioso acompanhar os números e ver se Live Another Day vai conseguir segurar a audiência. Mas a pergunta que devem estar se fazendo é: valeu a pena esse retorno? Foi interessante ressuscitar uma franquia que já estava encerrada?

O retorno de 24 horas foi um pedido do próprio Kiefer, que se diz realizado com a interpretação de Jack Bauer e realmente convenhamos, não há como assistir qualquer filme com ele (Espelhos do Medo) e não achar que é o Jack Bauer em outra atmosfera. Então, sem delongas, posso dizer que sim, valeu a pena esse retorno.

Digo que foi interessante, porque para mim, a fórmula de 24 horas é sempre agradável. Sabemos que terá uma conspiração, que um traidor surgirá, que o vilão vai mudando ao longo dos episódios até ser apresentado ao verdadeiro antagonista, que os guardas são burros e apanham sempre, que Jack é a versão 2014 do Chuck Norris, que a Chloe acessa até os e-mails do Obama com um Startac, mas foram essas características que tornaram a série o que ela é, e seria um grande erro se mudassem isso.

Se a fórmula deu certo, as pessoas gostam, existe audiência, então por que mudar? Para não dizer que não tiveram mudanças, as que ocorreram foram positivas. A primeira, e mais gritante, foi a questão da mudança no formato da série. Dos sempre presentes 24 episódios representando 24 horas do dia, com cada episódio uma hora em tempo real, agora teremos 12 episódios, que representarão intervalos de tempo que também serão demonstrados em tempo real. Essa decisão de transformar a 9ª temporada em uma espécie de minissérie, foi uma boa sacada para enxugar os custos de produção. 24 horas sempre foi cara e uma das alternativas para reduzir o custo e torná-la viável novamente, era reduzindo o número de episódios. Acho que esse formato tornará a série mais ágil, sem enrolações e tramas fracas, já que temos metade do tempo que tínhamos antes, por isso eu praticamente posso garantir que teremos muito mais ação do que nas outras temporadas e muitas revelações.

A segunda mudança foi no local. Sempre nos Estados Unidos, alternando apenas entre os estados, agora estamos na Inglaterra e por enquanto ainda não sei dizer se isso será um diferencial positivo. Para mim ainda é indiferente, acho que só se torna coesa pelo fato do Jack estar refugiado, logo não faria sentido ele ter conseguido se manter nos Estados Unidos como foragido com todos os órgãos de inteligência americanas o rastreando. Acredito que não tenham escolhido Londres à toa e espero descobrir o que os motivou a levarem as gravações para a terra da rainha.

E a terceira mudança, para mim, foi a alteração de presidente. Se antes tínhamos a polivalente Allison Taylor, agora temos o pai da Audrey, James Heller no cargo. Confesso que como presidente eu prefiro muito mais a Allison (entre os vivos, porque igual ao David Palmer jamais teremos), mas não posso reclamar do Heller pelas circunstancias da série. Uma das coisas que mais me afligiam era referente as motivações de Jack. O que seria preciso para trazê-lo de volta a ativa? Acusado de terrorista, fugitivo, odiado por muitas pessoas do seu próprio país e que não reconhecem nada do que fez pela pátria, o que faria este homem sair do ostracismo quatro anos depois, para voltar a proteger o país que sempre se limitou a persegui-lo e ameaçá-lo? Tinha que ter algum envolvimento romântico e algo forte. O sentimento de agradecimento e consideração de Jack por Heller e Audrey são interessantes e justificam tal retorno, porém confesso que quando vimos Chloe sendo torturada no centro de Operações Especiais, eu achei que Jack só havia retornado para salvá-la, mas isso não fazia muito sentido. O plano de plantar a informação na filial da CIA, deixar ser capturado e passar por tudo aquilo para resgatar Chloe foi muito bom, mas é engraçado notar que mesmo depois de tudo que os dois passaram, ele tem a frieza de dizer que não são amigos.

Kate na pele da maravilhosa, diva, deusa Yvonne Strahovski me incomodou um pouco e só espero que ela não se torne apenas mais um interesse romântico para Jack. Aliás, não vou negar que achei Kate bastante estabanada e que tudo acontecesse com certa facilidade pra ela. Não gosto disso por conhecer bem 24 horas e acredito que esse lance dela com o ex-marido traidor ainda será abordado na série. Até onde isso influenciará nos acontecimentos derradeiros da temporada não sabemos, é esperar para ver. Entre os outros novos personagens gostei da garota que se revelou uma assassina no final do segundo episódio e confesso que só ali, pouco antes de matá-lo que conseguir ver esse twist chegando. Não posso esquecer-me de mencionar nossa querida Catelyn Stark, agradecendo sua doce filha pelo trabalho bem feito. Quais as motivações dessa mulher? A quem ela responde? Espero vermos mais disso no próximo episódio.

Foi muito perspicaz da parte dos roteiristas abraçar um tema tão polêmico e contemporâneo. Drone é o assunto do momento, e em muitas séries que tratam de espionagem, assassinatos e conspirações, temos visto o uso dos drones para criar tramas e situações. É realmente um assunto delicado e uma das vantagens de 24 horas é utilizar-se de assuntos do momento para criar suas tramas, e nada mais esperto do que usar essa questão do controle de unidades militares por usuários remotos. O perigo disso no mundo real, como foi mostrado na série, mostra um pouco da vulnerabilidade de todo esse assunto, principalmente no âmbito ético. Gostei de todo aquele lance do Afeganistão, agora vamos ver o que rola daqui pra frente.

Com um episódio remetendo à sua clássica história, sem fugir muito do seu estilo original e trazendo de volta aquilo que amávamos, 24 horas mostra que não voltou por acaso e que tem ainda muito fôlego pela frente, enquanto Kiefer estiver disposto a tanto.

Anotações dos Intervalos:

– “Poderia ter pedido” – Chloe está certa, não consigo compreender essa atitude de Jack em invadir a organização que ela estava trabalhando, usando-a como isca.

– Lema do capanga idiota: faz algo que dá certo, se engraça com uma garota e resolve ficar por conta resultado. Poucos duram mais de um episódio de participação.

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