Cassandra, a princesa troiana, padecia da agonia da premonição combinada com a impotência de nada poder fazer”
Vocês devem está se perguntando: O que tem haver a princesa troiana Cassandra com a virologista Cassandra Railly? (Além do nome, é claro). Antes de entrarmos neste comparativo, acho de bom tom, trazer de forma simplificada o mito de Cassandra.
Cassandra era filha de Príamo, Rei de Tróia. Uma mulher cuja beleza impressionou o deus Apolo, que a pediu em casamento. Como dote, a donzela recebeu o dom da premonição. Na véspera, Cassandra arrependeu-se e não quis mais casar. Apolo, irado, percebeu que ‘palavra de rei não volta atrás’ e não podia cancelar o dote presenteado. Cassandra ficaria com o dom para sempre. Ardiloso, Apolo manteve realmente o dom, mas colocou uma condição: a de que ninguém iria acreditar em suas previsões. Assim foi com a invasão e derrota de Tróia. Ela implorou a Príamo para que não aceitasse o presente do cavalo de madeira proveniente dos gregos. Tudo o que ela previu na vida, teve o descrédito dos interessados, para seu desespero.
O mito de Cassandra simboliza a confiança entre os seres humanos. Tem sido utilizado na psicologia e em outras ciências como metáfora. Quando alguém consegue ver a realidade de uma forma mais esclarecida e tenta avisar os outros sem sucesso, essa pessoa pode ser considerada portadora do “Cassandra Complex”.
Em 2014, a Drª Railly já sabia que uma pandemia viral seria a causa da quase extinção da raça humana. (Em 2013 Cole a alertou sobre tal realidade) Sabendo disso, era óbvio que qualquer surto viral que surgisse no planeta entre os anos de 2013 e 2017, seria tratado pela a Drª Railly como sendo a “ponta do iceberg”. Assim, a cepa viral não identificada no Haiti, poderia não ser apenas mais um enfrentamento epidemiológico do CCD (Centro de Controle de Doenças), quando, na verdade, poderia apresentar uma complexidade consideravelmente maior, a inspirar, por maiores cuidados. Por isso, que a Drª Railly, alarmante exige uma quarentena dura, onde a ordem é disparar em qualquer um que tente sair da quarentena. Não posso deixar de pensar: “Não é diferente do que Cole fez para Henri Toussaint?” Em essência, ele teve que colocar em quarentena as informações sobre o quarto da noite, para impedir que o exército dos 12 monkeys as obtivessem. No fim, àquela não era a pandemia apocalíptica e sim a “febre do rio”, uma doença rara.
O que descobrimos sobre o “Room Night”? Bem, aparentemente, não é uma sala fixa e sim um laboratório móvel. Assim, Henri Toussaint, diz a Cole que para localizar o laboratório ele terá que procurar por um equipamento chamado “big burn”, que consiste na utilização da luz ultravioleta, para queimar tudo no laboratório, caso o vírus errado escape. Como assim, o errado escape? Então, eles tinham a intenção de soltar outros tipos de vírus que não fosse o vírus apocalíptico? Fiquei com essa pulga atrás da orelha.
O ponto culminante deste episódio é a cena na qual a Drª Railly entra em contato com o sangue da paciente, desencadeando um efeito dominó de sentimentos – morte-paranoia-impotência-agonia-aflição-dor-medo – A cena foi bastante complexa, porque a atuação da Amanda Schull (Drª Railly) estava centrada apenas no olhar. Senti naquele momento que ela queria que alguém a ajudasse. Talvez, alguém que pudesse carregar junto com ela o fardo, do eminente extermínio da raça humana.

Um dos aspectos mais impressionantes da série 12 Monkeys – além dos diálogos, é a forma organizada em que a história mostra a investigação sobre o surto epidêmico futuro e os seus desdobramentos. Na estreia, Cole foi atrás de Goines; em duas semanas o alvo era a filha de Leland, Jennifer; e agora a informação necessária é encontrar Henri Toussaint, o cientista que escapou dos assassinatos ocorridos no Grupo Markridge. O efeito dessa narrativa cuidadosamente construída é sugerir conteúdo para o episódio seguinte e assim sucessivamente. Fazendo com que o telespectador se mantenha entretido em querer desvendar esses mistérios, sem ficar muito envolvido nas complexidades da viagem no tempo.
Cole se propõe em viajar para o ano de 2014 para encontrar o cientista Henri Toussaint. Mas, o que me intriga neste ponto é como essa informação foi descoberta pela Drª Railly. A polícia questionar a respeito da fuga de Jeniffer é normal, já que a Drª Railly estava no JD Peoples na hora do sequestro/fuga de Jeniffer. Mas, mostrar a foto com as pessoas que Jeniffer teria assassinado (sabemos que foi o homem pálido o autor de tal ato) e consequentemente saber que o único desaparecido era o Dr. Henri Toussaint, foi uma informação excessivamente conveniente para Cassie. Vocês não acham? Ela não poderia mesmo se lembrar de Henri, que ela só conhecia por um dia ou dois, se não fosse por seu encontro romântico.

Jules (Jeff Clarke) colega de Cassie no CCD, diz que o Dr. Henri Toussaint foi baleado e morto no Haiti. Por um momento, eu pensei que a discrepância, entre a versão da polícia e a que foi dada por Jules, era resultado da viagem no tempo, mas Cole ainda não tinha viajado para o Haiti. Eu não confio em Jules. E Vocês? Além do mais ele pediu que a Drª. Railly fosse trabalhar de novo no CCD. Não sei se vocês se lembram, mas Cole em sua fatídica passagem em 2013, ao descrever a Drª Railly, ele diz que a mesma trabalha na contenção viral para o CCD. Acho coerente da parte dos roteiristas, não querer deixar para season finale a incumbência de responder todas as respostas. Cada episódio necessita dessas respostas para poder prosseguir com a narrativa.
Achei duas coisas irritantes em “Cassandra Complex”. O manuseio incorreto das cenas de luta. Estas, devem sempre impregnar cada episódio, a fim de provocar tensão e força. Por mais que a luta desse episódio tenha sido agraciada pela a interferência eletromagnética e temporal das explosões solares, resultando em breves fragmentações involuntárias (parecia o teletransporte do Goku). Ela não me conquistou. Acredito que a série tem mais força nos diálogos do que propriamente na pancadaria. Não estou dizendo que a interferência solar no contexto que ela foi colocada foi insignificante. Pois, acho bastante válido os roteiristas sempre evidenciar que a máquina do tempo não é uma ciência exata, sendo passível de possibilidades e limitações.
O que me irrita ainda mais é o subplot de Ramse. Ele quase que não tem utilidade. A não ser, quando Cole ou Jones está em cena. Espero que a facção “The West Seven.” Seja algo que me faça gostar do ano de 2043. Pois, tá difícil.
“Cassandra Complex” foi um episódio sólido, particularmente as sequências que concretizou a personagem da Drª Railly e a relação entre ela e Cole. Até a próxima Review!
Monkey 1: foi bom ver Cassandra provocando Cole sobre a sua não utilização de utensílios para comer comida chinesa, para não mencionar a sua falta de experiência com alimentos entregues a “delivery”. A cena em que ela fez Cole acreditar por um momento que um real general estaria envolvido no preparo do “frango do general Tso” foi realmente delicioso. Aaron Stanford e Amanda Schull são perfeitos juntos, como duas pessoas de formas diferentes, danificados e agarrados um ao outro por meio de uma situação impossível.
Monkey 2: Foi muito bom conhecer alguns dos outros cientistas esta semana. Agora sabemos que Jones não é a única responsável pelas decisões. Eles são definitivamente uma equipe, embora sua opinião pareça ter um pouco mais de peso.
Monkey 3: As cenas no Haiti foram filmadas com uma câmera de mão, para dar o efeito de guerrilha, estilo documentário. Normalmente, isso tende a me incomodar, mas neste caso, o sentimento foi ao contrário, só fez agregar valor nas cenas, dando uma vibração e urgência diferente a elas.
Monkey 4: Afinal, àquele altar com uma cabeça de macaco nele (o sagrado e o profano). Está relacionado com o exército dos 12 Macacos? Provavelmente não. Mas, a utilização desta alegoria para a composição da cena foi brilhante.















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